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Região registra aumento na área plantada de soja e milho

DIEGO FERNANDES – ARAÇATUBA

Produtores de grãos de Araçatuba estão descobrindo a soja e o milho como grandes fontes de renda para o agronegócio local.
Dados da CDRS, a Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, revelam que na safra 2018/2019, colhida nos primeiros meses do ano, a soja foi cultivada em quase 45 mil hectares na região.
O dado mostra um aumento de 50% em relação ao que era plantado há 3 anos, na safra 2015/2016, quando 30 mil hectares de soja foram cultivados.
A produção atual rendeu, praticamente, 1,4 milhão de sacas de soja na região. Com a soja sendo vendida atualmente a R$ 75 cada saca, o potencial de arrecadação dos produtores locais na última safra ultrapassou os R$ 100 milhões.
Já o milho está em plena colheita, que todos os anos acontece geralmente entre junho e agosto. A expectativa da CDRS é de que neste ano, a chamada safrinha chegue a 25 mil hectares cultivados do grão na região de Araçatuba.
Nos últimos 20 anos, a produção mais do que dobrou, já que no final dos anos 90, o milho respondia por cerca de 11 mil hectares.
A expectativa é a produção de 1,8 milhão de sacas do grão ao preço de até R$ 35 cada uma, o que pode gerar dividendos de até R$ 63 milhões.
Encontro de técnicos quer aumentar o potencial dos produtores
Por conta do crescimento desses tipos de cultivo, Araçatuba recebeu na manhã desta quarta-feira, no Recinto de Exposições Clibas de Almeida Prado, o 4º Encontro Técnico Sobre as Culturas da Soja e do Milho no Noroeste Paulista, que reuniu aproximadamente 100 pessoas, entre produtores rurais e técnicos do setor agropecuário de todo a região Noroeste Paulista. O evento foi organizado pela CDRS e pela APTA, a Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio. O objetivo foi aprimorar os processos tecnológicos na busca de otimizar a rentabilidade destas atividades agrícolas.
A atividade contou com duas palestras de especialistas no tema. Paulo Arbex, professor da Unesp de Botucatu, foi o responsável por uma delas e discorreu sobre o tema “Plantabilidade”, e passou algumas informações técnicas aos produtores de como melhorar a qualidade do plantio dos grãos, com objetivo de aumentar a colheita. Segundo Arbex, não compensa realizar um plantio de baixa qualidade. “A diferença de custo entre você fazer bem feito e mal feito é mínima, então se você vai fazer um plantio faça bem feito e tenha capricho”, recomendou o especialista, que ainda apresentou um dado alarmante: 40% dos produtores de grãos não regulam adequadamente suas máquinas plantadeiras, o que compromete a produção. “Se a gente pegar uma media do Brasil, a gente produz basicamente 50 sacas de soja por hectare. O potencial de sair dessas 50 para 70 sacas, por exemplo, é muito fácil, é saber regular uma plantadeira”, concluiu.
A segunda explanação foi a respeito de mercado e o responsável por ela foi Leonardo Amazonas, que é analista de mercado da CONAB, a Companha Nacional de Abastecimento, empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura. Segundo ele, vários fatores influenciam no preço da saca de grãos e os produtores devem ficar atentos aos dados econômicos relacionados ao dólar e também a questões como a guerra econômica entre Estados Unidos e China, dois dos maiores importadores de grãos do mundo. “Hoje está em R$ 75 a saca de soja, e nós podemos chegar na próxima safra a R$ 80. Mas tem que acompanhar de perto o mercado internacional, porque é em cima disso que está tendo esses aumentos”, afirmou Amazonas, que também comemorou o fato de a produção de soja estar crescendo na região de Araçatuba, assim como em todo o Estado de São Paulo. “A soja tem crescido muito aqui, isso é bom, porque é uma rentabilidade muito boa. O Estado de São Paulo tem produzido 3 milhões de toneladas, que foi o último levantamento da Conab. A tendência é de alta na nossa produção aqui”, informou.
Para Jorge Hipólito, diretor do núcleo de produção de sementes da CDRS na região de Araçatuba, o grande objetivo das palestras foi aumentar o conhecimento e o incentivo aos produtores para que sigam investindo no plantio de grãos. “O grande objetivo foi aprimorar esse conhecimento, levar informação do produtor, para que no seu planejamento da safra do próximo ano, as informações aqui colhidas norteiem o seu planejamento. Isso reflete em segurança para o produtor”, disse.

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