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Pai de jovem morta após queda de marquise fala pela primeira vez

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VITOR MORETTI – PENÁPOLIS

Pela primeira vez, o pai da jovem Késia Cândido, 18, decidiu quebrar o silêncio, apesar da dor da perda da filha de forma tão trágica. Ela morreu no último sábado (23) depois de ser atingida pela marquise de um estabelecimento comercial (galeria de lojas) localizado no cruzamento entre as ruas Bento da Cruz e São Francisco, no coração de Penápolis. Ainda muito abalado, o pastor Ezequias Cândido tentar encontrar forças na família e no neto, de apenas sete meses, que ficou órfão de mãe. Nessa segunda-feira (25), a perícia voltou ao local onde tudo aconteceu. A Polícia Civil já abriu inquérito para investigar as circunstâncias do desabamento. O centro de compras onde ocorreu o acidente trata-se de um prédio antigo, no centro da cidade, não tendo qualquer ligação com o Garden Shopping (Rodovia Sargento Luciano Arnaldo Covolan), que pertence a outro grupo.

“Eu quero respostas. Eu quero respostas da administração do estabelecimento, da prefeitura, do engenheiro que fez aquela marquise. Nada vai trazer a minha filha de volta, mas eu quero que a justiça seja feita”, contou o pai de Késia com a voz embargada.
Ezequias recebeu a reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL em sua residência, um dia depois do corpo da filha ser sepultado. Lá, estavam as outras filhas, a esposa e o netinho. O clima ainda era de perplexidade com tudo o que aconteceu. Todos se perguntavam como a marquise pode ter caído repentinamente e atingido a jovem. A vítima se protegia do Sol e aguardava o marido que estava na área central naquele momento quando tudo aconteceu.
“Eu não tenho nada para reclamar da minha filha. Uma pessoa maravilhosa, nunca me deu trabalho algum. A gente busca conforto ao saber disso e também em Deus, porque não é fácil. Nenhum pai pensa em perder seu filho de maneira tão trágica”, desabafou o pai.
Logo após conceder a entrevista, ele e os outros familiares foram, pela primeira vez, ao local onde tudo aconteceu. Difícil de segurar a emoção. Quem também esteve presente na cena, pela segunda vez, foram as equipes da perícia técnica. Três peritos fotografaram os principais pontos e aguardaram a chegada do delegado Guilherme Brandão de Souza, que assumiu as investigações do incidente.
Além de Késia, uma mulher de 38 anos também ficou ferida na queda da marquise. Ela foi socorrida pela unidade do Resgate até o pronto-socorro municipal, mas teve que ser transferida com caráter de urgência a um hospital particular de Araçatuba, onde tem convênio.
A assessoria de imprensa da unidade hospitalar informou que a paciente passou por uma cirurgia na coluna ainda no sábado e foi levada para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Algumas horas depois, a vítima foi levada para o quarto, onde permanece em observação. O estado de saúde dela é considerado estável pelas equipes médicas.

INVESTIGAÇÕES
Ainda é cedo para saber o que realmente causou o desabamento, segundo o delegado. Ele irá ouvir testemunhas e interrogar os responsáveis pela galeria de lojas, além de aguardar todos os laudos periciais para se chegar a uma conclusão. Apesar disso, Souza adiantou que a parte da frente do estabelecimento irá ficar fechada por tempo indeterminado.
“Nós tivemos no local e apuramos que não existem condições de que a parte da frente seja liberada, porque pode haver o risco do colapso da estrutura. Na lateral existe outra entrada, que provavelmente será liberado para que o comércio funcione normalmente”, afirmou à reportagem.
Uma equipe do Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo) também fez uma perícia mais analítica da real situação do prédio. Um procedimento de investigação foi instaurado e ainda não há prazo para o término.

OUTRO LADO
Ainda no fim de semana, a diretoria do estabelecimento enviou uma nota à imprensa sobre o ocorrido. Nela, os responsáveis disseram que empenharam todos os esforços no socorro e apoio às vítimas. “Tomamos providências e estamos colaborando com as autoridades para apurar os reais motivos do acidente”.

A direção do estabelecimento comercial reforçou, também, que aquele momento era necessário auxiliar as vítimas do acidente, seus familiares, lojistas e funcionários. “O Penápolis Shopping Center seguirá à disposição fornecendo informações confirmadas”, complementou.

ALVARÁ DE FUNCIONAMENTO DO CENTRO COMERCIAL VENCERÁ EM JANEIRO

A Prefeitura de Penápolis informou que o estabelecimento comercial possui alvará de funcionamento e Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) válidos até o dia nove de janeiro de 2020. A administração municipal afirmou, ainda, que nesses tipos de casos, a Defesa Civil não é acionada.

Logo após o desabamento, o prefeito Célio de Oliveira (sem partido) decretou luto oficial de três dias no município. Na decisão, o chefe do Poder Executivo elencou que os pais de Késia são pessoas conhecidas na cidade de Penápolis, justamente pelo trabalho que desenvolvem junto à população. “Considerando que referida tragédia causou comoção e tristeza em toda a comunidade penapolense”, concluiu.

O trânsito nas imediações do centro de compras sofreu alterações por conta do desabamento e ruas estão interditadas. Por isso, a Secretaria de Trânsito solicita para que os motoristas evitem transitar por ali. Até o fechamento dessa edição, as vias ainda não tinham sido liberadas.

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PERÍCIA – Polícia Civil abriu inquérito para investigar o que pode ter causado o desabamento no último fim de semana

CRÉDITO: ARQUIVO


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