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DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

A araçatubense Milena Menezes Cornacini, tem atuado com destaque na carreira acadêmica, na coordenação do curso de Nutrição da Unip, como também em consultório, além aprofundar estudos em relação aos alimentos e as doenças, principalmente na prevenção do câncer. O foco de seu trabalho é em relação aos alimentos e as doenças e com isso vem contribuindo para a melhoria da qualidade de vida de pessoas que estão se submetendo a tratamentos.
Natural de Araçatuba, Milena Cornacini agraduou-se em Nutrição na Universidade Filadélfia de Londrina em 2000 e a partir daí iniciou uma carreira vitoriosa e inspiradora que começou com aprimoramento em Nutrição e Gastroenterologia pela Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp e em seguida o Mestrado e Doutorado em Nutrição e Fisiopatologia em clínica médica pela mesma instituição, onde até hoje mantém uma relação profissional estreita. Além de atender em consultório desde 2003 em Nutrição Clínica com ênfase em doenças crônicas e oncologia, atua há 15 anos na área acadêmica, como coordenadora e docente no curso de graduação em Nutrição da UNIP, Universidade Paulista, campus de Araçatuba.
Casada, mãe de dois filhos, ainda arruma tempo para dedicar-se a projetos pessoais como a Alcatéia Samurai, grupo escoteiro fundado em 2018 no Nipo (Associação Cultural Nipo Brasileira de Araçatuba). Conhecida pela competência profissional, muito respeitada e querida pelos professores e acadêmicos do curso, ela considera o conhecimento uma ferramenta transformadora. É pós-graduada em Nutrição Ortomolecular, em Nutrição Esportiva Funcional pela VP/Centro de Nutrição Funcional e no ano passado fez um curso de aprofundamento em Nutrição Funcional e Câncer. Este é um assunto que desperta o interesse da profissional, que escreveu um artigo para tratar da questão.
Estratégias nutricionais na prevenção do câncer
Profª Drª Milena C M Cornacini

O câncer é uma doença crônica que surge da proliferação e disseminação descontrolada de clones de células malignamente transformadas. Atualmente os dados epidemiológicos sobre o câncer são alarmantes. O INCA em 2018 publicou que o câncer é a segunda causa de morte no Brasil, atingindo mais de 200 mil pessoas ao ano; sendo que há 600 mil novos doentes por ano.
Outro dado preocupante é o alto impacto socioeconômico durante o tratamento destes pacientes, já que 60% deles têm diagnóstico já em estado avançado e necessitam de tratamento de alta complexidade. Poucas doenças apresentam tanto investimento público e privado como o câncer. O câncer consome, além da qualidade de vida dos afetados, também o montante de US$ 2 trilhões ao ano em gastos com tratamento, morte e invalidez, o equivalente a 1,5% do PIB mundial (Fórum Mundial de Oncologia – Davos). Em 2010 o Ministério da Saúde divulgou gasto de R$2,1 bilhões com recursos para cirurgias oncológicas, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e cuidados paliativos. Em 2015 esses gastos cresceram 66%, saltando para R$3,5 bilhões.
Em 2013 a UICC (União Internacional para Controle do Câncer) publicou a Declaração Mundial contra o Câncer, que tem como objetivo principal reduzir o número de mortes prematuras por câncer e melhorar a qualidade de vida e as taxas de sobrevida dos pacientes acometidos pela doença.
Até 2025 foram elencados 9 objetivos principais. O 3º objetivo é reduzir o consumo de tabaco e álcool, prevenir o sobrepeso e a obesidade, reduzir a ingestão de dietas não saudáveis e os níveis de inatividade física.
Além disso, o 5º objetivo é eliminar estigmas, mitos e falsas interpretações relacionadas ao câncer, como forma de melhorar o nível de informação da população leiga. Há extrema necessidade de combater fake news.
Há muitos fatores desencadeadores do câncer, dos quais se pode destacar os fatores não modificáveis (erros na replicação do DNA), parcialmente modificáveis (envelhecimento, susceptibilidade genética, reparos no DNA, hormônios, fatores de crescimento, inflamação, etc.) e modificáveis (radiação, carcinógenos químicos, estilo de vida como fumo, dieta inadequada e sedentarismo). A melhor notícia é que 1/3 dos casos de câncer são evitáveis através de mudanças no estilo de vida e nesta discussão vamos descrever a relevância da alimentação na prevenção do câncer.
Não há padrão dietético ideal estabelecido ao paciente oncológico, ressalta-se que as manobras nutricionais devam ser individualizadas. A regra é consumir alimentos variados e coloridos, a fim de garantir a ingestão de vitaminas, minerais, fibras e diferentes fitoquímicos, componentes ativos que no organismo atuam na prevenção do câncer, conforme exemplos descritos na tabela abaixo:

