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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Perto de a pandemia completar quatro meses, um município da região aparece no seleto grupo de 19 cidades paulistas que, até o momento, não registraram um caso sequer da doença provocada pelo novo coronavírus: Nova Independência.

Em entrevista ao jornal O LIBERAL REGIONAL na última semana, o secretário de Saúde do município, Alan Guimarães, confirmou que a covid-19 ainda não atingiu nenhum dos seus cerca de 3,5 mil moradores – até a tarde de ontem, a situação se mantinha inalterada.

“Estamos ainda sem nenhum caso confirmado. Com a ajuda do nosso pessoal, estamos atravessando bem esse momento”, declarou. Esse cenário, no entanto, não tira a preocupação do poder público. Guimarães ressaltou que a cidade tem duas usinas de açúcar e álcool, o que a leva a receber muitos trabalhadores de municípios vizinhos.

Na última terça-feira, destacou ele, a rede municipal atendeu o primeiro caso suspeito. Exames vão confirmar se houve contágio, ou não.

Na avaliação do secretário, a posição confortável da cidade é atribuída às ações colocadas em prática logo no começo da pandemia. Na primeira quinzena de abril, por exemplo, a administração municipal fez a entrega de 150 kits de limpeza com álcool e gel, Qboa e detergente para pessoas vulneráveis que pertenciam ao grupo de risco.

A esses mesmos moradores, principalmente idosos, foram distribuídas cerca de 1,2 mil máscaras. Foi feita ainda a lavagem das ruas em duas oportunidades, incluindo a fixação de barreira sanitária na entrada da cidade durante um mês. Além de tudo isso, foram feitas muitas ações de conscientização, com carros de som orientando os moradores pelas ruas.

Apesar dos bons resultados, Guimarães acredita que, nos últimos dias, tornaram-se mais necessárias as ações de orientação à população para as normas de isolamento. Especialmente no atual momento, com o crescimento da doença no interior.

CASO ISOLADO

A situação de Nova Independência representa um dos poucos casos isolados no Estado de São Paulo. Na região, por exemplo, há municípios menos populosos do que Nova Independência – casos de Turiúba, Braúna e Gabriel Monteiro – que já contabilizam uma morte, cada um.

Dos 644 municípios paulistas, até a tarde desse sábado, a covid-19 já era uma realidade em 625, com casos e mortes confirmadas.

Dentre os 43 municípios da Região de Araçatuba, mais Lins e Promissão, cidades da área de abrangência do SRC (Sistema Regional de Comunicação), ontem, a covid-19 atingiu a marca de exatas 2,5 mil pessoas infectadas.

Desse total, 905 pacientes foram na cidade de Araçatuba, o equivalente a 36,2% das pessoas que sofreram com o contágio na região. Desde o início da pandemia, 24 pessoas já morreram por causa da covid-19. Entretanto, o número de pacientes curados é ligeiramente superior – 690 pessoas já venceram a doença, conforme reportagem publicada ontem pelo jornal O LIBERAL REGIONAL.

Já o número de mortes, ao todo, chega a 126 na região dos 45 municípios.

 

 

Quarentena e uso de máscara reduziram em 15% o contágio da COVID-19 em SP

A combinação entre isolamento social e uso de máscaras de proteção facial diminuiu em 15% o contágio do coronavírus (SARS-CoV-2) em São Paulo e 25% em Brasília no início da epidemia de COVID-19 no Brasil, segundo constatações feitas por pesquisadores vinculados ao Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) em um estudo publicado na plataforma bioRxiv, ainda sem revisão por pares.

Sediado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP), no campus de São Carlos, o CeMEAI é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

“Verificamos que a decretação de quarentena pelos estados combinada com a recomendação do uso de máscara pelo governo federal foram medidas de saúde pública eficazes, que contribuíram para a diminuição da transmissão do vírus na fase inicial da epidemia de COVID-19 no país, em que as taxas de contágio cresciam exponencialmente”, disse à Agência Fapesp Zhao Liang, professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão (FFCLRP) da USP e um dos autores do estudo.

Modelo matemático

Os pesquisadores chegaram a essas conclusões por meio de análises feitas por um modelo matemático que permite estimar as taxas de transmissão do SARS-CoV-2 em cada cidade do Brasil.

Desenvolvido por meio de um projeto apoiado pela Fapesp, o modelo é baseado em uma abordagem de rede de transmissão de doenças entre cidades chamado SIR – sigla em inglês de Susceptible Infectious Recovered.

As cidades são representadas na rede como vértices e os possíveis contágios pelo SARS-CoV-2 entre cidades como links, estimados a partir de dados reais de infectados em cada município do país por meio de algoritmos de aprendizado de máquina e de análise de redes complexas. Do Governo de SP

 

NA REGIÃO

 

Confira, abaixo, o número de casos e mortes provocadas pela doença nos 45 municípios:

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