Home Cidades Araçatuba Quarentena é prorrogada e população demonstra insatisfação e preocupação com o futuro

Quarentena é prorrogada e população demonstra insatisfação e preocupação com o futuro

14 minutos de leitura
Compartilhe esta notícia!

DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

O governador do estado de São Paulo, João Dória (PSDB), anunciou ontem, durante coletiva no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo (SP) a prorrogação da quarentena até o dia 10 de maio.

Portanto, até lá, o comércio seguirá fechado, enquanto bares e restaurantes só poderão atender pelo delivery ou presencialmente sem consumo no local.

Foi a segunda vez que o governo estadual prorrogou a quarentena, que está em vigor desde o dia 24 de março.

Ao justificar a prorrogação, Dória afirmou que para abrir o comércio é preciso controlar a pandemia. “Para reabrir o comércio e os serviços, nós precisamos controlar melhor a contaminação”, disse o chefe do executivo estadual.

Mesmo falando em controle da contaminação, Dória manteve a restrição nos 645 municípios paulistas, ainda que muitos tenham a situação controlada, como mostrou reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL na edição de ontem, 17 de abril, que trouxe um levantamento que mostra que 83% das cidades da área de cobertura do SRC, mais Lins e Promissão, não possuem casos confirmados da doença.

 

Dilador confirma que seguirá recomendação do estado

Enquanto várias cidades do interior paulista seguem o caminho da flexibilização, como é o caso de São José do Rio Preto, que publicou decreto na última quinta-feira permitindo o funcionamento de alguns setores específicos de comércio e serviços, em Araçatuba, a prefeitura segue alinhada com o governo estadual e não se mostra maleável à flexibilização, o que tem sido muito criticado pela população nas ruas.

Em conversa com a reportagem, o prefeito Dilador Borges garantiu que seguirá alinhado ao governo estadual. “Eu não posso passar por cima do decreto do governador. Mirandópolis tentou, Birigui tentou, você viu o que aconteceu”, afirmou o chefe do executivo municipal relembrando o insucesso nas tentativas de outros municípios de reabrir o comércio.

Ao ser perguntado sobre se pensa em algo para auxiliar economicamente o município neste período, o prefeito disse que não há condições financeiras para isso. “O grande caixa fica com a União, o município só fica com a merreca, então não tem como”, completou.

 

Araçatubenses discordam de prorrogação da quarentena e querem comércio aberto

Os moradores não concordam com a prorrogação da quarentena e com a postura da prefeitura municipal sobre o assunto segundo o que constatou a reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL, que foi às ruas na tarde de ontem questionar a população sobre a decisão do chefe do executivo estadual.

Não foi difícil encontrar pessoas nas ruas da área central de Araçatuba, afinal, a maioria dos entrevistados tinha a necessidade de estar por ali para trabalho ou para alguma compra essencial.

É o caso de Vagner Martiniano, de 39 anos, atendente de uma lanchonete que fica no Calçadão de Araçatuba e estava trabalhando quando atendeu a reportagem. Ele se mostrou insatisfeito com a decisão do governo estadual e acredita que a população precisa intervir nesta questão. “Eu não concordo com isso. Os idosos, que são o grupo de risco, são os que eu mais eu estou vendo na rua. Esses dias veio uma idosa aqui que perguntou se eu não tinha medo da doença, eu disse que sim, mas não tinha jeito, eu tinha que trabalhar, e ela disse que também tinha, mas ela mesmo não fica em casa”, disse ele.

O atendente ainda completou: “Sou a favor do isolamento vertical, para todo mundo poder trabalhar, cada um se cuidar, e as pessoas de risco ficarem em casa. Acho que a população tem que tomar uma atitude, senão não vai mudar isso (a quarentena)”, completou.

Já para o motorista Antônio César da Silva, de 54 anos, o ato do governo estadual soa como político e tem um alvo, o presidente da República. “Isso é politicagem, estão querendo jogar tudo nas costas do presidente Jair Bolsonaro”, disse.

Antônio se mostrou pessimista quanto à recuperação do comércio após este período de paralisação. “Vai ser difícil recuperar a economia depois disso, ninguém está comprando porque está todo mundo sem dinheiro, ninguém está vendendo, pra mim 2020 já acabou, é um ano perdido”, enfatizou.

As duas irmãs Valdenice Neves, de 57 anos, que é pensionista, e Maria José de Souza, de 51, que é auxiliar de limpeza, também responderam à reportagem e são contrárias ao fechamento do comércio. Ambas afirmam sentir falta das lojas abertas e do movimento. “Eu acho que poderia abrir, mas com todo mundo protegido, usando máscara, álcool gel, evitando aglomerações, daria pra abrir”, disse Valdenice.

Ela ainda demonstrou preocupação com outras doenças além do coronavírus, que segundo ela estão sendo esquecidas durante a pandemia. “Qualquer espirro agora já dizem que é coronavírus, nem te atendem direito no hospital. Enquanto isso tem a dengue aí que ninguém está lembrando mais”, completou.

Já Maria de Souza comentou que sente falta dos passeios que fazia no Shopping Praça Nova. “Eu moro lá do lado, e eu sempre andava por lá, fazia minhas compras, está muito ruim tudo fechado, tomara que abra logo”, afirmou.

A auxiliar de limpeza também demonstrou preocupação com o seu emprego. “Eu estou trabalhando em horário reduzido, nem sei quanto vou receber esse mês, vou ficar sabendo agora, podia voltar a funcionar tudo logo”, disse.

O colaborador de uma empresa de gás de Guararapes Adriano Silva, de 33 anos, levou sua esposa e filha para passear no centro de Araçatuba para aproveitar seu momento de folga no trabalho. Ele também respondeu à reportagem e disse que acredita que os pequenos empresários estão sendo os maiores prejudicados com a quarentena. “Principalmente o pequeno empresário, que depende da renda pra pagar suas contas, seus funcionários, vai prejudicar muito economicamente todo mundo, na verdade”, opinou.

Adriano acredita que o comércio teria condições de abrir com restrições. “Deveria funcionar sim, mas com controle de segurança, todo mundo seguindo as regras, não há necessidade de fechar tudo”, falou.

A balconista Alexia Vitória Ferreira, de 18 anos, trabalha em uma loja de conveniência que fica na rua Duque de Caxias, e afirma que a quarentena está prejudicando muito os negócios do estabelecimento onde trabalha. “Olha, na semana passada ainda tivemos um movimento razoável, porque o pessoal veio comprar ovos de Páscoa, porque estávamos vendendo, e com vários lugares fechados, mais gente veio aqui. Mas esta semana baixou pelo menos 70%”, contou.

De acordo com ela, a quarentena poderia ser flexibilizada para não prejudicar o estado economicamente. “Eu acho que está prejudicando muito, já teve várias doenças e ainda tem, muitas delas contagiosas, e não foi necessário nada disso. Acho que se todo mundo tomar o seu cuidado, dá para todo mundo trabalhar e se proteger numa boa”, concluiu.

A direção de um restaurante e lanchonete da Vila Mendonça, que suspendeu o atendimento nos 15 primeiros dias da quarentena, disse que arcou com o custo do primeiro mês, mas a partir da próxima semana vai suspender o contrato de trabalho dos funcionários. “Não tem outra saída”, lamentou o empresário, criticando o fechamento do comércio.


Compartilhe esta notícia!