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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

Após o caso de injúria racial e agressão relatado pela produtora cultural Flávia Nascimento dos Santos, de 23 anos, ocorrido na última terça-feira, manifestantes protestaram na frente do supermercado Coopbanc, localizado na rua Humaitá, no Jardim Sumaré, em Araçatuba. Com vários cartazes em mãos e gritando palavras de ordem, cerca de 100 pessoas, de acordo com estimativas da Polícia Militar, participaram do movimento ocorrido no final da manhã de ontem. Policiais militares e a Guarda Civil Municipal interditaram o trecho da rua em frente ao supermercado e orientaram o trânsito no local enquanto ocorria o protesto.

A concentração dos manifestantes ocorreu em frente ao Colégio Salesiano, na rua Cussy de Almeida Júnior. Com Flávia dos Santos presente, organizadores do manifesto pediram para que os presentes utilizassem máscaras e se organizassem em fila para evitar aglomeração. Após a formação das filas, por volta das 10h da manhã, os manifestantes se encaminharam para a frente do supermercado. Com cartazes como frases como “Vidas Negras Importam”, “Mais Amor”, “Pré-Conceito Não”, “Racismo é crime”, dentre outras, os participantes do protesto gritavam palavras de ordem como “Racistas Não Passarão”, dentre várias outras relacionadas ao fato ocorrido.

Todo manifesto ocorreu de forma pacífica e não houve registro de nenhum incidente por parte dos policiais militares. O momento de maior atenção foi já na parte final, quando manifestantes cobraram a direção do supermercado por uma retratação pessoal naquele momento, porém ninguém da empresa conversou com os manifestantes.

A Polícia Militar precisou interditar o trânsito em trecho da rua Humaitá, que fica em frente à Coopbanc, entre as ruas Cussy de Almeida e Cristiano Olsen, onde os manifestantes se concentraram. Segundo a PM, por volta de 100 pessoas participaram do protesto.

Vítima diz que foi enforcada por funcionário

A reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL ouviu Flávia Nascimento dos Santos, que participou do ato. Ela confirmou a versão contada em suas redes sociais, dizendo que foi seguida por um segurança do supermercado e logo depois agredida por outro funcionário do local. “Já frequento esse mercado há alguns anos e não é a primeira vez que acontece atitudes dessa forma. Desta vez aconteceu de uma forma extrema, constrangedora, privando meu ir e vir”, reclamou Flávia.

Ela continuou explicando mais uma vez como se deu o fato. “Eu fiz um teste para ter certeza se ele estava me seguindo, eu fui até o outro lado do supermercado e foi constatado, porque assim que eu cheguei ao outro extremo ele já chegou logo em seguida. Em nenhum momento ele teve abordagem solícita, me tratou como ninguém, como lixo, como se eu fosse uma criminosa. Falei que isso era racismo e ele disse ‘Vocês são uns frustrados, tudo agora é racismo’”, relatou.

Ao chamar a gerência, Flávia afirma que foi agredida pelo funcionário. “Pedi pra que chamasse a gerência, a gerência chegou, tratando da mesma forma, dizendo que era procedimento da loja, em nenhum momento ele mostrou estar ao meu lado, muito pelo contrário. Ele disse que se o mercado não me convém, se não era pra mim, era pra eu caçar o meu rumo e ir embora, eu empurrei meu carrinho e ele disse que por isso que pessoas como eu eram seguidas dentro do mercado. Logo em seguida me enforcou e só soltou por conta de outras pessoas, pra mim isso não tem outra característica a não ser de cunho racista”, contou Flávia.

Advogado confirma uso de “força desproporcional” e confirma afastamento do colaborador

O advogado da Coopbanc, André Martinelli esteve presente no local e atendeu à imprensa, falando pela direção do supermercado, que não quis dar entrevista. Ele confirmou que o funcionário agiu com “força desproporcional” contra Flávia e justificou dizendo que ela jogou o carrinho de compras em cima dele. “Houve um uso desproporcional de força após ela derrubar o carrinho em cima do funcionário, jogou o carrinho pra cima do funcionário, ele em um ato impensado, que nós não concordamos, ele realmente… Vocês vão ter acesso posteriormente às imagens através da Polícia Civil e do Judiciário, mas não houve enforcamento, ele empurrou ela pelo pescoço, isso realmente aconteceu, mas as palavras são muito diferente das imagens”, disse o advogado.

Martinelli confirma que o funcionário não foi demitido “por enquanto”, porém está afastado de suas funções no estabelecimento. “É um funcionário de mais de 20 anos de empresa, tem família, um ótimo relacionamento, nunca teve histórico nenhum. Ocorreu um ato impensado, um excesso de força depois de muita provocação da cliente. Não foi uma coisa deliberada, ele reagiu quando ela virou o carrinho de supermercado”, defendeu.

O advogado ainda disse que a Coopbanc não compactua com nenhum tipo de preconceito. “Nós não concordamos de forma nenhuma com qualquer tipo de racismo, de preconceito, nós temos mais de 60 funcionários negros, temos funcionários homossexuais. Se for racismo, quem vai apurar vai ser a Polícia Civil e o Ministério Público, e se o funcionário cometeu o crime de racismo vai ser responsabilizado por isso”, concluiu.

As imagens das câmeras de segurança da Coopbanc foram solicitadas pela Delegacia de Defesa da Mulher, que investiga o caso.


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