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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Dois meses após rejeitar, em primeira votação, a redução de 17 para 15 no seu número de vereadores, a Câmara de Birigui promoveu uma verdadeira reviravolta na noite da última terça-feira. O enxugamento na quantidade de cadeiras da Casa foi aprovado em segunda e última votação, com apoio da maior parte dos parlamentares que, anteriormente, havia se posicionado contra a medida.

Mesmo com a aprovação, a mudança será válida para as eleições de 2024, conforme explicações da presidência do Legislativo. Ou seja, na eleição deste ano, será preenchida a atual quantidade de vagas.

A diminuição passou em plenário quase uma semana após o Legislativo ter ficado com sua imagem maculada pela operação policial que apontou envolvimento de vereadores em denúncias de irregularidades em contratos área da saúde. Desde quando o parlamento aumentou de 11 para 17 sua quantidade de membros, há nove anos, tornando-se a maior casa legislativa da região, vários foram os projetos apresentados com o objetivo de diminuir o quadro, mas nunca recebia aval da maioria dos legisladores.

Desta vez, o texto tinha como autoria o vereador Leandro Moreira (Republicanos) e foi apresentado em abril de 2019, há quase um ano. Se, na primeira votação, a matéria recebeu dez votos contrários e seis favoráveis, na segunda, 14 vereadores se posicionaram a favor e apenas três, contra.

Votaram a favor, além de Leandro Moreira, os seguintes parlamentares: Benedito Dafé (PV), Carla Protetora (PSD), Cesinha Pantarotto (Podemos), Fabiano Amadeu (Cidadania), Luiz Roberto Ferrari (DEM), Pastor Reginaldo (PTB), Clóvis Batista (PDT), Kal Barbosa (PSB), Odair da Monza (PSC), José Roberto Paquinha (MDB), Rogério Guilhen (PV), Vadão da Farmácia (PTB) e Zé Luis Buchalla (Patriota). Contrários foram: Andrey Servelatti (PSDB), Eduardo Dentista (PT) e o presidente da Casa, Felipe Barone (Cidadania).

Apesar da pressão que a Câmara tem sofrido desde quando vieram à tona as investigações policias, a maioria dos vereadores usou como argumento para justificar suas mudanças de votos o fato de que a redução proposta por Leandro é pequena e de que estavam “ouvindo a população”.

Assim, por exemplo, manifestou-se o vereador Vadão da Farmácia (PTB), ex-presidente da Câmara. “Há um pedido da população, então, vou seguir”, afirmou o petebista, que foi um dos principais alvos da operação policial. Na semana passada, a polícia cumpriu mandados em sua residência e também em seu gabinete no Legislativo..

CONTRADIÇÃO

Ferrari, que, na votação de dezembro, havia dito “honrar” os R$ 5,6 mil para defender o atual quadro, na terça-feira passada, afirmou que sempre defendeu um número menor de vereadores. O democrata disse que seu voto acompanhou a maioria que estava “conscientizada” de que 15 é a quantidade ideal. Por fim, afirmou que, com uma Câmara enxuta, espera uma cobrança menor por parte da população. “Que diminua mais para a gente parar de ser exigido, cobrado… Sou sempre favorável a um número menor de vereadores”, declarou.

Buchala, por sua vez, disse que mudou de opinião após ter refletido sobre o assunto e concluído que diminuir é melhor. Mas, não deixou de fazer seu protesto: “Em 2024, talvez, eu não esteja aqui. Vai diminuindo e vai caindo a representatividade das pessoas carentes. Com isso, aquelas pessoas que têm maior poder aquisitivo vão estar aqui. E vocês, pessoas carentes, sabem quem vai lembrar de vocês? Ninguém”.

Pastor Reginaldo – que, antes, havia citado o fato de a nova sede da Câmara ser construída com 19 gabinetes para justificar sua posição contrária – disse, agora, que seria melhor se a redução valesse já para a próxima legislatura.

 

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RETRANCA

 

Representatividade e economia geram divergências

 

Leandro defendeu o projeto de redução sob o argumento da necessidade de fazer economia nos cofres públicos. “Ouvindo a população, coloquei esse projeto com 15, que é um número não tão baixo e também vai trazer mais economia para o município”, disse o parlamentar do Republicanos, que, no entanto, não falou em valores. Mesmo com a redução, o duodécimo – nome dado ao repasse de recursos do orçamento municipal – não sofre alteração.

Paquinha, que não havia participado da votação em primeiro turno, disse que é difícil falar em contenção de despesas e representatividade. “Hoje, podemos dar o exemplo de respeitar a população. Só que o duodécimo que vem para a Câmara não muda em nada. Quem sabe também podemos servir de exemplo para o Congresso Nacional, que tem 513 deputados federais e consome um orçamento grande?”, finalizou o parlamentar, que votou a favor da redução do número de vereadores.


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