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Rio Tietê estimulou a interiorização do desenvolvimento em São Paulo

ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA

“O rio dos paulistas” e “rio genuinamente paulista” são algumas formas de referir-se ao Rio Tietê, o mais importante de São Paulo, que no passado promoveu a colonização de interior e, mais recentemente, contribui para o desenvolvimento de várias regiões. O rio nasce no município de Salesópolis, a apenas 22 quilômetros do mar, mas faz o caminho inverso e após passar por mais de 60 cidades e percorrer 1,1 mil quilômetros, deságua no Rio Paraná, entre os municípios de Castilho e Itapura. A frase “No vértice do lendário Tietê com o caudaloso Paraná, surgirá uma grande metrópole”, atribuída a Euclides da Cunha, apenas ilustra a importância desde manancial para São Paulo e o Brasil. Neste domingo (22), comemora-se o Dia do Rio Tietê muitas cidades, como Barra Bonita e Salto, têm extensa programação para comemorar a data.

HISTÓRIA
O Rio Tietê, exatamente por fazer o caminho inverso, foi usado por índios para se locomoverem dentro do estado e pelos bandeirantes. Às margens do Tietê surgiram várias cidades e que hoje devem muito a sua economia ao lendário rio. Na região, a cidade com a história mais ligada ao rio é Itapura. No período do Brasil Império, foi construído um forte (unidade militar), durante anos denominado Palácio de Dom Pedro, para servir de base para as tropas brasileiras e impedir um possível avanço de soldados paraguaios. Com o fim da guerra, a unidade foi desativada. Posteriormente surgiu uma vila e depois a cidade.
Também na geração de energia hidrelétrica, Itapura saiu na frente. Muito antes das grandes usinas, foi construída uma pequena hidrelétrica, a Eloy Chaves. Esta foi uma das empresas absorvidas com a formação da Centrais Elétricas de Urubupungá S.A. (Celusa), posteriormente Centrais Elétricas de São Paulo e finalmente Companhia Energética de São Paulo (Cesp).
Ao longo de seu percurso no interior, o Tietê transformou-se em rio de geração de energia, mas também contribui com a economia de várias cidades estimulando os esportes náuticos e o turismo de uma forma geral, como Barra Bonita, Salto e outras cidades.
A criação de peixes e a navegação são outras contribuições do rio para o desenvolvimento de várias cidades lindeiras, pois estimula a economia local. Por meio da Hidrovia Tietê-Paraná, escoa parte da produção do Centro-Oeste, além de estimular o turismo regional.

ARAÇATUBA
Na região de Araçatuba, várias cidades exploram o Tietê de diferentes formas, com dezenas de condomínios às suas margens, praias artificiais ou mesmo empreendimentos industriais ou de prestação de serviços. Araçatuba, além de usina de bioenergia, praia, condomínios de lazer, resort, indústria, água para irrigação, tem parte da cidade abastecida com água do Tietê.
Desde de junho de 2013 o rio Tietê se tornou fonte de abastecimento para a população de Araçatuba. A Samar inaugurou a ETA- Tietê, que capta, trata e distribui água do Tietê, transformando a Araçatuba na primeira cidade não ribeirinha a ser atendida por este manancial. A captação do Tietê complementa, com águas do poço profundo, o abastecimento da região norte, composta por quase 40 bairros com população estimada em pouco mais de 80 mil habitantes. Futuramente, a Samar pretende ampliar o abastecimento para mais bairros da cidade, desafogando a captação do Ribeirão Baguaçu, que atende 60% da cidade. ” Devido à sua importância para o abastecimento da cidade, o Dia do Rio Tietê faz parte do calendário de ações da Samar. Desenvolvemos ações para a preservação deste manancial. Recentemente concluímos o plantio de mais de 2.500 árvores na área de captação, às margens do Tietê. Semanalmente, recebemos a visita de dezenas de estudantes para conhecerem o processo flotofiltração desenvolvido na estação de tratamento de água. A unidade é considerada uma das mais modernas do país e garante a segurança hídrica de Araçatuba”, destaca o diretor técnico da SAMAR, Rondinaldo de Lima.

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