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Samar terá de explicar falta d’água de três dias a agência reguladora

ARNON GOMES – ARAÇATUBA

A Samar (Soluções Ambientais de Araçatuba) tem até amanhã para prestar esclarecimentos ao Daea (Departamento de Água e Esgoto de Araçatuba) sobre a falta d’água que atingiu 16 bairros da zona leste da cidade por três dias. Ontem, o comissário-geral da agência reguladora do serviço, Márcio Saito, entregou uma requisição de informações à concessionárias, com prazo de 72 horas para respostas. Mediante a manifestação da empresa, não está descartada a possibilidade de autuação da empresa, que pode variar de R$ 500 a R$ 1 milhão.
Segundo Saito, há uma cláusula contratual de que nenhuma interrupção de abastecimento pode exceder um dia. “Nosso objetivo é obter os detalhes técnicos. Temos todos os comunicados, mas é necessário apontar as reais causas. A norma é clara: o desabastecimento não pode durar mais de 24 horas”, disse o representante do Daea, departamento que tem, por função, fiscalizar a prestação de serviços da empresa.
Ele ressaltou que esse esclarecimento é necessário porque, a princípio, a interrupção estava ligada apenas à continuidade das obras de setorização da rede de abastecimento, mas houve rompimento em vários pontos na adutora do Sistema Hilda Mandarino, que abastece aquela região da cidade. “Tudo isso, só a prestadora do serviço (Samar) pode explicar”, pontuou o comissário. Ele ressaltou que, em março, após problema semelhante ter acontecido em bairros da zona sul, a Samar foi notificada a revisar seu plano de contingência. “E a manutenção ocorrida no final da semana passada não foi emergencial. Era programada”, destacou.

POSIÇÃO
O problema, que revoltou moradores e provocou até protestos em frente à sede da Samar, levou também o prefeito Dilador Borges (PSDB) a se posicionar sobre o ocorrido.
Em sua página nas redes sociais, o chefe do Executivo declarou: “Estou ciente dos transtornos que os moradores dos bairros da zona leste estão passando com a falta de água”. Ele prossegue sua nota, dizendo que acompanha a situação de perto e, como gestor público, já exigiu da concessionária uma solução e um melhor planejamento para que situações como essa não ocorram. “Estou a todo tempo falando com a diretoria da empresa e com os gestores da agência reguladora, que já notificou a Samar”, enfatizou o prefeito.
Dilador afirmou ainda que tem cobrado da empresa o cumprimento do contrato. Sobre o fato de não poder fazer mais na área de água e esgoto, o governante o atribuiu à mudança de gestão nesse serviço ocorrida há sete anos. “Infelizmente, esse tipo de serviço não cabe mais à Prefeitura, já que o Daea foi concedido. O que temos a obrigação de fazer é fiscalizar e cobrar que façam o que consta em contrato. Isso, estamos fazendo e farei uma reunião para exigir que esse problema não aconteça mais”, encerrou.

NO PRAZO
Ontem, em nota encaminhada ao jornal O LIBERAL REGIONAL, a Samar informou que responderá todos os questionamentos do Daea no prazo estabelecido.

 

Em nota, concessionária lamenta o ocorrido

Em nota distribuída à imprensa, na tarde de ontem, a Samar informou que “lamenta profundamente” os problemas de desabastecimento ocorrido na zona leste em função do rompimento de adutoras. As falhas, segundo a empresa, ocorreram durante as obras de interligação do novo sistema de abastecimento do reservatório do Hilda Mandarino, que faz parte dos investimentos previstos no Plano Municipal de Saneamento.
Conforme a Samar, na quinta-feira, foi executada a interligação de uma nova rede para abastecer o reservatório Hilda Mandarino, construída como parte das obras de setorização da distribuição de água, que vai dividir a cidade em 42 micro setores para melhor controle das operações e redução das perdas.
“É importante ressaltar que as ocorrências se inserem no contexto dos investimentos na implantação de um novo sistema para o abastecimento da população da zona leste. Mais de 20 quilômetros de redes já foram construídos pela Samar como parte das obras de setorização da distribuição da água no município, que tem investimentos de R$ 20 milhões para a construção de 40 quilômetros de novas redes até o ano que vem”, diz a nota.
De acordo com o texto, esses investimentos são necessários para evitar o colapso futuro das atuais redes, que além de antigas e sujeitas a rompimentos, precisam estar dimensionadas para o crescimento da cidade.
“Conforme já divulgado, a Samar pede desculpas aos moradores pelos involuntários transtornos causados, mas ratifica que trabalhou incansavelmente para solucionar os problemas gerados. O desabastecimento, além de gerar insatisfação para os moradores, também traz prejuízos à empresa, compromissada com a qualidade na prestação de serviços de saneamento”, finaliza a empresa.

 

 

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