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DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

A sustentabilidade é um diferencial no mundo corporativo, seja porque agrega valor à marca, seja porque promove de fato economia em processos – ou as duas situações juntas. O tema está na ordem do dia em diversas circunstâncias empresariais, como na escolha de fornecedores e na coleta seletiva, e na construção do empreendimento. Projetos sustentáveis estão ligados principalmente às vantagens que ele oferece, como eficiência energética, conforto maior, economia de recursos, durabilidade do edifício e uma série de outros benefícios.
Basicamente, a construção sustentável é uma forma de se construir casas e edifícios, harmonizando-os com o meio ambiente. Ela procura, durante toda sua produção e pós-construção, amenizar os impactos à natureza, reduzindo o máximo possível os resíduos e utilizando com eficiência os materiais e bens naturais, como água e energia. Hoje o número de prédios sustentáveis é grande. O Brasil ocupa o 4º lugar entre os que mais produzem prédios verdes no mundo, atrás apenas de EUA, China e Emirados Árabes, segundo a USGBC (United States Green Building Council). Mas ainda há muito espaço para crescer, principalmente fora dos grandes centros urbanos.
Em Araçatuba (SP), um dos principais empreendimentos que utiliza da construção sustentável é o Hospital do Olho (HO), que está sendo construído na avenida Brasília, no prédio do antigo centro de processamento de dados do antigo Banespa, no jardim Nova Iorque. A unidade conta com uma série de itens sustentáveis, como a utilização do sistema fotovoltaico, com 1200 painéis, que vão suprir toda a necessidade de energia elétrica do hospital. Parte deles possuem vão transparentes e cobre um dos corredores do prédio, proporcionando luminosidade natural ao ambiente. Ainda no que diz respeito à energia elétrica, todos os aparelhos de ar condicionado do HO possuem a tecnologia inverter, que consome cerca de 60% menos energia em comparação com modelos tradicionais.
No que diz respeito ao consumo e reaproveitamento de água, o HO conta com um reservatório de 100 mil litros para água captada da chuva, que fará toda a irrigação do paisagismo por gotejamento na raiz. Vale lembrar que, segundo relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), a escassez de água afetará dois terços da população mundial em 2050. Isso quer dizer que trabalho e dedicação serão necessários para garantir água potável e segurança alimentar para todos.
Além disso, o calçamento de toda a área externa, cerca de 2 mil m2, foi feito com paver de concreto, um tipo de tijolo pré-moldado destinado à pavimentação intertravada. As principais vantagens são a permeabilidade e o conforto térmico, que traz harmonia com o meio-ambiente; segurança, pois a superfície do paver é antiderrapante; e, durabilidade, por ser altamente resistente ao clima e a agentes agressivos. De acordo com os empreendedores, todos os aspectos relativos à sustentabilidade foram levados em conta pensando na racionalização dos recursos naturais, assim como na qualidade do atendimento dos ocupantes do prédio, nos resíduos que serão gerados e no formato de manutenção do empreendimento.

O que dizem os
especialistas
Segundo o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento da Arquitetura, a construção sustentável ou bioconstrução “deve contemplar o aproveitamento do meio natural sem causar prejuízo algum sobre a sustentabilidade, devendo aplicar o desenvolvimento tecnológico para a concretização de uma maior poupança energética e a diminuição dos resíduos, sem esquecer o aspecto estético, um dos vários fatores que determinam a habitação”. Nesse sentido, cada vez mais, engenheiros, arquitetos e designers priorizam, em seus trabalhos, boas ideias que contribuem para a preservação do meio ambiente, mas sem deixar de lado aspirações estéticas e funcionais.
Os arquitetos da prefeitura de Araçatuba, Bruno Gimeno e Denise Schneider, explicam que a construção sustentável, como o HO, é o caminho para qual todas as edificações precisam e devem ir. Segundo eles, esse tipo de construção ainda é pouco utilizado porque as pessoas ainda pensam em vantagens imediatas, como custo mais baixo, mas os especialistas garantem que compensa estruturar a sustentabilidade já no momento de construir, pois é certo e alto o retorno para todos os públicos envolvidos com o empreendimento.
“As pessoas podem começar aos poucos, com ações simples, como por exemplo, deixar uma área verde em sua casa ou empresa. Esse espaço faz com que a água da chuva, por exemplo, impermeei o solo, além de proporcionar um corredor de vento, deixando o local todo mais arejado”, afirma Denise. Ela explica que busca incentivar em suas construções esse tipo trabalho sustentável por acreditar que é disto que também depende o futuro do planeta.
Gimeno explica que utilizar a pavimentação intertravada, o sistema de energia fotovoltaico e fazer a captação da água da chuva (situações contempladas no HO) são as principais formas encontradas de construção sustentável na região. “Apesar de ainda ser pouco utilizada, até mesmo por falta de divulgação, Araçatuba e região estão no caminho correto, buscando o crescimento dessas construções na prática”.

Araçatuba tem IPTU Verde que estimula projetos sustentáveis

Os municípios também têm dado incentivos para quem utilizar esse tipo de projeto em suas casas e empresas. Em Araçatuba, por exemplo, desde 2011, a cidade possui uma lei que prevê o desconto no IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) aos proprietários de imóveis residenciais e comerciais que adotem as seguintes medidas:

1 – Sistema de captação da água da chuva;
2 – Sistema de reuso de água;
3 – Sistema de aquecimento hidráulico solar;
4 – Construção com materiais sustentáveis;
5 – Calçadas verdes.

O benefício no IPTU será concedido nas seguintes proporções: 2% para os itens 1, 2 e 6; 4% para os 3 e 4; e, 6% para o item 5. Esses benefícios podem ser acumulados, ou seja, caso o proprietário possua um, de cada item, terá um desconto total de 12% no imposto.
“Hoje, a cidade conta apenas com 20 pessoas que entraram com recursos para terem direito a esse desconto. Nós sabemos que a cidade possui muito, mas muito mais imóveis com essas ações sustentáveis do que isso”, explica Denise. Ela completa “muitas pessoas não sabem que tem esse direito por falta de divulgação dos próprios profissionais da construção”.
Sobre a utilização de energia solar, por meio dos painéis fotovoltaicos, o engenheiro eletricista da prefeitura, Fabrício Cartarozzi, destaca que apesar do investimento ser alto, as pessoas e as empresas estão começando a entender que o modelo oferecer grandes vantagens e ainda é uma ação que não prejudica o meio ambiente. “É importante que as pessoas tenham acesso à informação e saibam que além de conseguirem uma economia na conta de energia, também estarão ajudando o planeta”, diz. “Aos poucos, temos tentado implantar nos projetos da Prefeitura. Nos trabalhos que estão por vir, temos solicitado as placas, e outras ações que sejam sustentáveis para também fazermos a nossa parte”, finaliza.


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