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ARNON GOMES – ARAÇATUBA

A tarde de sexta-feira foi marcada pela emoção no saguão da Biblioteca Municipal Rubens do Amaral, em Araçatuba. A data foi escolhida para a entronização do quadro de Manoel Guimarães Dias, falecido há 42 anos, na galeria do projeto Faces Históricas, mantido naquele espaço. Conforme reportagem publicada por O LIBERAL REGIONAL no último feriado de 9 de julho, Dias foi participante da Revolução Constitucionalista de 1932 e, em Araçatuba, para onde se mudou sete anos após o movimento, tornou-se o primeiro despachante policial.
A cerimônia contou com a presença de advogados, despachantes e familiares, além do secretário municipal de Esportes e Cultura, Sergio Tumelero, e do vereador Alceu Batista de Almeida Júnior (PV).
Para o produtor rural Felício Guimarães Dias, um dos quatro filhos de Manoel, o reconhecimento foi merecido. “Isso é tudo para nós e uma forma de a memória de meu pai, que teve uma lista extensa de serviços prestados para Araçatuba, não ficar no esquecimento”, disse ele. Em discurso, Felício lembrou da Araçatuba da época em que seu pai chegou. “Ele chegou aqui numa época em que Araçatuba não era nada”, resumiu. Nascido em 11 de maio de 1907 em São Pedro do Turvo (SP), Manoel para Araçatuba no mesmo ano da Revolução Constitucionalista para trabalhar como gerente da antiga Casa Bandeirantes – um comércio de tecidos que funcionava na Rua Oswaldo Cruz, no Centro. O estabelecimento comercial, no entanto, encerrou suas atividades de forma precoce.
Assim, em 3 de março de 1939, abriu o Escritório Brasil, de despachos policiais. Inicialmente, funcionou na Praça Nove de Julho, onde hoje fica a Câmara, e, em 1942, foi transferido para a Rua Olavo Bilac. Consta que teria sido, inclusive, o primeiro despachante policial do Noroeste Paulista. Mesmo após sua morte em 1976, os filhos do fundador mantiveram o serviço aberto na região central da cidade até 2000.
Em sua biografia, Manoel foi ainda membro da Acia (Associação Comercial e Industrial de Araçatuba) e sócio-fundador do Esporte Clube Corintians. Hoje, ele é nome de rua no bairro Jardim Sereno.
LEMBRANÇAS
No evento, pessoas presentes levaram sua homenagem a Manoel. “Difícil definir uma palavra para expressar o que este homem representou. Tenho-o como um pai”, disse o dentista Antônio Carlos Fornari, que exerceu a profissão por 46 anos. “O senhor Manoel, além de ser o meu patrão, na minha juventude, eu já tinha conhecimento de que ele foi o pioneiro nessa profissão de despachante em Araçatuba. E, em 1965, comecei a trabalhar no escritório dele e passei a respeitá-lo como segundo pai, pois era uma pessoa muito idônea, compreensiva com todos e amigo da gente. Foi um grande profissional, uma grande pessoa”, declarou o despachante Ademar Casarin.
PROJETO
O projeto Faces Históricas foi criado por lei municipal em 2014 com o objetivo de preservar a memória de pessoas de destaque na sociedade em Araçatuba. A homenagem consiste numa galeria com quadro de cada um deles na biblioteca. Seu idealizador foi Amauri Zanforlin, que está à frente até hoje.

 


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