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ARNON GOMES – Araçatuba

Ele era engenheiro civil de formação, mas, desde cedo, desenvolveu a arte de ensinar. Fez carreira como professor, sendo lembrado por alunos e familiares por sua intelectualidade. Era professor de matemática, mas dominava muito bem as ciências humanas. Tem contribuições no campo da literatura. Falava seis idiomas; lia em outros nove. Tamanho saber, partilhado por décadas com diversas mentes araçatubenses, levou ao reconhecimento em uma das instituições de ensino superior mais respeitadas do Brasil: a Fatec (Faculdade de Tecnologia).
Na última sexta-feira, o campus da instituição em Araçatuba viveu momentos de emoção com ato em evocação da memória do professor Fernando Amaral de Almeida Prado. Falecido em há quase 30 anos, ele dá nome à unidade desde 2008, mas, no final da semana passada, foi descerrada placa em sua homenagem no local.
Lá estavam autoridades, profissionais do ensino e seus filhos Fernando Amaral de Almeida Prado Júnior, Cláudia Maria de Almeida Prado e Paulo de Tarso Leite de Almeida Prado. Dos três, aquele que leva o nome do pai contou, em um texto com riqueza de detalhes, a história do homenageado.

HISTÓRIA
Fernando pai nasceu em agosto de 1923 no município paulista de Bocaína, região de Bauru. Era filho de um cafeicultor que, com a Crise de 1929, trocou a fazenda pelas salas de aulas para lecionar latim. Já exibindo enorme inteligência ainda menino, ganhou o apelido de “Fernando Cabeça” dos colegas de escola. Com apenas 16 anos, foi um dos fundadores da Academia Jahuense de Letras. Na década de 1940, durante o período da guerra, morou no Rio de Janeiro, Recife e em São Paulo, onde cursou engenharia civil na Escola Politécnica da USP.

EDUCAÇÃO
Como nunca quis exercer a engenharia, fez concurso público para ser professor na rede estadual de ensino em Birigui e Araçatuba, onde veio morar em 1952. Foi o início de uma estrada de 35 anos de docência. Em 1954, em Araçatuba, casou-se com Clea Leite. Nos anos 1950 e 60, foi professor do “IE” (Instituto Educacional) Manoel Bento da Cruz. Também deu aulas de Física em outras escolas públicas tradicionais: Jorge Correa (Araçatuba) e Stélio Machado Loureiro (Birigui). Ensinou ainda Filosofia na Funepe (Fundação Educacional de Penápolis) e nas Faculdades Integradas Toledo de Araçatuba. Atuou também como tradutor na Aeronáutica e foi revisor no jornal “‘O Estado de S.Paulo”. Mesmo com tanta riqueza intelectual, professor Fernando era reverenciado por sua simplicidade. “Apesar de tamanha erudição, era uma pessoa muito simples. Não se importava com bens materiais, holofotes, status. Andava a pé”, diz a jornalista Fabrícia Lopes, assessora de imprensa da Fatec, numa crônica em homenagem ao professor. “Por ter uma inteligência acima do normal, estava sempre divagando no mundo das ideias, metido nos próprios pensamentos. Isso o tornava esquecido e distraído”, complementa.

MILITÂNCIA
Na cidade, foi também um dos símbolos da resistência ao regime militar. Durante os “anos de chumbo”, chegou a esconder alunos perseguidos no fundo de sua casa, na rua Cussy de Almeida. Na mesma época, foi vereador pelo MDB, partido de oposição ao governo militar. Na época, a maioria na Câmara Municipal era formada pela Arena, o partido de sustentação governista. “Suas posições politicas não impediam que tivesse amigos em todos os matizes políticos sabendo separar a individualidade das escolhas com os laços de amizade”, conta o filho. A prova disso era uma de suas melhores amizades: o ex-prefeito Sylvio José Venturolli, que era da Arena.
Já aposentado, lecionava para alunos de baixa renda, não escondendo a felicidade de ver muitos deles aprovados em exames vestibulares. Gostava de dar essas aulas somente após soneca tirada depois do almoço. No final da vida, trabalhou ainda como engenheiro na Prefeitura de Araçatuba por meio período, sempre às manhãs. Trabalhou, inclusive, na manhã de 30 de abril de 1991, dia em que faleceu aos 68 anos de idade.

SATISFAÇÃO
Ao falar com a reportagem sobre seu pai, Cláudia não escondeu a emoção. “Uma grande emoção verificar que após 28 anos de sua morte, meu pai ainda é lembrado com carinho e admiração por seus amigos professores, ex-alunos, autoridades e funcionários da Fatec”, diz. “Espero que a história de sua vida sirva de semente aos jovens alunos presentes na sua homenagem, que se emocionaram com minha família por tanto carinho.”a5 almeida prado 1.JPG


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