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Após negativas do Governo, Petrobras e ANP, preço dos combustíveis disparam

DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

Os ataques por drones a refinaria de petróleo na Arábia Saudita provocaram instabilidade no mercado internacional e elevação dos preços. O governo brasileiro se antecipou afirmando que o preço da gasolina não teria reajuste. No entanto, menos de 48 horas depois de manifestação do presidente Jair Bolsonaro e menos de 24 horas após comunicado da Petrobras, o preço dos combustíveis dispararam em Araçatuba. A gasolina que chegou a ser comercializado a R$ 3,86 até segunda-feira, está custando no mesmo estabelecimento R$ 4,37. Embora sem qualquer relação com os ataques no Oriente Médio, o etanol também acompanhou o reajuste e subiu em média 15%.
Já prevendo que poderia haver especulação nos preços por conta dos ataques na Arábia Saudita, na terça-feira (17), a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), distribuiu nota sobre o assunto.
“A ANP está atenta aos preços dos combustíveis praticados no Brasil. Os preços são livres, por lei, em todas as etapas da cadeia: produção, distribuição e revenda. Diante de denúncias de preços abusivos, a ANP faz ações de campo para confirmar essas suspeitas. Quando constata a prática de preços abusivos, a Agência atua em conjunto com os Procons para penalizar os infratores”.
A Petrobras informou, na terça-feira, por meio de nota, que está monitorando o mercado internacional de petróleo, em função dos ataques a uma refinaria na Arábia Saudita. Os ataques aéreos à refinaria de Abqaiq resultaram na elevação dos preços internacionais do petróleo. Por enquanto, não há previsão de reajuste de preços nos produtos negociados pela estatal, como os combustíveis e derivados de petróleo.
Segundo a Petrobras, a cotação internacional do petróleo apresenta volatilidade e a alta súbita de preços “pode ser atenuada na medida em que maiores esclarecimentos sobre o impacto na produção mundial sejam conhecidos. A Petrobras decidiu por acompanhar a variação do mercado nos próximos dias e não fazer um ajuste de forma imediata”, diz a nota.
Na segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro disse em entrevista à TV Record que a Petrobras não vai mexer no preço dos combustíveis.
“A tendência natural é seguir o preço internacional que vem da refinaria para a bomba, no final das contas. O governo federal já zerou os impostos da Cide e não podemos exigir nada de governadores no tocante ao ICMS. Conversei agora há pouco com o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e, como é algo atípico, ele não deve mexer no preço do combustível” disse o presidente.

REGIÃO
A reportagem fez rápida pesquisa em cidades da região. Nessa semana não houve aumento. Em Três Lagoas, o consumidor encontra gasolina a partir de R$ 3,95 até R$ 4,30. Já em Andradina, o preço está entre R$ 4,00 e R$ 4,30. Em São José do Rio Preto, a gasolina é comercializada em média a R$ 4,10, etanol a R$ R$2,50 e diesel a R$ 3,40. Em Araçatuba a gasolina chegou a ser comercializada a R$ 3,86 e o etanol a R$ 2,34. Agora tem posto com gasolina a R$ 4,34 e o etanol a R$ 2,777

POSTOS
O proprietário de um posto de combustíveis falou com a reportagem com a condição de ser mantido o anonimato. Segundo ele, o reajuste dos combustíveis nessa semana nada tem a ver com a questão do petróleo ou dos ataques na Arábia Saudita. “O preço dos combustíveis de Araçatuba era o mais baixo da região há vários dias por conta de ações de mercado. Um determinado posto baixou os preços e a maioria teve de acompanhar para manter a competitividade. Agora os preços voltaram aos patamares de um mês antes”, garantiu o comerciante.

Procon de Araçatuba pede fiscalização sobre postos
O diretor do Procon de Araçatuba, Carlos Eduardo Spegiorin, disse ontem que encaminhou oficial à unidade regional de Presidente Prudente pedindo fiscalização em postos de combustíveis. O trabalho é feito com acompanhamento de equipe de Araçatuba.
Spegiorin explicou que o aumento por si só não é ilegal ou caracteriza irregularidade. Por isso, a análise deve ser criteriosa para saber se houve abuso na elevação dos preços. O diretor do Procon disse que são solicitadas notas fiscais da distribuidora e cupons fiscais de um mês para avaliar o percentual de lucro. A mesma avaliação é feita com os valores atuais, tanto da distribuidora como do cupom fiscal de venda ao consumidor. Tudo isso para analisar o comportamento de preços. e os critérios adotados para fazer os reajustes.
Segundo o Carlos Eduardo Spegiorin, as ações e fiscalizações são pautadas por critérios técnicos. Normalmente as pessoas imaginam ações e punições rapidamente, sem análise. Por ser um setor de livre definição de preço, há necessidade de observar a “abusividade” no estabelecimento dos reajustes. Nesse ano já foram feitas outras fiscalizações no setor.

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