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Araçatubense deixa Estados Unidos antes da ‘explosão’ de coronavírus

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DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

Um sonho realizado pela metade. Aos 17 anos, o estudante Eduardo Horta Sanchez, de Araçatuba, vivia sua primeira experiência internacional sozinho. Estava participando de um intercâmbio de jovens do Rotary Club. A previsão era permanecer nos Estados Unidos por um ano, mas ficou lá por oito meses. A volta teve que ser antecipada por causa do coronavírus.

Após a pandemia ter matado milhares de pessoas na China, Itália e Espanha, os país norte-americano se tornou o novo foco de preocupações das autoridades mundiais de saúde.

Somente até às 15h30 de ontem (horário de Brasília), Nova York registrava 630 mortes pela doença em 24 horas, superando todos os dias anteriores. No total, o estado, que recebe gente do mundo inteiro, tem 3.565 óbitos e 113.704 casos confirmados de covid-19.

Sanchez, por sua vez, estava na cidade de Highlands, a 30 quilômetros de Houston, no estado do Texas. Apesar de não ter ficado nos Estados Unidos no tempo previsto, sua viagem foi marcada por momentos inesquecíveis. Andou na neve. Teve a oportunidade de assistir a uma partida da NBA, a maior competição de basquete do mundo. Em fevereiro, participou da comemoração dos 115 anos do Rotary Internacional, em Houston. E guarda com carinho lembranças da família Teel, que o acolheu: o casal Bryan e Chrissa e os filhos Hunter e Trip.

SEMELHANÇA

Sanchez compara a situação da cidade Highlands, no último dia 23, quando saiu, à observada hoje em Araçatuba. Comércio fechado. Pessoas recolhidas em casa em quarentena. Esse era o cenário. Porém, diz o jovem, o número de casos ainda era pequeno. “Não tinha dado a explosão que está hoje”, frisa Sanchez. Ele ressalta que, quando foi embora, a família com a qual estava não escondia o pessimismo e a preocupação com a possibilidade de a quarentena se alongar, além de uma possível recessão na economia. “Mas o americano é muito preparado e precavido. Minha família já tinha tudo estocado”, diz ele.

Se, por um lado, a antecipação de seu retorno impediu sua presença no outro lado da América no momento mais nevrálgico da crise, por outro, evitou uma angústia para seus pais, Eduardo José Menegatti Sanchez e Ana Claudia de Souza Horta Sanchez. Entre os nove jovens de Araçatuba que viajaram para fora do Brasil pelo intercâmbio rotário, Sanchez e mais um foram os únicos que conseguiram voltar.

O intercâmbio do Rotary envia, atualmente, um estudante por clube. No caso de Araçatuba, são nove clubes. Foram, então, enviados oito intercambistas, sendo três para os Estados Unidos, dois para Taiwan e um para Alemanha, México e Argentina. Sanchez foi enviado pelo Rotary Club de Araçatuba Bandeirantes.

RETORNO

Ele conta que não teve dificuldades para acertar a sua volta. “Quando o Rotary de Houston me informou no dia 20 de março que, por precaução, devido ao coronavírus, iriam encerrar antecipadamente meu intercâmbio, consegui remarcar minha passagem para o dia 23/03, embora houvesse poucos voos. Teve pouco movimento nos aeroportos Houston e Guarulhos. Foi tranquilo”, relata Sanchez que, desde quando chegou a Araçatuba, está em quarentena, em sua casa.

Procurada pela reportagem, a Comissão de Intercâmbio do Distrito 4470 do Rotary, da qual Araçatuba faz parte, confirmou que estudantes voltaram ao Brasil por causa do encerramento do intercâmbio no distrito anfitrião em virtude do “momento ímpar em que estamos vivendo”. Por outro lado, houve intercambiários que retornaram por decisão de seus pais devido à atual situação. A instituição informou que o restante dos estudantes continua em intercâmbio normalmente, permanecendo em quarentena com suas famílias anfitriãs. A previsão é de que retornem até o final de junho.


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