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Funcionários dos Correios em greve

ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Funcionários dos Correios de dez cidades da região de Araçatuba aderiram à greve nacional da categoria, iniciada na noite de terça-feira. Conforme o diretor regional do Sindecteb (Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos de Bauru e Região), Silvio Prudêncio, a paralisação é uma forma de se opor à poposta do governo federal de privatizar a estatal. Os trabalhadores também tentam pressionar a direção da empresa a negociar a manutenção de direitos trabalhistas e dos atuais salários em acordo coletivo que será assinado.

A paralisação é parcial em todas as localidades. Pelo menos até o fim da tarde de ontem, haviam cruzado os braços servidores de CDDs (Centros de Distribuição) e agências dos correios nos seguintes municípios da região: Araçatuba, Birigui, Brejo Alegre, Lins, Penápolis, Guararapes, Valparaíso, Murutinga do Sul, Andradina e Nova Independência. No caso de Araçatuba, a estimativa é de que entre 75% e 80% dos funcionários pararam.

A mobilização envolveu também nove cidades cidades da região da Alta Paulista, também cobertas pela regional de Araçatuba: Tupã, Queiroz, Quintana, Bastos, Osvaldo Cruz, Panorama, Santa Mercedes, Ouro Verde e Dracena.  De acordo com Prudêncio, há possibilidade de novas cidades aderirem ao movimento, que é por tempo indeterminado.

Conforme o representante da categoria, serviços de entrega de encomendas e de cartas devem ser os mais afetados nos próximos dias. “As atividades mais prejudicadas foram na área operacional”, afirmou. “Não estamos pedindo aumento salarial, apenas reivindicando a manutenção dos nossos direitos conquistados. Faz 60 dias que aguardamos um acordo e nada. Enquanto isso, veio a proposta de privatização”, completou. “Não queríamos a greve. Fomos levados à greve.”

INCLUSÃO

Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, no mês passado, o governo federal incluiu os Correios no Plano Nacional de Desestatização (PND) e inaugurou a fase de estudos para privatizar, total ou parcialmente, a empresa e outras 17 estatais. A abertura de estudos não indica necessariamente que uma empresa será privatizada, restando, como alternativa para as companhias federais incluídas no plano, a assinatura de parcerias com o setor privado. O objetivo inicial dos estudos é analisar a viabilidade econômica dos ativos federais (empresas, ações e serviços) e o possível impacto de parcerias com a iniciativa privada.

Para a Findect (Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios), a redução dos salários e benefícios é uma forma de diminuir custos para privatizar os Correios.

VERSÃO OFICIAL

Em nota, a direção dos Correios afirma já ter apresentado aos trabalhadores número que revelam a “real situação da estadual”. A direção da empresa afirma que os prejuízos operacionais acumulados chegam a R$ 3 bilhões.

Diz o texto: “Os Correios participaram de dez encontros na mesa de negociação com os representantes dos trabalhadores, mas as federações expuseram propostas que superam até mesmo o faturamento anual da empresa, algo insustentável para o projeto de reequilíbrio financeiro em curso pela empresa”. E prossegue: “No momento, o principal compromisso da direção dos Correios é conferir à sociedade uma empresa sustentável. Por isso, a estatal conta com os empregados no trabalho de recuperação financeira da empresa e no atendimento à população”.

 

Empresa recusou proposta que evitaria movimento grevista

O processo de negociação do Acordo Coletivo 2019/2020 está no Tribunal Superior do Trabalho. Na semana passado, após várias tentativas de compatibilizar os interesses dos empregados e empregadores, o vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Renato de Lacerda Paiva, decretou a extinção do procedimento de mediação e conciliação pré-processual entre a empresa e as entidades que representam os empregados. Segundo a assessoria do tribunal, a direção dos Correios foi a única a não aceitar a proposta de prorrogar o acordo coletivo de trabalho para que fosse dado prosseguimento à negociação de novo instrumento coletivo. Ainda segundo a assessoria do tribunal, “a continuidade da mediação evitaria a greve da categoria, marcada para o dia 10/9”.

Em assembleia realizada na noite de terça-feira, em São Paulo, o vice-presidente da Findect, Elias Cesário de Brito Júnior, afirmou que a categoria foi “empurrada” para a greve, assim como diz o diretor regional de Araçatuba.

Júnior ressaltou que, além de tentar impedir a privatização dos Correios, a categoria reivindica a prorrogação do acordo coletivo que venceu em 31 de julho; a reposição das perdas inflacionárias dos últimos anos e a manutenção do vale-alimentação e do plano de saúde. Com informações da Agência Brasil

 

 

 

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