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DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

Principais itens da cesta básica do brasileiro, o feijão e o arroz sofreram um considerável aumento nas últimas semanas nas prateleiras dos supermercados de Araçatuba e região, tornando ainda mais complicada a vida do consumidor.

Em pesquisa feita pela reportagem de O LIBERAL REGIONAL em um estabelecimento do município, foi constatado um significativo aumento de preço na marca mais popular de feijão encontrada no local.

Em maio de 2019, o preço do pacote com 1kg do produto podia ser encontrado a R$ 3,99 nas gôndolas. Em fevereiro de 2020, o produto seguia sendo vendido pelo mesmo preço. Porém, atualmente, três meses depois, o preço do mesmo pacote de feijão está sendo vendido por R$ 7,99, um aumento de praticamente 100% no preço.

Já uma marca popular de arroz, que em maio do ano passado tinha o pacote de 5kg sendo vendido a R$ 10,49, neste mesmo mês de 2020 está saindo por R$ 13,49, um aumento de 28,5%.

De acordo com um funcionário do estabelecimento que não quis ser identificado, o preço aumentou nas últimas semanas por conta dos fornecedores, que passaram a oferecer estes produtos com valores mais caros e, por isso, a loja teve que repassar para o consumidor.

Ele ainda afirmou que o supermercado trabalha com uma margem de lucro de cerca de 20% sobre os produtos e essa margem não mudou por conta da pandemia. “As vezes o cliente pensa que é culpa nossa. Não é. Nós temos nossa clientela, não temos o porquê aumentar nossa margem de lucro. Trabalhamos sempre com margem de 20, 22 por cento”, explicou ele, dizendo que geralmente os produtores avisam quando o preço de um produto vai aumentar, com isso a loja acaba comprando mais para poder vender o maior tempo possível com um preço mais baixo. “Se não fosse assim teria aumentado o preço bem antes”, concluiu.

Clima seco e diminuição na área de plantio são principais motivos para o aumento

Segundo o engenheiro agrônomo Jorge Hipólito, do Núcleo de Sementes da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura do Estado, ocorreu uma coincidência de fatores para o aumento do preço desses produtos acontecer de forma tão significativa. De acordo com ele, a falta de chuvas na região sul do país e parte da região sudeste, próximo à cidade de Avaré (SP), afetou a produção destes grãos, além da preferência por outros grãos. “Foi uma coincidência de alguns fatores, a seca que afetou a região sul do país acabou prejudicando a produção. Estes produtos que abastecem essa época do ano vêm de lá e o local foi muito afetado pelas condições climáticas”, analisou.

Jorge Hipólito também lembrou que os produtores diminuíram a área de plantio destes dois grãos, dando preferência à soja e ao milho, pelo fato de serem commodities, o que dá maior segurança ao produtor pela estabilidade no preço, gerido pelo mercado mundial. No caso do arroz e do feijão, a produção é para o mercado interno, que sofre muita variação conforme à demanda. “É uma cultura muito volátil em termos de preço, hoje o feijão, por exemplo, está sendo vendido a R$ 340, R$ 350 em São Paulo, mas amanhã pode estar em R$ 100, e isso desanima o produtor. Como milho e soja são commodities eles acabam plantando mais. Além disso, o custo de produção é mais alto para os produtos da cesta básica, isso também é um fator que contribui para a diminuição da área de plantio”, explicou o engenheiro agrônomo.

Preços podem demorar até dois meses para baixar

O responsável pelo Núcleo de Sementes da CATI avalia que o preço destes produtos devem começar a apresentar uma tendência de queda em até 60 dias.

Isso deverá ocorrer porque as próximas levas de feijão, que vêm do Centro-Oeste e de regiões do Sudeste do Brasil devem fazer com que a oferta do produto aumente, baixando seu preço para o consumidor final. “A tendência nos próximos 60 dias é de abaixar, os produtos que veremos nas prateleiras nas próximas semanas são de Goiás, Minas Gerais, parte de São Paulo ali na região de Ribeirão Preto, começam a produção a produção neste período e os preços devem começar a assentar, a baixar”, analisou o especialista.


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