DA REDAÇÃO – OSVALDO CRUZ

Atentos ao debate mundial a respeito da poluição, dois grupos de estudantes das Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) buscam alternativas para os canudinhos de plástico utilizados em grande parte dos bares e lanchonetes.
Em outubro de 2018, governos, organizações não governamentais (ONGs) e outras 250 instituições, incluindo alguns dos maiores fabricantes, marcas, varejistas e recicladores de embalagens do mundo, assinaram o Compromisso global por uma nova economia do plástico, das Organizações das Nações Unidas (ONU), para erradicar o desperdício e a poluição por plásticos em sua origem.
Três das maiores redes de fast food do mundo, por exemplo, anunciaram a substituição dos canudos plásticos por outros produzidos a partir de materiais biodegradáveis. No Brasil, 24 estados têm leis estaduais e/ou municipais aprovadas ou em discussão no legislativo para proibir a utilização do utensílio – apenas em São Paulo, são 32 municípios.
O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, sancionou no dia 25 de juinho projeto de lei que prevê a proibição de fornecimento de canudos plásticos em estabelecimentos comerciais da cidade. A multa pode chegar a R$ 8 mil para quem descumprir a lei. Outras cidades estão seguindo o mesmo exemplo para diminuir a poluição.
Solução saborosa
Na Etec Amim Jundi, localizada em Osvaldo Cruz, o projeto é de Alex Vidotto, Aline Molena e Ariane Guerra, que terminaram o curso técnico de Química neste primeiro semestre.
Orientados pela professora da disciplina de planejamento e desenvolvimento de trabalho de conclusão de curso (TCC) da Etec, Edelma Jacob, os estudantes produziram um polissacarídeo (substância semelhante ao açúcar) a partir de bagaços e cascas descartados da indústria alimentícia.
Depois de dissolvida em suco de frutas e manipulada em laboratório, a substância ganha cor, sabor e consistência pastosa que permite a moldagem em formato cilíndrico. “Apesar de já existirem canudos biodegradáveis no mercado, durante a fase de pesquisa não encontramos nenhum comestível como o nosso”, diz Alex.
De acordo com a orientadora, ainda que o material seja descartado inadequadamente, se dissolve rápido, minimizando prejuízos ambientais. “Mesmo que a pessoa não coma o canudo depois de terminar a bebida, ele se decompõe facilmente, o que não ocorre com o similar feito de plástico”, explica a professora.
O grupo pretende dar continuidade à pesquisa após o término do curso. “Estamos satisfeitos com os resultados obtidos até aqui, considerando o tempo que tivemos para o desenvolvimento. Pretendemos aprimorar para tentar lançar o produto no mercado”, projeta Alex.
“O material produzido será de grande valia econômica e ambiental, além de ser saudável, rico em fibras, preservando as propriedades nutricionais das frutas”, avalia Edelma.

Proibição por si só não resolve
Em Limeira, alunas do curso técnico de Química integrado ao Ensino Médio da Etec Trajano Camargo começaram um projeto a respeito do tema no segundo semestre do ano passado, também visando o TCC que defenderão no final de 2019, quando se formam.
Por meio do Estudo e aplicação de bioplástico em canudos substituindo polímeros sintéticos, Bianca Zampieri, Gabriela Henriques e Milena Ribeiro têm como intuito produzir canudos biodegradáveis a partir de diferentes resíduos da indústria alimentícia, como soro de leite e casca de batatas.
A ideia do projeto foi sugestão da orientadora Gislaine Delbianco, coordenadora do curso. A relevância foi atestada pela irmã de Gabriela, que é fonoaudióloga. “Percebemos que a simples proibição não resolve porque existem pessoas incapazes de mastigar e precisam do canudo para fins terapêuticos, como para exercícios de fortalecimento dos músculos responsáveis pela sucção de alimentos”, explica a estudante.
“Uma alternativa que vem sendo bastante procurada são os canudos de metal. No entanto, analisamos que existem riscos de contaminação por limpeza ineficiente”, completa Gabriela.
Futuramente, elas pensam em estender a pesquisa para a produção de pratos e talheres biodegradáveis.

 

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