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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

A proposta do “Trem da Alegria” do prefeito Dilador Borges (PSDB) que pretende criar 83 cargos efetivos na administração pública e que será votado pela Câmara Municipal em sessão virtual na próxima terça-feira, continua repercutindo mal entre os araçatubenses.

No último sábado, a Clube FM 96,3 MHz Araçatuba, realizou uma enquete durante a programação matutina da emissora e todos os ouvintes que participaram foram contra a proposta. Em programa comandado pelo apresentador Denilson Vital, o Nilsino Crew, e Omar Abdalla, muitos ouvintes participaram e manifestaram sua indignação com a proposta. Foram centenas de participações. Devido ao horário do programa, nem todas manifestações foram ao ar. A reação por parte da população foi surpreendente e até em clima de revolta.

Embora alguns dos que se manifestado tenham se identificado, nesta reportagem será apresentado apenas o primeiro nome das pessoas que deram a sua opinião, como uma forma de preservação. Devido ao elevado número de participações, o jornal O LIBERAL REGIONAL traz algumas delas.

“Na próxima eleição ele não vai ter meu voto”

Para o ouvinte Marcelo, por exemplo, esta atitude de tentar aumentar a máquina pública em plena pandemia de covid-19 demonstra que o prefeito Dilador Borges não tem condições de governar a cidade. “Eu aprendi que o prefeito acha que, como administrador de empresas, tem a capacidade de administrar uma cidade, e no fundo no fundo, não tem. Ele achou que administrar uma comunidade era igual administrar as empresas que ele tem. Todo o projeto que ele criou na campanha, que ele disse que ia fazer, ele pouco cumpriu. A gente vai aprendendo quais são as pessoas que estão lá pra nos representar e ele mostrou mais uma vez que não tem a condição, a habilidade, o conhecimento, a destreza, a simpatia do povo. Um cara que antes andava no meio do povo porque queria o voto, agora ele não vai para as comunidades, para os bairros. Na próxima eleição ele não vai ter o meu voto”, disse em áudio enviado via whatsapp para a programação.

“Não tem cabimento”

Maria também foi pelo mesmo caminho e lembrou-se da eleição municipal, que ocorrerá, por enquanto, em outubro. Ela não concorda com a criação de cargos e afirma que Dilador não terá o seu voto. “Não dá pra concordar com uma situação dessa. Não tem cabimento. Não cabe na cabeça de um cavalo essa situação. Se depender de um voto, que seja o meu para ele se reeleger, ele vai perder. Estamos em uma crise, tem tantas outras coisas mais importantes. Abrir vaga? Não, não tem condição, é até cômico isso”, disse.

“Piada”

Os ouvintes Hélio e Aguinaldo utilizaram a palavra “piada” para definir a iniciativa do chefe do executivo municipal. Hélio lembrou de outros problemas que Araçatuba atravessa e que seriam mais urgentes. “Uma cidade que as praças esportivas estão abandonadas, se você olhar os campos da cidade eles querem acabar com tudo. Nossa juventude está aí a mercê. Nosso bosque municipal está uma vergonha. Ele tinha que extinguir um monte de coisa e levar mais a sério o município que ele comanda. É uma piada, não aceito, é uma vergonha”, comentou.

Já Aguinaldo sugeriu que Dilador diminua o próprio salário e dos servidores. “Eu acho que no momento que nós estamos atravessando com essa pandemia, parece até uma piada, se falasse assim pra outros talvez a pessoa nem acreditaria, eu acho isso o fim do mundo. Eles tinham que pensar em reduzir o salário deles e tentar fazer alguma coisa para aquelas pessoas menos favorecidas, porque a coisa ainda não acabou, vai longe isso ainda, eu acho que o momento é de economizar e não de gastar”, completou.

Ouvinte sugere contratações para a empresa de Dilador

Ricardo fez outra proposta ao prefeito Dilador e sugeriu que, além dos 83 novos funcionários para o poder público municipal, ele contrate também funcionários para a própria empresa. Dilador é proprietário de uma empresa que vende materiais para construção no município. “Eu faço uma proposta ao nobre prefeito. A quantidade de funcionários que ele contratar para a prefeitura, ele deve fazer o mesmo para as empresas dele. Porque fazer gracinha com o dinheiro alheio, é muito fácil”, sugeriu.

“Me aborrece muito, pois eu votei nele”

Jamil participou do programa e disse estar muito aborrecido, já que confiou seu voto ao prefeito Dilador nas eleições municipais de 2016. “Eu não concordo, é um momento difícil. É impossível que esse prefeito tenha essa intenção nesse momento. Me aborrece muito, pois eu votei nele”, afirmou sobre a proposta de contratações.

“Irresponsável”

Gilmar já citou o exemplo de sua empresa e afirmou que Dilador deveria remanejar funcionários do setor público para estes cargos, ao invés de contratar mais pessoas. “Eu achava que o Brasil estava vergonha, mas Araçatuba não fica atrás, eu não estou entendendo nada do que está acontecendo. Sabendo que está na condição de segurar custos. Eu tenho 6 funcionários, eu tive que dispensar, tive que fazer suspensão de contrato. Todo mundo está na incerteza, não sabe o que vai acontecer. Cliente que não tem como pagar. Aí vem esse prefeito irresponsável fazer isso. É simples, remaneja todo mundo que está no cargo. Qualquer empresa está fazendo isso hoje para segurar funcionários. Esse irresponsável tem que fazer isso. Eu já estou vendo que ele está em uma campanha política já. Isso é desagradável. A prefeitura depende de imposto, depende de receita, não tem receita, como é que vai contratar? Quer deixar um colapso em Araçatuba? Estou indignado com isso aí”, desabafou.

“Até uma criança de 9 anos sabe que o momento é de economizar”

Rosângela disse que se sente envergonhada com a atitude do poder executivo municipal nesta questão. “Sinceramente eu sinto vergonha por ele, porque até uma criança de 9 anos sabe agora que o momento é de economizar e não gastar. Então eu acho que o prefeito está enfiando os pés pelas mãos, fazendo coisa que no momento não se pode”, afirmou.

Proposta aumenta máquina pública

O prefeito Dilador Borges (PSDB) propôs a criação de 83 novos cargos efetivos na prefeitura em proposta que deve ser apreciada em regime de urgência pela Câmara Municipal, em sessão desta terça-feira.

A proposta vai contra o projeto de lei de ajuda financeira a estados e municípios que foi aprovado na semana passada no congresso e que prevê que, para que o aporte financeiro chegue, não pode haver aumento da máquina pública.

Conforme nota divulgada à imprensa na última sexta-feira, a prefeitura se defende afirmando que os novos cargos são necessários por conta do investimento em novas escolas e pela necessidade de melhoria nos serviços prestados.


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