Araçatuba

Fábricas geram 750 empregos e região registra o melhor mês de abril em cinco anos, diz pesquisa

A indústria regional registrou, em 2019, seu melhor mês de abril em cinco anos. É o que permite concluir resultado da pesquisa mensal “Nível de Emprego na Indústria”, do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), divulgada na quarta-feira. Somente no mês passado, as fábricas de 34 municípios da região de Araçatuba geraram, juntas, 750 postos de trabalho.
O desempenho representou uma variação positiva de 1,44%. Desde 2014, quando esse índice ficou em 2,04%, os percentuais do quarto mês do ano não ultrapassavam a casa do 1%. No ano passado, ficou em 0,86%, enquanto em 2017, -0,21%; 2016, 1%, e, em 2015, 0,98%. Neste ano, o percentual regional de abril superou também o estadual. No último mês, o setor teve variação de 0,45% no emprego, consequência da criação de 9,5 mil postos de trabalho no período.
Em todo o Estado, o setor de açúcar e álcool influenciou no resultado. No caso da região, houve destaque para a abertura de vagas em outros segmentos, porém impactados pela cana-de-açúcar. Conforme o levantamento, a maior variação positiva na geração de empregos na região ocorreu no subsetor de produtos alimentícios (4,85%), seguido pelos de confecção de artigos do vestuário e acessórios (3,03%); máquinas, aparelhos e materiais elétricos (0,75%) e, então, o de coque, petróleo e biocombustíveis, onde estão as usinas sucroenergéticas (0,81%).
No mês passado, agroindústria canavieira havia sido a principal responsável pela criação das quase 300 oportunidades nas fábricas da região. Isso significa que, com os 750 empregos gerados no último mês, as empresas mais do que dobraram a oferta, levando a região à posição de quinta maior geradora de empregos em abril de 2019. À frente, ficaram Sertãozinho, Piracicaba, Presidente Prudente, Jaú e Ribeirão Preto. No ranking de participação da regional na indústria paulista, Araçatuba permanece na décima segunda posição.
O desempenho do mês passado foi também o melhor da manufatura regional desde julho do ano passado, quando foram abertos 1.050 postos. Apesar dos números positivos em relação ao mês anterior, o acumulado dos primeiros quatro meses de 2019 chega a dez postos de trabalho apenas (0,02%).
Já nos últimos 12 meses, é de -5,05%, representando uma queda de aproximadamente 2,8 mil postos de trabalho.
ANÁLISE
Para o diretor regional do Ciesp, Samir Nakad, o aumento observado no último levantamento deve ser visto com moderação. “Natural que nos alegremos para cada emprego que surgue. É uma família em situação difícil que retoma condições de se manter”, pondera. “O que aconteceu efetivamente é que as usinas sucronergéticas voltaram contratar por causa da época de colheita e de plantio. Então, infelizmente, é algo sazonal mesmo. Algumas empresas também contrataram, mas muito pouco. Por isso, não vejo motivos para comemorar economicamente.”
Questionado pela reportagem de O LIBERAL REGIONAL sobre perspectivas de melhoras para o restante do ano, Samir avaliou que tudo vai depender do cenário político-econômico. “Naturalmente, temos expectativas porque a gente crê que o nó está dentro do Congresso. Se caminhar a reforma previdenciária, depois a tributária, até agosto mais ou menos, creio que a situação irá se destravar.”

Alimentos e derivados de petróleo abriram 12 mil vagas no Estado

Os setores de alimentos e derivados de petróleo e álcool contrataram mais de 12 mil novos trabalhadores em abril, que foram as principais influências positivas para o saldo do mês na indústria paulista, conforme a pesquisa da Ciesp/Fiesp. “Esses setores, que são influenciados pela sazonalidade da cana de açúcar, geraram contratações abaixo da média dos anos anteriores – que é de 27 mil novas vagas. Os demais setores da indústria estão em compasso de espera em razão do baixo desempenho econômico. Como este ano vem apresentando saldos abaixo do esperado, o resultado do emprego no fechamento do ano é preocupante”, avalia José Ricardo Roriz, segundo vice-presidente da Fiesp e do Ciesp.
Os principais destaques ficaram por conta do segmento de produtos alimentícios, com geração de 10.497 vagas; coque, derivados de petróleo e biocombustíveis (2.216) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (620).
No campo negativo ficaram, principalmente, confecção de artigos do vestuário e acessórios (-738); veículos automotores, reboques e carrocerias (-682) e couro e calçados (-505).

ARNON GOMES
Araçatuba

 

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