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VITOR MORETTI – ARAÇATUBA

“A esperança nunca morre”. Com essa frase, o guarda municipal Diego Oda, 33, reúne forças para continuar a maior batalha de sua vida: a recuperação. Ele foi baleado no último dia 18 de julho durante uma tentativa de assalto a uma padaria, localizada na rua Bolívia, em Araçatuba. Agora, ele se recupera em casa, ao lado dos pais e dos familiares e ainda não sente os movimentos da perna. Uma rotina marcada pela recuperação, dia e noite. As marcas dos tiros no corpo talvez sejam difíceis de sair, mas o olhar de perseverança e a vontade para vencer a batalha, essas sim estão presentes em seu dia a dia.

O guarda municipal concedeu uma entrevista à reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL na casa onde mora. O que chama mais a atenção nos relatos é a união da família, de amigos e até daqueles que não conhecia. Todos juntos para uma só causa: ajudar àquele que tem seu sonho de continuar trabalhando com aquilo que mais gosta, que é justamente de salvar vidas e levar mais segurança à população.

Mas as lembranças ainda estão frescas na memória. Era noite de uma quinta-feira. Diego estava em uma padaria quando foi surpreendido pelo assaltante. Ele se lembra de todos os momentos de medo e tensão que vivenciou.

“Eu estava na padaria e fui até o banheiro. No momento que saí, dei de frente com o rapaz armado, bem assustado, aparentemente sob efeito de droga. Eu ergui a mão, mas nesse momento ele se assustou e começou a atirar. Primeiro, ele acertou o meu dedo e já caí de lado. Quando eu caí de lado recebi o segundo tiro pelas costas e ali, já naquele momento, eu não senti mais as pernas”.

Após ser baleado, Diego travou a batalha mais difícil de sua vida. Foi internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da Santa Casa, passou por uma cirurgia de alta complexidade e chegou a ficar em estado grave. Dez dias depois já estava no quarto, com a notícia da alta. Um alívio para todos, mas também o começo de uma nova luta pela vida.

“Foi um susto muito grande para todos. Muitas pessoas e amigos foram mobilizadas. Eles foram até a porta da Santa Casa e naquele momento repassaram para os familiares que o estado de saúde era grave. Mas, a recuperação foi boa, passei por ótimas mãos, ótimos médicos”, complementou.

Agora, o foco está nas sessões de fisioterapia, que são realizadas duas vezes ao dia. Os procedimentos já mostram evolução. Antes, nem mesmo ficar sentado o guarda conseguia. Hoje, ele já fica algumas horas em uma cadeira de rodas. As pernas apresentam movimentos involuntários, o que indica bom sinal de recuperação. Diego também faz o uso de uma medicação para estimular a medula, chamada SYGEN. Uma ampola de 100 miligramas custa R$ 280,00.Sem a ajuda dos amigos e da família, a compra do medicamento não seria possível.

“Ainda eu não sinto os movimentos da perna, porque é muito recente. A fisioterapia é constante. A medicação eu também já consegui toda ela, é muito cara que a gente conseguiu por meio de uma doação e tomo uma ampola por dia e os resultados estão bons. Estou evoluindo bem, porque no começo eu não conseguia nem me estabelecer sentado. Agora, já consigo ficar na cadeira de rodas”, disse Diego.

O guarda também conseguiu uma cama hospitalar emprestada e usa a cadeira de rodas que era de sua avó. Mas toda a ajuda sempre é bem-vinda.

ATENDIMENTO ESPECIALIZADO

Uma ótima notícia pegou toda a família e o próprio Diego de surpresa na semana que passou. Ele fez a inscrição para receber atendimento na rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, considerado um dos melhores no país para casos como o do guarda. A unidade fica em Brasília, Distrito Federal. No meio da semana, ele recebeu a ligação informando que sua consulta foi marcada para o próximo dia 23 de setembro. Todos os serviços são de graças, mas o transporte até a capital federal terá que ser pago por contra própria.

O maior sonho do rapaz é voltar a trabalhar na Guarda. “Vou voltar para a Guarda, com certeza, mas primeiro vou focar na recuperação, voltar a recuperar os movimentos da perna, porque o futuro é logo ali. A esperança não morre”, concluiu.

O Diego ainda precisa de doações, justamente agora que terá que arcar com todas as despesas para ir até Brasília. Por isso, quem quiser ajudá-lo, pode entrar em contato com o telefone: (18) 3623-8696.

 


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