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ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA

Olhar sereno e o semblante sossegado, como as águas e o remanso do Rio Paraguai. Alia-se a tudo isso uma boa dose de simplicidade e cordialidade, características típicas do homem do campo. Isso é Almir Sater, que entre uma garfada e outra e um bom pedaço de carne, respondeu algumas perguntas da reportagem durante almoço na Churrascaria Terra do Boi, em Araçatuba. Um pantaneiro na terra do Boi Bordo. Além disso, Sater atendeu pedidos para fotos a um grupo de pessoas de Araçatuba e Andradina. Tudo com paciência e sorrisos. Nem parece que está com mais 40 anos de estrada, ou de chalana, como diria no Pantanal. Almir Sater esteve em Araçatuba para show no Speed Park, na noite deste sábado. Casa cheia e com público seleto.
“Aqui é a nossa rota. Já estive em Araçatuba várias vezes”, disse Almir Sater ao ser indagado quantas vezes se apresentou em Araçatuba. Natural de Campo Grande (novembro de 1956), Almir Sater levou para a música a influência da sonoridade paraguaia. Mas desenvolveu um estilo próprio, retratando a simplicidade do homem pantaneiro. O seu conhecimento como instrumentista complementa a obra, agradando diferentes públicos. Mas, com destaque para os apaixonados pela música de viola caipira.
Embora tenha gravado seu primeiro disco no início dos anos 80, era conhecido apenas em determinados grupos. Porém, ao aparecer em novelas como Pantanal e Ana Raio e Zé Trovão (na extinta TV Manchete), Bicho do Mato, na Record e em O Rei Gado, na Globo, ao lado do também violeiro Sérgio Reis, tornou-se conhecido nacionalmente. E mais do que isso, tornou conhecido o seu estilo e a sua arte. A música pantaneira.
No almoço deste sábado, coincidentemente, Almir Sater, que atuou na novela Rei do Gado, encontrou-se com uma caravana de Andradina, que tem o codinome “A Terra do Rei do Gado”. A cidade foi fundada por Antônio Joaquim de Moura Andrade, que inspirou o compositor Teddy Vieira a escrever a música “Rei do Gado”, imortalizada inicialmente por Tião Carreiro e Pardinho, depois por Tonico e Tinoco e muitas outras duplas. Almir Sater, ao saber de onde eram as pessoas, lembrou da música Rei do Gado. Estavam no grupo Edgar Dourado, Nivaldo Franco Bueno (anfitrião), Cezaro Santos Cerchiari, Malu Cerchiari, Cidinha de Freitas, Zezé de Matos, Adeliz Rocha, Rosângela Vicente, Neide Pistori, Décio Pistori, Juvenal Teixeira de Freitas e Norberto Vicente.

 

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RARO – O cantor Almir Sater foi fotografado sem o seu chapéu, o que é raro e algumas pessoas não o reconheceram

CARREIRA
Embora muito ligado ao Pantanal de Mato Grosso do Sul, Amir Sater hoje reside na Serra da Cantareira, em São Paulo. Uma forma de ficar mais próximo da natureza, como ele mesmo diz. No local residem outros dois antigos parceiros de viola e de vida artística: Sério Reis e Renato Teixeira. “Porém, raramente nos encontramos lá, pois todos trabalham muito”, explicou Almir Sater. No ano passado, lançou o trabalho denominado “+ AR”, continuação de “- AR”, de 2015. Os dois trabalhos foram desenvolvidos em parceria com Renato Teixeira.

PANTANAL
Almir Sater espelha a alma pantaneira. Impossível conversar com ele e não abordar a questão do Pantanal. “Está seco. Precisamos de chuva”, disse, explicando que os rios estão baixos. Quanto aos riscos do avanço da cana de açúcar em Mato Grosso do Sul, ele disse que não é apenas a cana que oferece risco ao pantanal, mas a agricultura de um modo geral.
Engana-se quem pensa em um discurso radical contra empreendimentos no estado. Almir Sater defende a adequação do estilo de agricultura à realidade e potencialidade da região. Para ele, outras áreas dentro do estado poderiam ser exploradas para reduzir a atividade no pantanal, criando-se uma espécie de cinturão para proteger a região alagadiça.
O cantor reconhece que alguns sistemas de produção, como o plantio direto, reduzem o impacto ambiental. Mas entende que é preciso ter cuidado com o Pantanal.

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SIMPATIA – Almir Sater sentou-se à mesa com o grupo de Andradina, que veio exatamente para ver o seu show

FOTOS – ANTÔNIO CRISPIM


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