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Quando a paternidade transcende o fator biológico e há comunhão de sonhos

ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA

Há muitas formas de expressar a paternidade, seja ela biológica ou não. Uma das formas mais emblemáticas é: “Pai não é quem gera, mas quem cria”. Pode ser acrescentada também que “pai é quem aumenta sonhos e tudo faz para que se tornem realidade”. É neste aspecto que se insere o tenente-coronel da reserva da PM, Marcelo Pereira dos Reis. Oriundo de um lar onde sempre predominou o trabalho voluntário, desde muito jovem Reis iniciou a sua trajetória de assistência paralela à carreira de sucesso na polícia. Aposentou-se precocemente, abreviando sua carreira militar, para dedicar-se às causas sociais. Hoje, alimenta o sonho de dezenas de crianças, jovens e até mesmo pessoas de mais idades, assistidas por entidades ou projetos em que está à frente. Ele alimenta sonhos e também alimenta-se destes mesmos sonhos.
Casado com Senaide Beatriz Weiss dos Reis, Marcelo tem dois filhos biológicos, Daniel e Gabriel, ambos com 25 anos. Porém, seu papel de “pai” vai muito além. É diretor do Lar Caminho de Nazaré e coordenador do Projeto Um Novo Amanhã, que atende 70 crianças no contraturno escolar, na faixa etária de 6 a 15 anos. Com elas são desenvolvidas atividades de Judô, futebol de salão, coral, recreação, reforço escolar e teatro. Trata-se de um atendimento muito direcionado, pois são crianças e jovens em faixa etária muito exposta a descaminhos. Lá, estes jovens têm todo o atendimento e aprendem ser cidadãos e construtores de seu próprio futuro.
Além disso, é voluntário também na Casa Bom Samaritano Manolo Garcia, entidade que acolhe pessoas em situação de rua, com idade a partir dos 18 anos.
“Desde muito cedo acompanhava minha mãe Assunta e meu avô Zair Reis em suas atividades voluntárias. Ela cuidando de pessoas com dependência química de álcool e ele com crianças em acolhimento. Mas efetivamente comecei a desenvolver trabalhos assistenciais quando entrei na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, aos 16 anos, quando comecei arrecadar brinquedos durante o ano para entregá-los no Natal nos bairros São José e Mão Divina, em Araçatuba”, diz Marcelo Reis, explicando que mais recentemente, é voluntário na Casa Bom Samaritano há 20 anos e há 12 anos no Lar Caminho de Nazaré.
O oficial da PM, que durante muitos anos atuou na Polícia Rodoviária, é membro da diretoria da Casa Bom Samaritano.

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Com orientação, jovens realizam seus sonhos
Cada jovem tem seu sonho e suas metas. Nem todos alcançam, mas a maioria sair fortalecida para persistir na vida. Breno Ycaro começou no Projeto Um Novo Amanhã em agosto de 2014, quando tinha 8 anos. De família humilde do bairro Verde Parque, ele sempre se destacou pela disciplina, determinação e gentileza. Breno começou a despontar no judô e, apoiado pelo Lar, por sua família e pelo professor Hudson participa de competições de nível estadual. Está na faixa verde, é filiado na Federação Paulista de Judô e está classificado para disputar as finais do Campeonato Paulista neste ano. Ele se destaca também nos estudos e é um exemplo para as demais crianças do Projeto.

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Izabella Helpis frequentou o Projeto Um Novo Amanhã desde a sua criação, em agosto de 2014. O sonho dela sempre foi o de ingressar na Polícia Militar. Este ano, o projeto conseguiu uma bolsa de estudo para ela fazer um curso preparatório. Ela saía todas as noites lá do bairro Verde e vinha de bicicleta estudar próximo à Santa Casa. Chegava em casa tarde, quase meia noite. Inclusive enfrentou noites muito frias em junho. Mas não desistiu. Prestou o concurso no final de junho e foi muito bem. Está na expectativa de sair o resultado e ser aprovada. E caso não consiga, vai continuar fazendo o cursinho porque o próximo concurso será em novembro. Ela está determinada a alcançar o seu sonho de ser uma policial militar. Hoje a Izabella tem 18 anos.
Duas histórias que caminham para um desfecho muito feliz. Mas, que poderia ter outro rumo se não fosse a disposição de pessoas como Marcelo Pereira dos Reis, o professor Hudson e tantos outros voluntários, que dão um pouco de tempo para ajudar na construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

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