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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

Após quase um mês de reabertura da economia, a região de Araçatuba regrediu na classificação do Plano São Paulo, do governo do estado, e saiu da fase 2 (laranja) para a fase 1 (vermelha). Com isso, a partir da próxima semana, apenas os serviços essenciais poderão permanecer abertos nas cidades da região. Comércio, shoppings e serviços terão de ser fechados novamente. O anúncio foi feito pela secretária de desenvolvimento econômico do estado, Patrícia Ellen, em coletiva de imprensa no início da tarde de ontem, no Palácio dos Bandeirantes, ao lado do governador João Dória (PSDB).

Esta foi a quarta atualização do painel de fases da retomada econômica do Plano São Paulo. Nela, o governador anunciou também a prorrogação da quarentena em todo o estado de São Paulo até o dia 14 de julho. “O sexto período da quarentena começa no dia 29 de junho e vai até 14 de julho. Estamos completando 100 dias de quarentena em 1º de julho. E o novo mapa do Plano São Paulo continua sendo uma ferramenta técnica muito importante para planejamento e execução de todo o combate à pandemia no estado”, afirmou Doria. “O Plano SP completa 30 dias na próxima terça (30) e vem seguindo seu curso com sucesso e credibilidade”, acrescentou.

Além de Araçatuba, outras 8 regiões do estado também estão na fase vermelha, com restrição total e abertura apenas de serviços essenciais como supermercados e farmácias: Marília, Presidente Prudente, Bauru, Sorocaba, Registro, Franca, Ribeirão Preto e Piracicaba.

A região de Barretos, que estava na fase vermelha, avançou para a fase laranja, e se junta a São José do Rio Preto, Araraquara, São João da Boa Vista, Campinas, Taubaté, Baixada Santista, além das sub-regiões da grande São Paulo do Alto do Tietê, Franco da Rocha e Osasco. Esta fase, denominada “controle” pelo governo permite a abertura por até 4 horas de comércio, shoppings e serviços, com restrições de atendimento.

Capital Paulista

A diminuição na variação de casos, óbitos e internações fez com que a cidade de São Paulo avançasse para a fase 3, a chamada fase amarela, da reabertura. Além da Capital, a região do ABC Paulista e de Taboão da Serra também avançaram da segunda para a terceira fase.

Nestes locais, comércio, shopping e serviços poderão passar de 4 para 6 horas de funcionamento, e os estabelecimentos poderão aumentar a frequência de atendimento de 20% para até 40% da capacidade prevista em alvará de funcionamento. Além disso, bares e restaurantes poderão voltar a atender o público para consumo no local, desde que seja ao ar livre. Salões de beleza também passam a poder atender com restrições.

Apesar do avanço, a orientação foi para que a abertura de bares, restaurantes e salões de beleza na Capital Paulista e Grande São Paulo ocorram apenas a partir do dia 6 de julho.

Aumento de casos

Apesar de ter tido uma variação de internações positiva de 23%, o crescimento de casos na região de Araçatuba foi o grande vilão da regressão da abertura do comércio, de acordo com os dados apresentados pelo estado na tarde de ontem.

De acordo com o painel mostrado na coletiva, a região de Araçatuba teve um aumento expressivo de 173% nos casos confirmados de covid-19 na última semana.

Na última avaliação apresentada pelo governo, no dia 18 de julho, a região de Araçatuba havia apresentado queda de 10% no aumento de casos em uma semana.

Quanto à ocupação de leitos de UTI, a região de Araçatuba passou de 39% em 18 de junho para 47,2% na avaliação de ontem, o que é considerado um número satisfatório.

Os números de leitos para tratamento de covid-19 para cada 100 mil habitantes subiu de 9,4 para 10,5 na região em uma semana.

“Festinhas e churrasquinhos”

Em entrevista coletiva na tarde de ontem, o prefeito de Araçatuba, Dilador Borges (PSDB), culpou o que ele chamou de “festinhas e churrasquinhos” o fato de o município estar novamente na fase mais rígida da quarentena.

O chefe do executivo araçatubense afirmou que já esperava a regressão da região nesta avaliação. “Eu tinha uma insegurança muito grande na decisão anterior, ficamos mais 15 dias, mas não nos sustentamos”, afirmou.

Ele continuou. “Será que a culpa foi de quem trabalha? Será que se nós não tivéssemos ido pra praça, será que nós não teríamos dado nossa contribuição?”

Ao criticar as confraternizações, Dilador falou da morte do prefeito de Santo Antônio do Aracanguá, Rodrigo Santana. “Eu vejo alguns jovens achando que essa doença só mata velho. Meu amigo Rodrigo foi embora com 35 anos. Será que essa festinha, esse churrasquinho, será que você não está pondo em risco o seu pai, a sua mãe?”

Ao responder perguntas dos jornalistas, o prefeito afirmou que não tem como fiscalizar o direito de ir e vir dos araçatubenses, mas não descartou a possibilidade de fazer “toque de recolher” noturno, caso seja orientado pelo comitê de saúde. “O direito de ir e vir você não pode cercear! Não posso impedir as pessoas de entrar na cidade, de transitar na rua. Temos que trabalhar a consciência das pessoas. A questão de praça, campo de futebol, estamos de olho e o Ministério Público está de olho”, disse.

Sobre a possibilidade do toque de recolher, Dilador disse que será obediente às orientações. “Aqui quem me orienta é o comitê de saúde, não é a vontade do prefeito. Essa questão eu sou obediente ao comitê, eles são especialistas em saúde, assim como no planejamento eu tenho os engenheiros. Se eles acharem que tem que fazer, eu não tenho dúvida que farei”, completou.

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