Info C1

O Fundo Mundial para Pesquisa em Câncer junto com o Instituto Americano para Pesquisa em Câncer, em 2018, publicaram um relatório sobre Alimentos, Nutrição e Prevenção de Câncer: uma perspectiva global, onde descreve-se recomendações alimentares e gerais para a prevenção do câncer.

1. Consuma alimentos com alta densidade energética raramente. Evite bebidas açucaradas. Consuma alimentos do tipo fast-food raramente ou nunca.
2. Consuma, pelo menos, cinco porções (no mínimo, 400 g) de hortaliças sem amido e de frutas variadas todos os dias. Consuma cereais (grãos) pouco processados e/ou leguminosas em todas as refeições. Limite alimentos processados (refinados) que contenham amido. Pessoas que consomem raízes e tubérculos ricos em amido como itens básicos da dieta também devem garantir uma ingestão suficiente de hortaliças sem amido, de frutas e leguminosas.
3. Pessoas que comem carne vermelha regularmente devem consumir menos de 500 g por semana, incluindo pouca ou nenhuma quantidade de carne processada.
4. Evite alimentos salgados ou preservados em sal; preserve os alimentos sem uso de sal. Limite o consumo de alimentos processados com adição de sal para assegurar uma ingestão de menos de 6g (2,4g de sódio) por dia. Não consuma cereais ou grãos mofados.
5. Suplementos nutricionais não são recomendados para a prevenção do câncer.
6. Se bebidas alcoólicas são consumidas, o consumo deve ser limitado a não mais do que dois drinques por dia, para homens e a um drinque por dia, para mulheres.
7. Ter como objetivo amamentar as crianças exclusivamente até seis meses e continuar com alimentação complementar, a partir de então.
8. Evite o ganho de peso e aumentos na circunferência da cintura ao longo da fase adulta.
9. Seja moderadamente ativo fisicamente, por no mínimo, 30 minutos todos os dias e evolua para 60 minutos ou mais, ou por 30 minutos ou mais, de atividade física vigorosa todos os dias.

Enfatiza-se que todos os sobreviventes de câncer devem receber assistência nutricional de um profissional apropriadamente treinado. Se for capaz de fazê-lo e, a não ser que aconselhado de outra maneira, tenha como objetivo o cumprimento das recomendações de alimentação, peso saudável e atividade física.
Referências Bibliográficas

1. <http://www1.inca.gov.br/inca/Arquivos/estimativa-2018.pdf&gt;
2. http://www.valor.com.br/brasil/3877160/cancer-consome-15-do-pib-global-e-e-tema-no-forum-http://www.valor.com.br/brasil/3877160/cancer-consome-15-do-pib-global-e-e-tema-no-forum-mundial
3. <https://www.uicc.org/&gt;
4. World Cancer Research Fund / American Institute for Cancer Research.
Food, Nutrition, Physical Activity, and the Prevention of Cancer: a Global Perspective. Washington DC: AICR, 2018


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