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Número de pequenos negócios registra crescimento de 21,27% em um ano nos municípios da região

O número de pequenos negócios cresceu 21,27% na região de Araçatuba em apenas um ano. Se até 30 de abril de 2018, o total de MEIs (Microempreendedores Individuais) nos 43 municípios, mais Lins e Promissão, chegava a 35.765, neste ano, alcançou 43.374 no mesmo período.
O levantamento foi feito pela reportagem de O LIBERAL REGIONAL ontem, a três dias do início de uma das ações mais importantes promovidas pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e à Pequena Empresa) para estimular a formação de novos microempreendedores: a Semana do MEI.
O evento, que começa, na próxima segunda-feira tem programação em Araçatuba. Entre as palestras, todas abertas ao público e ainda com vagas, estão: “10 coisas que você precisa saber antes de abrir um MEI”, “10 comportamentos de empreendedores de sucesso” e “10 dicas para se relacionar com o cliente e impulsionar as vendas”.
Ao longo da programação, que vai até quinta-feira (24), ainda serão abordados temas como direitos do consumidor, segmentação da clientela, preço de venda, a utilização das redes sociais para alavancar um negócio, emissão de nota fiscal, hábitos para se fazer um dia render mais e tomada de crédito.
Toda a programação será cumprida na unidade do Sebrae em Araçatuba – avenida dos Araçás, 2113, Centro.
Maior cidade da região, Araçatuba registrou um crescimento de microempreendedores acima da média. A expansão foi de 24,9% no período. Eram 9.402 MEIs há pouco mais de um ano. Até 30 de abril de 2019, já eram 11.747.
Em nível regional, a segunda cidade a registrar quantidade mais expressiva de MEIs é Birigui, com 6.410. Em seguida, vem Lins, com 4.055, número que supera, inclusive, o de cidades maiores, como Penápolis e Andradina.

ANÁLISE
O economista Marco Aurélio Barbosa, da FEA (Fundação Educacional Araçatuba), analisa pelo menos dois “macro” fatores que estão influenciando a abertura de novos MEIs. O primeiro é relacionado ao fato desse tipo de empresa apresentar facilidade no processo de abertura e manutenção, principalmente por ser um único imposto e de valor mensal baixo. “Essas condições potencializam o processo de abertura de novas empresas nas cidades”, explica.
O segundo ponto a explicar o crescimento na região de Araçatuba tem relação com o desenvolvimento tecnológico.
Barbosa destaca o crescimento do setor de serviços relacionados à chamada “economia compartilhada”, ou colaborativa, como o transporte por aplicativo, que tem levado à formalização na modalidade MEI de muitos empreendedores. Nessa mesma linha, ele cita os APPs de entrega de comida, como o IFOOD. “No caso dos aplicativos de comidas, temos formalização dos dois lados: das pessoas que produzem comida, lanches, etc… E aquelas que querem oferecer esses produtos no aplicativo. Os APPs exige um CNPJ e o caminho inicial é o MEI.”
Outro ponto ligado à tecnologia, na avaliação de Barbosa, está relacionado à situação de empresas do setor de serviços. Muitas delas estão alterando suas formas de trabalhar, contratando, por exemplo, prestadores de serviços para o segmento de internet. “Antes, eles contratavam as pessoas com carteira de trabalho assinada (CLT). Agora passaram a terceirizar a atividade para outras empresas, muitas das quais são dos antigos empregados que agora tornaram-se MEIS, ou seja, passaram a ter um CNPJ”, explica o economista.

Alternativa contra desemprego movimenta setor

O desemprego é outra situação que, apesar de ruim, tem ajudado a aquecer os MEIs.
“A situação macroeconômica do País e a situação da dificuldade do mercado de trabalho faz com que as pessoas procurem a formalização como MEI como alternativa para geração de renda”, explica Barbosa, que, na FEA, coordena o Observatório da Economia Regional.
Não são raros os exemplos de pessoas que, sem carteira assinada, passam a produzir bolos, salgados, lanches, até pequenas fábricas diversas e buscam o MEI para manterem a contribuição do INSS.
Por fim, o economista destaca parte de empreendedores que visualizaram oportunidade, lacunas no mercado e formalizaram suas empresas, inicialmente na modalidade MEI como primeiro passo para sua trajetória empresarial. “São empresas com mais chances de se perpetuarem no mercado, pois realizaram estudos antes, entraram em funcionamento por encontrarem nichos de mercado e, portanto, têm potencial de crescimento e graduação para se transformarem depois em micro empresas, conforme seu faturamento cresça e ultrapasse o valor definido com teto anual para o MEI”, finaliza.

ARNON GOMES
Araçatuba

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