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VITOR MORETTI – ARAÇATUBA

A região de Araçatuba registrou aumento de 151,7% no número de aquisições de armas de fogo entre 2018 e 2019. É o número mais alto desde 2012, segundo o Sinarm (Sistema Nacional de Armas), da Polícia Federal. Vários fatores podem ser explicados, segundo os especialistas. Mas, o principal é a flexibilização do atual governo do presidente Jair Bolsonaro, que já instituiu oito decretos a respeito do tema.
A reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL esteve em uma loja de caça e pesca de Birigui. O proprietário, Rinaldo César disse que em 2018 vendia cerca de dez armas por mês. Hoje, ele comercializa até cem. “Devido à flexibilidade dos decretos do nosso presidente teve um aumento conceituado. Hoje, eu vendo até cem armas no mês. O cidadão de bem quer se precaver, então ele não se importa em fazer passo a passo de toda a documentação para poder ter uma arma”, afirmou o comerciante.
A posse de arma é para que o objeto fique somente dentro de casa, para segurança pessoal. Caso, a pessoa queira andar com algum tipo de arma nas ruas, teria que fazer todo o processo para ganhar autorização para o porte, que é mais difícil de ser aprovado, segundo os especialistas.
PROCESSO DE AUTORIZAÇÃO
A pessoa que der entrada na posse de arma de fogo vai enfrentar um longo processo até a autorização, que pode levar até dois meses. O próprio Rinaldo agiliza as documentações para os clientes. Primeiramente, o interessado tem que levar todos os documentos pessoais, comprovante de endereço fixo e carteira de trabalho.
Depois, o processo é formalizado junto à Polícia Federal. A partir de então, existem oito certidões a serem tiradas, principalmente a análise se a pessoa responde a algum tipo de processo, um minucioso exame psicológico e um laudo de 20 tiros para comprovar se o indivíduo está apto para atirar. No final, a pessoa deverá responder um questionário de 20 perguntas sobre segurança pública.

AUMENTO NA REGIÃO
A Polícia Federal de Araçatuba, responsável por atender outros 41 municípios de toda a região, registrou 428 pedidos de aquisição de armas de fogo somente no ano passado. O número é 151,7% maior do que o registrado em 2018, quando foram contabilizados 170 pedidos do tipo.
Esse é o maior dado estatístico desde 2012, segundo a Polícia Federal. O dado regional acompanha o nacional. No ano passado no Brasil houve crescimento de 48% em relação a 2018.
Para o especialista em segurança pública, José Roberto Sanches, um dos motivos que explica o aumento é a flexibilização do governo federal. Antes, para se ter a posse de arma de fogo era preciso justificar um motivo específico. Atualmente, isso não é mais preciso.
“Houve um efeito na comprovação da efetiva necessidade. Ou seja, hoje isso não é mais necessário. Portanto, a pessoa, se tiver sem antecedentes criminais, maior que 25 anos de idade e os demais requisitos, não precisa comprovar e pode adquirir até quatro armas de fogo”, informou Sanches.
Outra flexibilização foi em relação aos calibres permitidos aos civis. Atualmente, pistolas de calibre nove milímetros até 45 são liberadas para compra. Mas para o especialista, o brasileiro ainda não tem cultura de usar arma de fogo, por isso, o número de mortes violentas pode crescer, principalmente no caso dos homicídios, feminicídios e até suicídios.

“Existe uma pesquisa da Universidade de São Paulo que diz que 1% a mais de armas em circulação é o suficiente para aumentas 2%¨de mortes violentas. Ou seja, o Brasil que já tem registro de 60 mil mortes por ano, sendo 41 mil ocasionadas por armas, existe-se o risco de aumentar ainda mais”, finalizou.

AQUISIÇÕES DE ARMAS NA REGIÃO

2012 – 63
2013 – 81
2014 – 92
2015 – 55
2016 – 128
2017 – 202
2018 – 170
2019 – 428

Fonte: Polícia Federal

FOTO: ARMAS COMÉRCIO
REFLEXOS – Nessa loja de armas em Birigui, comerciante vende 100 armas por mês
CRÉDITO: DIVULGAÇÃO


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