ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA

O produtor rural Alberto Figueiredo da Silva, 68 anos, está na atividade por opção. “Dá muito prazer produzir”, diz ele, com fala mansa, revelando muita tranquilidade. Aposentado da antiga Caixa Econômica de São Paulo, a “Nossa Caixa”, Alberto poderia simplesmente desfrutar da merecida aposentadoria. Porém, ele e a esposa, a professora Iraci Tanaka Figueiredo da Silva, decidiram fixar residência no sítio e criaram um ambiente especial para viver. Ele trabalha todos os dias e faz questão de acompanhar a evolução das plantas. Além disso, ainda busca tempo para participar de cursos, visitar outros produtores e universidades em busca de mais conhecimento. E também é presidente a Associação dos Produtores Rurais da Divisa, com 150 associados.
Natural de Bilac, Alberto Silva mudou ainda criança para Birigui e ainda muito jovem foi para São Paulo, onde em 1972 ingressou na Nossa Caixa. Veio para Araçatuba em 1977 e permaneceu até aposentar. Em 1980 casou-se com a professora Iraci. Eles têm dois filhos (um casal) e uma neta. Ainda quando atuava na Caixa ele decidiu comprar o sítio, onde criava gado de corte e cultivava milho, mas apenas para silagem. Há aproximadamente 13 anos, com os filhos formados, o casal decidiu morar no sítio.
Alberto manteve a sua rotina de criador de gado. Depois, arrendou área para ampliar a criação e a plantação de milho. Já na propriedade alternava criações e cultivos, criando um ambiente bucólico. “Aqui parece que todo dia é domingo”, resumiu o jornalista Diego Fernandes, da Clube FM e Jovem Pan FM diante do sossego do lugar.
Na chegada à propriedade, a equipe de reportagem foi surpreendida por dois cães (um de grande porte e outro pequeno), mas que não ofereciam qualquer risco. Os cães de guarda estavam em lugar adequado. No quintal-jardim, plantas diversas, galinha e outras aves. “Seo” Alberto, como de costume, estava com dois funcionários trabalhando no parreiral. A uva hoje é a vedete da propriedade e tem atraído muitas pessoas para conhecer e, obviamente, comprar.

Alberto Figueiredo da Silva Uva (2)
Cultivo da uva muda o perfil da propriedade
Durante muito tempo Alberto Silva dedicou-se à criação de gado de corte e plantio de milho. Chegou a criar cabras, mas decidiu não levar adiante. Tudo começou a mudar quando foi convidado a participar de curso de viticultura promovido pelo Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). O grupo foi formado por 15 produtores. A maioria começou a plantar, mas de forma moderada. Já “seo” Alberto começou com 470 pés de uva de diferentes variedades, como Niágara rosada Vitória, Benitaka, Rubi e Brasil. Ele adotou o sistema enlatado.
O cultivo complexo, elevado custo para implantação do parreiral e mais de dois anos sem retorno financeiro dificultam o início da atividade. Confiante, ele superou obstáculos e foi em busca de informação. Está satisfeito com o resultado. Nesta primeira safra, está colhendo em média 15 quilos de uva por pé. Posteriormente, dependendo dos tratos culturais, pode chegar a até 35 quilos. “Na região de Jales há produtores com larga experiência que chegam a 60 quilos”, disse Alberto Silva.
Com experiência em gestão e facilidade com os números, resultado de longos anos como bancário, “seo” Alberto leva tudo na ponta do lápis e investe contabilizando retorno financeiro, além do “prazer de produzir”, como ele diz. Troca passeios para trabalhar na propriedade.
“Devemos ter muito cuidado. Desde a composição do solo com o que pode chegar às folhas”, diz ele, explicando que a umidade pode causar doenças. A produtividade e o tempo de produção do pé de uva vão depender dos cuidados com a saúde da planta. “Com terra corrigida e cuidados, a planta não adoece e produz mais”, explica ele, justificando o extremo cuidado em cobrir toda a parreira e com os nutrientes do solo.
O parreiral deve ser cercado por barreiras para cortar vento. “Seo” Alberto fez plantio de bananeiras. Além de barreira natural, as bananeiras, bem cuidadas, representam fonte de renda com a venda dos frutos. O bananal e o parreiral precisam de água. Ele construiu um reservatório para garantir água em abundância. Não deixou por menos. Neste reservatório, colocou alevinos de pacu e tambacu. Os peixes ainda não estão em ponto de despesca. Têm menos de um quilo, mas será outra fonte de renda.
Na pequena propriedade, ele também tem gado de corte. Os dejetos dos bovinos e dos peixes recebem tratamento químico e são transformados em adubo orgânico. Desta forma, ele reduz o custo para correção do solo.
Com tantos cuidados e os tratos culturais da uva, “seo” Alberto procura não apenas melhorar a qualidade da fruta, como também reduzir a aplicação de defensivos agrícolas.
O sistema integrado de produção que envolve uva, abacaxi (sob as parreiras) e banana (barreira contra vento), gado de corte e peixe (dejetos usados como adubo), faz do sítio de “seo” Alberto uma propriedade sustentável, onde tudo é reaproveitado.

AMPLIAR A PRODUÇÃO
No atual sistema de produção de uva ele está com 470 pés cultivados em 3,5 mil metros. Agora está com uma área de 6,5 mil metros quadrados pronta para cultivar 1,8 mil pés de uva, mas pelo sistema espaldeira, que lhe garante melhores condições de manuseio. Nesta área serão cultivadas também as variedades Isabel, Isis e Benifuji.

COMERCIALIZAÇÃO
Com o parreiral na primeira colheita, Alberto Figueiredo da Silva ainda não procurou atender grandes compradores. A comercialização é feita diretamente na propriedade, até mesmo pequenos comerciantes vão comprar, além de pessoas que querem ter o prazer de colher a própria fruta. “Muitas pessoas realizam o sonho de colher a uva o voltam ao passado, relembrando a infância”, encerrou o produtor.

B7 Alberto Figueiredo da Silva Uva (17)

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