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ARNON GOMES –  ARAÇATUBA

Hospitais públicos mantidos pelo governo estadual na região realizaram juntos, somente no primeiro semestre do ano passado, 261.673 procedimentos, entre consultas, tratamentos, cirurgias, exames e atendimentos ambulatoriais. O balanço foi divulgado ontem pelo TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo), que acaba de lançar o Painel da Saúde – ferramenta desenvolvida pelo órgão para mostrar um panorama da assistência hospitalar pública.
Os números regionais se referem aos serviços prestados nos hospitais Dr. Oswaldo Brandi Faria, em Mirandópolis; Padre João W. Braem, de Alto Alegre; e Prefeito Miguel Martin Gualda, localizado na cidade de Promissão.
Também pertencente ao Estado, o Cais Clemente Ferreira, de Lins, não tem esse tipo de produção ambulatorial. Trata-se de um serviço de assistência a pacientes neuropsiquiátricos, infantojuvenil e adulto, dependentes químicos menores de idade do sexo masculino, pacientes que necessitam de reabilitação com internação prolongada através da Unidade de Cuidados Prolongados (RUE).
De acordo com o levantamento, a maior parte dos procedimentos foi feita em Promissão, onde o hospital é considerado de pequeno porte. O hospital, que possui 45 leitos e 115 médicos que prestam assistência, realizou 193.151 procedimentos nos seis primeiros meses do ano passado.
O número está bem acima do que o registrado em Miradópolis, onde há a maior unidade hospitalar mantida pelo Estado na região, com 82 leitos e 135 médicos, sendo considerado de médio porte. No período, o hospital executou 57.725 atendimentos ambulatoriais. Lá, o Ministério Público está cobrando do Estado uma série de adequações (leia matéria abaixo, nesta página). Já a unidade hospitalar de Alto Alegre – a menor da região, com 22 leitos e 11 médicos – totalizou 10.797 procedimentos.
INTERNAÇÕES E MORTALIDADE
O balanço apresentado pela corte trouxe também informações sobre internações e índice de mortalidade em cada hospital. Juntos, os quatro hospitais fizeram 4.826 internações, sendo Mirandópolis (2.309), Alto Alegre (33), Lins (752) e Promissão (1.732).
As estatísticas permitem conclui que o índice de mortalidade varia entre as unidades: Mirandópolis (5,24%), Alto Alegre (6,06%), Lins (0,8%) e Promissão (5,83%).
No total, 230 pessoas morreram nos hospitais ao longo dos seis primeiros meses do ano passado, a maior em Mirandópolis (121) e Promissão (101). Em Lins, foram seis, enquanto em Alto Alegre, dois.
GERAL
Segundo o Tribunal de Contas, a pesquisa foi feita nos 193 hospitais públicos mantidos pelo governo paulista durante os meses iniciais do último ano. Em todo o Estado, o volume de procedimentos chegou a 57 milhões. A amostra representa 31.115 leitos existentes e uma rede de atendimento que conta com um corpo de 28.179 médicos devidamente cadastrados no sistema, informou o órgão, em material distribuído à imprensa.
O Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, lidera o ranking com o maior número de atendimentos: 4,3 milhões, o que representa 7,5% do total. A unidade, que é a maior em número de leitos (1.455), também foi a maior realizadora de internações, totalizando 26.830 no período.
O levantamento foi extraído a partir de informações colhidas junto ao Ministério da Saúde e às secretarias estaduais da Saúde e da Fazenda. Não estão incluídos no painel os hospitais de entidades sem fins lucrativos ou filantrópicos, como as Santas Casas.

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RETRANCA

MP pede adequações no hospital de Mirandópolis

Apesar de o levantamento do TCE ter apontado a quantidade de 135 médicos que prestam assistência no Hospital Estadual de Mirandópolis, na última segunda-feira, o Ministério Público ingressou com ação civil pública que tem a unidade como principal foco.
Na ação, o MP pede à Justiça para obrigar o Estado a preencher, em caráter definitivo, todos os cargos vagos de médicos na unidade. Se o pedido for acatado, um concurso para o preenchimento das especialidades de clínica médica, cirurgia geral, radiologia, urologia, pediatria, ginecologia, psiquiatria e anestesiologia terá de ser realizado.
Ainda na ação, o promotor Willian Ortis Guimarães requer que seja imposta ao Estado uma série de medidas para evitar a falta de profissionais de medicina, caso o concurso não consiga preencher as carências apontadas. Da mesma forma, pede que o CRM (Conselho Regional de Medicina) fiscalize eventual decisão.
A ação foi movida após a conclusão de inquérito que estava em andamento desde 2016 e apurou “significativa falta de médicos em diversas especialidades” no hospital de Mirandópolis, que é referência para 40 municípios em diversas áreas. Um relatório de 13 de junho de 2018 do CRM apontou que, pelo menos desde 2015, houve 31 desligamentos de médicos no local, o que “causou desequilíbrio na cobertura do serviço médico”.
Segundo o MP, há a necessidade de serem criadas pelo menos 17 vagas de médicos na unidade.

 


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