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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Tudo pronto na residência de Aparecida dos Santos Silva, no bairro Rosele, para o seu tradicional “dia das crianças”. Amanhã é o dia da grande festa que há quatro décadas esta senhora de 78 anos realiza para meninos e meninas de baixa renda. De tão tradicional que virou essa ação beneficente, a rua São Carlos, onde ela mora, estará fechada das 13h às 17h para a realização da comemoração.

Quem for ao evento terá diversão garantida. Ontem, a dois dias da realização, a casa da idosa estava tomada por brinquedos, doces e muita gente, entre amigos e familiares, trabalhando na preparação dos últimos detalhes.

A expectativa dela é de que aproximadamente crianças, todas moradoras do bairro Porto Real, compareçam. A elas, serão distribuídos saquinhos com doces, cachorro-quente, sorvete, refrigerante, bolas, entre outros brinquedos.

Mas a grande atração da versão 2020 da festa de dona Cida está nas bonecas que serão distribuídas.

Elas ganharam vida nova graças a amigas da promotora do festejo. Uma antiga colega enviou a dona Cida dez bonecas usadas, que estavam sem roupas e sem cabelos, totalmente restauradas. Logo, a ação se multiplicou. Outra amiga, moradora do bairro Verde Parque, em Araçatuba, arrumou outras 20 bonecas encontradas no mesmo estado e fez o mesmo trabalho de recuperação. O resultado de toda essa mobilização é que 30 bonecas estarão disponíveis para doação à meninada que comparecer à casa de dona Cida neste domingo.

“Foi uma atitude muito bonita, que muito me deixou feliz. A partir de uma ação, outras surgiram, tudo com o propósito de ajudar. “Agradeço a todos os meus amigos, parentes, filhos, netos, noras e genros que estão nessa jornada comigo há tantos anos. Sempre estiveram ao meu lado em um trabalho tão maravilhoso”, complementa. Ela ressalta que outra atração é a presença do palhaço Pimpolho, que há oito anos empresta sua alegria para a festa no Rosele.

HISTÓRIA

Conforme reportagem publicada por O LIBERAL REGIONAL em janeiro do ano passado sobre a história de vida de dona Cida, esse trabalho começou no final dos anos 1970, em Adamantina, onde morava. Lá, junto com o marido Genício, falecido há dez anos, tinha o costume de visitar residências, levando mensagens de orientação sobre os riscos do alcoolismo, problema que afligia a família à época. Nesses encontros, levavam agrados às crianças.

A partir daí, veio a ideia das festas. Quando se mudaram para Araçatuba, em 1986, por questão de transferência do marido na atividade policial, a iniciativa foi mantida. De início, o dia de alegria tinha data certa: 12 de outubro, o Dia das Crianças. Depois, passou para dezembro por causa do Natal. Já há algum tempo, foi transferido para janeiro.

O trabalho social envolve a família e amigos. Pelo menos 30 pessoas participam diretamente da ação. Quando chega novembro, dona Cida e seus filhos (três moças e três rapazes) começam a correr atrás de doadores de brinquedos. Em tempos de praticidade na comunicação com as redes sociais, dona Cida prefere o contato pessoal na hora de fazer os convites. Ela conta que foi ao Porto Real e à vizinhança chamar a criançada.

Questionada se, após 41 anos consecutivos de solidariedade, pretende parar, ela é enfática: “Jamais!” Explica ela: “Esse trabalho é mais que uma confraternização. É um trabalho que envolve toda a minha família e conta sempre com a participação de toda a comunidade”.


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