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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Em apenas dez dias de 2020, o araçatubense já pagou mais de R$ 5 milhões somente em impostos. O levantamento foi feito pela reportagem de O LIBERAL REGIONAL na noite da última sexta-feira junto ao Impostômetro, ferramenta da Associação Comercial de São Paulo que mede o quanto impostos, taxas e cobranças federais, estaduais e municipais pesa no bolso da população.

De acordo com o balanço, até as 20h do dia 10 de janeiro, os moradores da cidade já haviam desembolsado cerca de 5.063.400,00 com impostos. No mesmo período do ano passado, a arrecadação havia ficado em R$ 4.856.883,82. Um aumento de aproximadamente 4,25%. A pesquisa permite concluir que o volume arrecadado tem aumentado nos primeiros dez dias do ano desde 2018. Na ocasião, o montante ficara em R$ 4.127.803,61.

GERAL

No cômputo geral, a associação comercial concluiu que, até as 12h50 deste domingo (12/01), no ano novo, R$ 100 bilhões já terão deixado o bolso dos brasileiros em direção ao cofres dos governos. Apesar do volume, a entidade avalia que o valor arrecadado é semelhante ao registrado nos dois últimos anos em 13 de janeiro. Isso, segundo a instituição, mostra que a economia ainda segue um ritmo lento de recuperação.

Em nota distribuída à imprensa pela associação, o economista Emílio Alfieri explica que a arrecadação elevada em uma economia morna tem ligação com a alta carga tributária existente no país. Reduzir essa carga de impostos, segundo o economista da associação, não está na mira de governantes e congressistas nesse momento.

“Mesmo arrecadando muito, os governos gastam muito. Esse valor de R$ 100 bilhões, por exemplo, é equivalente ao déficit público esperado para 2019”, pontua Alfieri. O economista diz que, mesmo com os esforços do governo federal para fazer o ajuste fiscal, principalmente por meio de reformas, não haveria espaço para reduzir a carga tributária. Hoje, há mais de 60 tributos em vigor.

Para a entidade, sem perspectivas de uma redução nos impostos, é importante que os brasileiros tenham consciência daquilo que estão pagando aos governos para que possam cobrar um retorno – na forma de serviços púbicos compatíveis ao da grandeza da arrecadação.

PESO

O economista Marco Aurélio Barbosa, professor da FAC-FEA (Faculdade da Fundação Educacional Araçatuba), ressalta que, hoje, a carga tributária no Brasil representa aproximadamente 35% do PIB (Produto Interno Bruto). Ela é formada por impostos diretos e indiretos e arrecadada pelas três esferas do governo (municipal, estadual e federal). “A carga tributária do pais é um fator impeditivo do crescimento da economia, pois reduz a competitividade das empresas brasileiras e a renda disponível para as famílias impactando negativamente no consumo”, diz ele.

O caminho para a redução da carga tributária, diz ele, está no ajuste das contas do governo, com enxugamento de sua estrutura, o equilíbrio econômico e a diminuição de seu endividamento. “O crescimento da economia permite arrecadar mais e essa arrecadação cria condições para um novo corte de tributos, levando o país a engrenar em uma trajetória sustentável de desenvolvimento, cujo resultado final é a melhoria da qualidade de vidas das pessoas”, avalia Barbosa, que coordena o Observatório da Economia Regional, na FA-FEA.

 

É difícil avaliar qual imposto pesa mais, diz economista

O economista Marco Aurélio Barbosa explica que é difícil avaliar o peso dos tributos no orçamento das famílias e qual deles tem um impacto maior, ou seja, são os principais “vilões”. Isso porque, diz ele, cada família tem suas especificidades em relação à renda, estrutura de gastos, ao patrimônio, entre outros fatores.

“De qualquer forma, todos os tributos impactam e reduzem a renda disponível. Alguns são mais fáceis de visualizar, como exemplo o IPVA e o IPTU, pois são impostos diretos que chegam para as pessoas em uma época do ano que é o mês de janeiro, na qual, muitas vezes, as famílias estão mais apertadas em decorrência dos gastos realizados com as festas de final de ano, da matricula dos filhos para quem estuda em escola particular, da compra do material escolar. Enfim, é um mês de aperto, em especial, para quem não fez um planejamento e uma previsão”, observa.

Por outro lado, há o que ele define como “impostos invisíveis”, considerados indiretos, que incidem sobre a compra de bens e serviços.” Ou seja, a pessoa compra algo, por exemplo, uma roupa ou sapato, e não tem ideia do quanto pagou de impostos. E muitas vezes o valor que ela pagou é bem representativo em relação ao valor total do produto”, explica. Ele cita como exemplo nesse sentido o ICMS, que é o principal imposto arrecadado pelos governos estaduais e o mais importante imposto do orçamento dos municípios, pois os governos estaduais repassam 75% do que arrecadam aos municípios para compor seu orçamento.

 

Apesar do peso das contas, começo de ano é tempo de planejar

Mesmo com toda a carga de contas a pagar em janeiro, começo de ano é um tempo ideal para planejamento. Segundo Barbosa, as dicas de organização e controle do orçamento podem ser aplicadas por todas as pessoas e famílias. “As família têm que ter controle detalhado de suas entradas e saídas, em especial, de suas despesas. E esse controle tem que ser realizado diariamente, para saber aonde está sendo utilizado sua renda”, diz o economista. O importante é sempre anotar tudo em um caderno, no computador ou utilizar-se de aplicativos de controle orçamentário, orienta o profisional.

Só assim é possível avaliar os principais gastos, despesas supérfluas que podem ser reduzidas, se a pessoa está tendo desencaixe financeiro, ou seja, gastos superando receitas, para poder pensar em estratégias para voltar ao azul, ao superávit. “Muitas vezes ao fazer esse controle percebe-se o uso descontrolado de cartões, tarifas bancárias altas que podem ser negociadas, pagamento de juros elevados de acionamento de cheque especial mesmo que por alguns dias, etc”, pontua.

Segundo ele, o ideal é fazer esse planejamento, esse controle do orçamento familiar com a participação de todos os membros da família, para que todos possam avaliar e colaborar na busca de soluções para as situação críticas. “Não deixe para amanhã, comece agora e organize suas finanças mês a mês até o final do ano. Esse exercício com certeza proporcionará bons frutos para o novo ano”, finaliza.

 

Campanha busca conscientizar que ano ‘começa’ em junho

Em 1º de janeiro, a Associação Comercial de São Paulo lançou a campanha “Novo Ano Novo”.

A ação quer conscientizar os brasileiros ao mostrar que é necessário trabalhar 153 dias no ano somente para pagar impostos. Por essa perspectiva, apenas a partir do dia 2 de junho “o ano começa”.

A iniciativa também engloba uma petição on-line disponível no hotsite https://novoanonovo.org/.

Com um milhão de assinaturas, a associação levará ao Congresso Nacional um projeto de lei de iniciativa popular para oficializar o dia 2 de junho como feriado nacional, assim como o 1º de janeiro. Para a entidade, transformar esse dia em feriado nacional é uma forma de ressaltar o valor pago em impostos até a data.

 

 


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