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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Motivo de reclamações de moradores, o corte de árvores na avenida Brasília, ao lado da Rodoviária de Araçatuba, ocorrido em setembro, foi feito para corrigir irregularidades. A conclusão está em parecer técnico da Secretaria Municipal de Meio Ambiente que autorizou a CPFL Energia a promover a poda. O documento está anexado em recente resposta encaminhada pelo Executivo à Câmara em requerimento de autoria dos vereadores Alceu Batista de Almeida Júnior e Lucas Zanatta, ambos do PV. Ambos os parlamentares questionavam o procedimento adotado.
De acordo com o parecer, assinado pela bióloga e fiscal ambiental Jaqueline S. Casoni Borges e pelo técnico agrícola Andrigo Campos Claro, de 11 de julho deste ano, “foi constatada a necessidade de supressão das árvores (…), pois os exemplares foram plantados em local inadequado”.
A irregularidade apontada por eles diz respeito diz respeito ao fato de o canteiro ter menos de um metro de largura e às árvores terem sido plantadas sob a rede de distribuição de energia elétrica e linhas de transmissão. Com isso, dizem os agentes, o desenvolvimento da copa das espécies provocou uma mistura dos galhos na fiação, podendo ocasionar danos ao sistema elétrico e a pessoas que circulam pelo local. Dessa forma, eles sugeriram a supressão com urgência, vindo a acontecer no dia 12 de setembro.
No parecer, os servidores da secretaria citam nove árvores então existentes naquele trecho, sendo uma amendoim do campo, três algodão da praia, duas farinha seca, duas ficus e uma barbosa branca. Quanto ao critério para o corte, a fiscal e e o técnico disseram que a medida teve amparo no artigo 11 da lei 4.783/96, segundo a qual a medida é necessária para a implantação de obras, planos ou projetos de interesse público.
COMPENSAÇÃO
Questionada pelos vereadores se haverá compensação, a Prefeitura informou que a medida será tomada pela própria Secretaria de Meio Ambiente. Porém, sustentou que, pelo fato de o canteiro onde estavam as árvores ser de domínio público, a reposição será feita por espécies adequadas ao local e à região.
No requerimento, Alceu e Zanatta classificavam as podas ocorridas na mais famosa avenida da cidade como “drásticas” e chamavam atenção para a função de, no perímetro urbano, as árvores terem uma função importante para a qualidade de vida da população, destacando-se o sombreamento, a moderação climática e a manutenção da umidade do ar.

 

Na tarde da última sexta-feira, representantes da CPFL estiveram no gabinete da presidência da Câmara para prestar esclarecimentos sobre as podas ocorridas na cidade. Na oportunidade, a vereadores presentes e a membros do governo municipal, o gerente de negócios da distribuidora de energia, Kléber de Almeida Araújo, explicou que o corte, “embora chocante”, tem respaldo legal, obedece a normas técnicas e visa à inibição de interrupção de energia para as fontes de consumo (residências, comércio, indústrias, etc).
“As árvores plantadas embaixo da rede de energia elétrica apresentam uma característica de crescimento que atinge os fios e pode causar queda de cabos de energia, curto-circuitos e falta de energia para os consumidores, incluindo hospitais, fábricas e indústrias”, disse o gestor.
Segundo Araújo, quando há problemas de segurança, a determinação é podar as árvores, serviço realizado por funcionários treinados. “Assim, ela pode crescer sem tocar os cabos e oferecer perigo à distribuição de energia, evitando transtornos à população”, explicou o gerente da CPFL, adiantando ainda que vai fazer parcerias com a administração municipal para garantir a sustentabilidade do meio ambiente.
Conforme a coluna “Olho Vivo”, de O LIBERAL REGIONAL, noticiou na edição do último domingo, a visita dos representantes da concessionária ao Legislativo ocorreu após a apresentação de moção de repúdio do vereador Alceu contra os vários cortes de árvores ocorridos na cidade ultimamente. No documento, ele classifica essas podas como “crime ambiental”.

 


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