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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Num momento desafiador para a comunidade estudantil, em que, da noite para o dia, viu-se obrigada a adotar um modelo nunca (ou quase nunca) antes utilizado para dar prosseguimento ao ano letivo, escolas públicas da Região de Araçatuba têm se destacado no enfrentamento a um antigo problema que assola o ambiente escolar: a prática do bullying.

Em tempo de aulas remotas, uma necessidade imposta a instituições de ensino para cumprir as medidas de isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus, evitar o chamado “cyberbullying” tem sido motivo projetos pedagógicos com resultados satisfatórios.

Em Guararapes, na Escola Estadual João Arruda Brasil, o cyberbullying foi trabalhado com alunos do 9° ano do ensino fundamental e do 3º do ensino médio.

Em ambas as séries, o trabalho ocorreu na disciplina de Tecnologia e Inovação. Por meio da leitura de textos, de tirinhas e de respostas a um questionário no Google Forms, os estudantes refletiram e repensaram atitudes ao se questionarem: “E se fosse comigo?”

Já em Valparaíso, a equipe gestora da Escola Estadual Prof. David Golia trabalha com a conscientização do uso produtivo de ambientes virtuais. Por causa dessas ações de prevenção, afirma não ter registros de cyberbullying entre os alunos da instituição.

Uma das mais tradicionais escolas estudais de Araçatuba também foi destaque na ação. O combate ao cyberbullying foi o mote de trabalho desenvolvido pelos estudantes da Escola Estadual Dr. Clóvis de Arruda Campos, o “Paraisão”, que criaram um projeto com o objetivo de sensibilizar os próprios alunos sobre a importância do uso responsável das redes sociais.

PLANO ESTADUAL

Todas estas iniciativas não foram isoladas. Por causa do maior uso do ambiente virtual, em virtude da quarentena, a Secretaria Estadual da Educação de São Paulo solicitou que as escolas da rede propusessem que os estudantes desenvolvessem trabalhos de combate ao cyberbullying – modalidade de bullying praticada na internet.

De acordo com a secretaria, a atividade integra o Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva SP), criado no ano passado para que toda escola seja um ambiente de aprendizagem solidário, colaborativo, acolhedor e seguro, na busca da melhoria da aprendizagem.

“As ações de combate ao cyberbullying preveem ainda desenvolver ética virtual e melhoria da convivência digital entre a comunidade escolar. Para abordar o tema os alunos produziram vídeos, cartazes e rodas virtuais de conversas”, diz a pasta, em material divulgado sobre o projeto.

No texto, os trabalhos realizados naquelas três escolas da região são citados.

Para tratar de temas que envolvam a ética virtual e a melhoria da convivência digital, a Seduc, por meio do Conviva SP, ofereceu palestras com especialistas em videoconferências transmitidas pelo Centro de Mídias SP. A Secretaria desenvolveu formação específica para os educadores acerca do tema, disponibilizado material de apoio.

 

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RETRANCA

 

Estudo sobre casos de violência nas escolas estaduais paulistas divulgado em dezembro do ano passado mostra que situações de bullying e discriminação aumentaram entre alunos e professores no Estado. A pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva, a pedido da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, indica que cresceu o percentual de estudantes e professores que declararam ter sofrido algum tipo de violência dentro do estabelecimento de ensino.

De acordo com o levantamento, em 2019, 22% dos alunos e 16% do corpo docente relataram situações de bullying e discriminação dentro das escolas. Segundo a entidade, em 2017, o índice era de 13% e 8%, respectivamente. A pesquisa mostrou ainda que 38% dos estudantes e 34% dos professores já foi discriminado ou sofreu bullying por expor alguma opinião ou ideia.

Em relação ao índice de estudantes e professores que declarou ter sofrido algum tipo de violência dentro da escola, os números mostram uma oscilação. Entre os alunos, caiu de 39%, em 2017, para 37%, em 2019. Já o de professores saltou de 51% para 54%, no mesmo período.

Conforme o levantamento, as situações mais frequentes de violência nas escolas estaduais entre professores envolveram Agressão Verbal (83%), Bullying (70%), Agressão Física (53%) e Vandalismo (56%).


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