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DA REDAÇÃO – SÃO PAULO

“O gengibre é desintoxicante, muito utilizado na melhora de problemas nas vias respiratórias, além de possuir o gingerol, potente termogênico que ajuda na elevação da atividade metabólica. Essa raiz pode ser acrescentada a sucos, chás, bolos, biscoitos, molhos e diversas outras preparações culinárias, proporcionando mais sabor e maior valor nutricional”, é o que ensina Sizele Rodrigues dos Santos, nutricionista da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, lotada na Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro/SAA). Produtores da região de Tapiraí e Piedade, na região de Sorocaba, e de Ubatuba, no Litoral Norte, também descobriram que o gengibre pode ser também uma fonte de renda para produtores rurais.

Com mercado cada vez maior, por seu uso em várias preparações culinárias, o gengibre paulista deve voltar a ser exportado de forma mais significativa, segundo Ivanete Borba, presidente da Associação Rural Comunitária de Promoção Humana e Proteção à Natureza, que congrega um grupo de 19 associados, todos familiares, que se dedicam ao cultivo do Zingiberofficinale Roscoe, planta originária da Índia e China e que se disseminou pelo mundo, principalmente em países de clima tropical.

A Associação é sediada em Tapiraí, município que detém a marca de maior produtor de gengibre no Estado de São Paulo (51% da produção estadual), seguido pelo município de Piedade (34% da produção estadual), ambos da área de atuação da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) Regional Sorocaba. Segundo a presidente, que está há quatro anos à frente da organização, é a transição para o sistema orgânico de cultivo e a exportação.

Entre as vantagens do gengibre está a sua capacidade de ‘ficar no chão’ esperando um melhor momento para a comercialização. “Vamos fazendo a colheita de forma escalonada, leva de seis meses a um ano para colher, com início em maio até novembro”, conta Ivanete, que é produtora de gengibre, inhame e olerícolas em geral, na Serra de Paranapiacaba, onde está situada a maior região produtora de gengibre no Estado (70 toneladas anuais). Cada produtor da Associação destina, em média, 1,5ha da propriedade para o cultivo de gengibre, sempre aliado a outras culturas. “O gengibre é uma poupança guardada embaixo da terra”, ensina a produtora, portanto, uma boa alternativa, já que há bastante mercado devido às suas qualidades para a saúde e ao uso disseminado em várias preparações culinárias.

O ponto alto da safra é em julho, mas já começam a colher o rizoma a partir de março. “Conforme se acumulam sólidos solúveis, o gengibre vai atingindo a maturidade fisiológica, com isso passa a ter maior valor no mercado e maior tempo de prateleira”, ensina Mainine. Nesta época do ano, de festas juninas (mesmo que em casa), o gengibre costuma ser bastante lembrado por ser utilizado no preparo do quentão, nos chás de inverno e também por favorecer a imunidade em tempo de gripes, resfriados e, este ano em especial, de Covid-19.

As folhas da planta também passaram a ser utilizadas na alimentação como Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC), um outro nicho de mercado que vem se abrindo e que permite o uso integral da planta, parte aérea e caule.


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