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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

A Região Administrativa de Araçatuba foi a única no Estado de São Paulo que, nos primeiros cinco meses deste ano, contratou mais do que demitiu trabalhadores com carteira assinada.
A constatação está em estudo divulgado ontem pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), feito com base em dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia.
De janeiro a maio, juntos, os 43 municípios criaram 1.312 postos de trabalho formais, um cenário bem diferente do que o registrado em todo o território paulista.
De acordo com o levantamento, no período, o volume de admissões (236 mil, no total) foi superado pelo de demissões (340 mil), ou seja, uma redução de 104 mil empregos formais.
Segundo a fundação, o decréscimo no saldo de empregos com carteira de trabalho, de 0,9%, em relação a abril, foi similar ao observado para o Brasil.
A diminuição ocorrida no Estado corresponde a 30% do decréscimo de postos de trabalho ocorrido em todo o Brasil – -1.145, no período.
Estavam amparados pelo Programa de Preservação de Empregos, de abril a junho, 3,8 milhões de empregados, do total de 11,7 milhões existentes no Estado.
As estatísticas mostram que todas as regiões de São Paulo tiveram declínio do emprego formal no acumulado de janeiro a maio, com destaque para as reduções de 117 mil na Capital, 78 mil nos demais municípios da Região Metropolitana de São Paulo e 54 mil na região de Campinas.
AGRONEGÓCIO
Conforme o jornal O LIBERAL REGIONAL já havia antecipado na semana passada, os números positivos da geração de empregos na Região de Araçatuba são explicados pelo bom desempenho do agronegócio.
Em todo o Estado, o setor foi o único a contratar mais do que demitir de janeiro a maio. Na Região, esse desempenho foi mantido mesmo após o início da pandemia, que provocou demissão em massa em todos os setores da economia.
No quinto período deste ano, o segmento fechou com 88 empregos criados na região, número que contrariou a própria média do mês, que foi de menos 2.129 postos de trabalho formais.
Apesar de o bom desempenho ser atribuído a um setor, o economista e professor universitário Marco Aurélio Barbosa considerou “muito interessantes” os números divulgados pela Fundação Seade, pois mostram que “a região se diferenciou das demais em uma conjuntura de profunda crise econômica”. E emendou: “O saldo positivo e a diferenciação em relação a todas as outras regiões do território paulista é um fator de destaca para a Região de Araçatuba”.
PRÉ-CRISE
No entanto, Barbosa pondera que, por se tratar de janeiro a maio, o resultado pode ser decorrente de saldos positivos acumulados nos primeiros meses do ano antes da pandemia. “Nota-se que, em maio, o resultado da Região está negativo, assim como as demais evidencia o impacto da crise na economia regional”, diz o docente, que coordena o Observatório da Economia Regional na FAC-FEA (Faculdade da Fundação Educacional Araçatuba).
Sendo assim, ele acredita que o resultado de junho será um “termômetro” que permitirá avaliar com mais detalhes se o saldo positivo acumulado no primeiro quadrimestre permanecerá como um diferencial regional ou o resultado negativo encobrirá o saldo positivo acumulado “levando a região para o campo negativo em termos de empregabilidade”.
O explica que, nos primeiros meses de 2020, as principais cidades da região apresentavam trajetória positiva em relação a geração de empregos. Essa trajetória foi interrompida pela crise desencadeada pelo Covid-19, que fez com que, nos meses seguintes, o saldo alterasse de sinal para negativo. Por isso, Barbosa enfatizou: “O resultado de junho deverá ser aguardado com atenção”.

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