Home Cidades Araçatuba Desdobramentos da operação #tudonosso são confirmados por advogados

Desdobramentos da operação #tudonosso são confirmados por advogados

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DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

A reportagem de O Liberal Regional ouviu nos últimos dias advogados de pessoas que se tornaram alvos da Operação #Tudonosso, da Polícia Federal, que desmontou organização criminosa que atuava em contratos firmados nos últimos anos pela Prefeitura de Araçatuba. De forma reservada, estes profissionais confirmaram desdobramentos do caso até o momento, conforme apoio apurado pela reportagem. A maioria dos profissionais ouvidos aceitou falar sobre o caso mediante compromisso da reportagem para que tivessem seus nomes preservados.

De acordo com estes profissionais,  o inquérito policial teve o seu sigilo levantado para defensores das partes investigadas e que materiais apreendidos em celulares, HDs e documentos físicos analisados pela Polícia Federal levaram a nomes que tinham grande importância na administração municipal.

Desses materiais surgiram os nomes do ex-secretário da Fazenda, Josué Cardoso de Lima, que era quem cuidava dos pagamentos feitos pela Prefeitura de Araçatuba a empresas e instituto contratados pela administração do prefeito Dilador Borges (PSDB) e da vice Edna Flor (Cidadania). Ele foi ouvido pela Polícia Federal e, de acordo com advogados que atuam no caso, corre o risco de ser indiciado por uma eventual participação ou colaboração com o esquema.  Os advogados falam sobre a ex-secretária de Assistência Social, Maria Cristina Domingues, que passou a ser investigada nos últimos meses. Na avaliação dos advogados ouvidos e preservados pela reportagem, de todo material analisado devem ter sido encontradas conversas por meio de aplicativos que colocaram os ex-ocupantes de cargos no primeiro escalão do governo “Dilaflor” na mira da PF.

Ex-secretário de Assuntos Jurídicos da Prefeitura de Araçatuba e defensor do prefeito Dilador Borges e da vice-prefeita Edna Flor no caso, assim como de Maria Cristina, o advogado Ermenegildo Nava aceitou falar abertamente sobre os desdobramentos da #Tudonosso com a reportagem de O Liberal Regional. Nava disse, no início da conversa que teve com a reportagem, que não sabia de muita coisa sobre o inquérito. Como ex-delegado e ex-promotor de Justiça, ele demonstrou reservas ao tratar sobre o assunto. No entanto, confirmou ter conhecimento de que Josué Cardoso de Lima estaria agendados para falar prestar esclarecimentos à Polícia Federal. Nava disse que aguarda o relatório final da delegada que preside o inquérito. Ele disse que algumas perícias foram feitas por peritos de um núcleo da Polícia Federal em Presidente Prudente.

Do apoio político aos contratos suspeitos

Levantamento feito pela reportagem do O Liberal Regional em editais publicados pela Prefeitura de Araçatuba, sobre contratos da administração “Dilaflor” com empresas pertencentes a pessoas apontadas pela Polícia Federal como laranjas do sindicalista José Avelino Pereira, o Chinelo, indicam movimentações milionárias desde o início da atual gestão até o dia em que a Operação #Tudo Nosso foi deflagrada.

Como é de conhecimento popular, Chinelo e o partido por ele comandado em Araçatuba nas eleições de 2016, o PSB, apoiaram Dilador Borges e a vice Edna Flor durante as eleições. E logo no início do primeiro ano de mandato da dupla, em 2017, empresas ligadas ao sindicalista começaram a ser “contempladas” pelo governo municipal.

De forma emergencial, a empresa Bolívia Comércio de Materiais de Limpeza foi contratada no início do primeiro ano do atual governo para fazer a limpeza de escolas da rede municipal de ensino ao custo de R$ 3 milhões e por um período de apenas seis meses.

Como a empresa Bolívia mantinha vínculos com a Prefeitura de Araçatuba desde 2013, quando foi contratada para fazer a limpeza do prédio onde funciona a Prefeitura, Rodoviária, Funerária municipal e outras repartições, ao assumir o governo municipal, Dilador Borges manteve o contrato vigente, por meio de aditamentos, até dezembro de 2018, o rendeu mais R$ 2,1 milhões ao grupo de Chinelo.

Entretanto, foi na área da Assistência Social, comandada por Maria Cristina Domingues por indicação da vice-prefeita Edna Flor, que o grupo comandado pelo sindicalista mais obteve vantagens financeiras nas transações com a Prefeitura de Araçatuba.

No começo de 2018, a Prefeitura contratou o IVVH (Instituto de Valorização à Vida Humana) para fazer a gestão dos programas sociais do município. O primeiro contrato foi na casa dos R$ 8 milhões, por dez meses de atuação. No entanto, em dezembro do mesmo ano a parceria foi renovada, com despesa estimada em R$ 8,8 milhões para o ano de 2019.

Mesmo após a operação da Polícia Federal vir à tona, a Prefeitura continuou com contrato vigente com o IVVH. O município passou a pagar os funcionários diretamente. Somente neste ano é que a Prefeitura abriu procedimento de contratação de novas entidades para substituírem o instituto ligado ao grupo de Chinelo, apoiador político de Dilador e Edna.

Ainda sobre os contratos com o grupo criminoso, segundo entendimento da Polícia Federal, a Prefeitura, também em 2018, trocou a Bolívia Comércio de Materiais de Limpeza por uma outra empresa, pertencente a Igor Tiago Pereira, filho de Chinelo. Na ocasião, foi contratada a SEN Prestação de Serviços, ao custo de R$ 1.525.000,00.


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