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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

Representantes de entidades ligadas ao comércio de Araçatuba lamentaram a regressão da região para a fase 1 (vermelha) da flexibilização da economia. O anúncio foi feito pela equipe do governador João Dória (PSDB) na tarde da última sexta-feira e levou em conta o aumento significativo de casos de coronavírus na região. Segundo números apresentados, o aumento foi de 173% em uma semana.

Para o presidente do Sincomércio, o Sindicado do Comércio Varejista de Araçatuba, Gener Silva, o fechamento do comércio na cidade pode provocar um “colapso social”. O dirigente do sindicato patronal afirmou que recebeu com tristeza a informação na última sexta-feira. “Notícia péssima, quando a gente pensa que está tudo caminhando para a normalidade, vem essa condição de retração econômica”, disse o dirigente, que chegou a dizer em entrevista ao jornal O LIBERAL REGIONAL na última semana que esperava que, em no máximo 60 dias, o comércio voltasse a funcionar em horário normal.

“Eu sempre fui a favor de que primeiro tem que estar a saúde física, depois a saúde financeira. Isso pode causar um colapso social. Só não é um colapso total porque não é por um prazo indeterminado, mas ainda sim isso causa um desequilíbrio financeiro”, continuou Silva.

Gener Silva crê que o setor não terá como evitar a diminuição de vagas de trabalho. Segundo ele, empresários do setor estão perdidos sobre o que fazer com a situação. “Alguns gerentes de loja e comerciantes ligaram pra mim, estão desesperados, isso vai gerar mais desemprego, retração econômica, vai causar um mal-estar social terrível”, completou o presidente do Sincomércio.

Campanha pelo distanciamento

Já para o diretor da Associação Comercial e Industrial de Araçatuba, Nei Ferracioli, é necessário fazer uma campanha para que a população respeite o distanciamento social e tome as medidas necessárias de higiene para que os estabelecimentos comerciais da cidade voltem a abrir.

Para ele, o prejuízo é total com mais um fechamento da economia no município. “Infelizmente é um prejuízo mais uma vez para os empresários, para os funcionários e também para o consumidor, porque o comércio estando fechado ele não pode fazer suas compras. Infelizmente o aumento da doença, que foi muito, infelizmente muitas pessoas não respeitaram o distanciamento, o uso de máscaras, não evitando aglomerações”, disse Ferracioli.

O dirigente da ACIA crê que as aglomerações em outros horários, principalmente aos finais de semana, ajudaram a contribuir para o aumento de casos, que consequentemente prejudicará a economia a partir de agora. “Mas aconteceu, voltamos pro vermelho, vamos ter que fazer uma campanha para respeitar distanciamento, evitar aglomerações, fazer o uso da máscara, e pedir que o comércio volte a abrir o mais rápido possível, porque tá muito difícil pro comerciante ter que ficar arcando com os prejuízos, infelizmente aconteceu o que nós não queríamos”, afirmou.

Ferracioli voltou a lembrar que a quantidade de pessoas no calçadão no momento de abertura das lojas poderia ter sido evitada com um horário mais prolongado de funcionamento dos estabelecimentos comerciais. “A ACIA desde o início foi a favor de um horário mais amplo para evitar as aglomerações. Sempre fomos a favor do comércio aberto das 9h às 16h ou das 9h às 17h, para que evite as aglomerações em horários muito restritos, porque 4 horas foi muito pouco”, completou.

Por fim, Nei Ferracioli afirmou que a entidade lutará pela reabertura das lojas. “A ACIA quer ver um comércio atuante, aberto, funcionando. Agora é aguardar, mas vamos lutar incansavelmente para que o nosso comércio volte a reabrir o mais rápido possível”, completou.

“Sensato”

Para o presidente da ALCA, Associação dos Lojistas do Calçadão de Araçatuba, César Braga, a notícia do fechamento das lojas e da morte do prefeito de Santo Antônio do Aracanguá, Rodrigo Santana, ambas na última sexta-feira, foram dois baques para ele.

Segundo Braga, o fechamento neste momento das lojas é sensato, já que segundo ele, a morte de Santana o assustou pela jovialidade e por ser alguém de seu convívio. “Estão morrendo rostinhos que a gente conhece. Isso é chocante, você vai perdendo pessoas com um pouco mais de idade, outras mais novas. Chegou no interior, estávamos vendo muito na televisão, e agora estamos vivenciando isso”, afirmou.

O dirigente crê que precisa haver um equilíbrio entre a saúde e a economia. “Tem que haver um bom senso. A pandemia é uma realidade. É um vírus que não tem cura. A economia é um outro grande problema. A gente tem que caminhar cuidando das duas coisas. No momento, o fechamento vem com muita sensatez”, completou.

27 dias aberto

Desde o dia 1º de junho até este sábado, dia 27, Araçatuba estava na fase 2 (laranja), denominada “controle”, com comércio, shoppings centers e serviços podendo funcionar até 4 horas por dia com 20% da capacidade de público nos estabelecimentos. Antes disso, as lojas permaneceram fechadas entre o dia 24 de março até o dia 31 de maio, com a quarentena total decretada no estado pelo governador João Dória.

A movimentação nas duas primeiras semanas surpreendeu até os mais otimistas. Com as lojas funcionando das 10h às 14h, os principais corredores comerciais de Araçatuba receberam uma quantidade grande de público. Os estabelecimentos organizaram filas com distanciamento do lado de fora para evitar que muitas pessoas entrassem nas lojas ao mesmo tempo. Ambulantes voltaram a vender seus produtos no local, incluindo entre alimentos e roupas, as tão utilizadas máscaras entre os itens de venda.

Já nos shoppings da cidade, que passaram a funcionar das 16h às 20h, as vendas superaram as expectativas. Segundo Bruna Evangelista, gerente de marketing do shopping Praça Nova, mesmo com apenas 4 horas de funcionamento, o centro de compras estava registrando vendas equivalentes a um dia completo de trabalho.

Com a grande concentração de pessoas, principalmente no Calçadão, houve uma mudança de horário na abertura das lojas de rua a partir da terceira semana, com os estabelecimentos passando a abrir das 14h às 18h, para fugir do horário de atendimento das agências bancárias. Mesmo assim, o público consumidor das lojas seguiu satisfatório.


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