Araçatuba

Primeiras audiências do assalto à Protege vão ocorrer nesta semana

A Justiça de Araçatuba realiza, nesta semana, as primeiras audiências contra os réus acusados de participarem do mega-assalto à Protege, empresa de transporte de valores, em outubro de 2017. Na ação, estima-se que foram levados cerca de dez milhões de reais.
Segundo informações apuradas pela reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL, as audiências vão ocorrer na quinta (02) e sexta-feira (03), após o feriado do Dia do Trabalhador. Os réus serão ouvidos por videoconferência pelo juiz da 1ª Vara Criminal, Roberto Soares Leite, no próprio Fórum de Araçatuba. Ainda segundo apurou a reportagem, dois delegados também serão ouvidos.
No ano passado, o Ministério Público de Araçatuba classificou o assalto como o caso mais complexo do organismo público em toda a sua história. No total, 18 pessoas foram denunciadas, 14 presas após a deflagração da ‘ Operação Homem de Ferro’ , desencadeada pela Polícia Civil em diversos municípios do estado para desmantelar a organização criminosa. Um dos denunciados é da região de Araçatuba e atualmente encontra-se preso.
À época, a denúncia foi oferecida pelos cinco promotores de Justiça de Araçatuba Sérgio Ricardo Martos Evangelista, Francisco Carlos Britto, Flávio Hernandez José, Paulo Domingues Júnior e Adelmo Pinho. No total foi oferecida denúncia para 18 indiciados, quatro deles, identificados como Edson Vieira da Silva, Luken César Burghi Augusto, Paulo César de Assis e Cléber de Andrade Oliveira, que continuam foragidos e já estão com o pedido de prisão preventiva expedido.
Dos acusados, 15 vão responder por latrocínio consumado, tentativa de latrocínio, incêndio e explosão. Os outros três, além desses crimes, também irão responder por associação criminosa, já que também participaram 20 dias depois do crime em Araçatuba de um assalto a outra empresa de valores localizada em Uberaba, Minas Gerais. Uma testemunha de Araçatuba reconheceu um dos acusados por foto, depois dele ter dado ordem de parada a ela em uma rua próxima ao CPI-10 (Comando de Policiamento do Interior 10) de Araçatuba.
As penas para o latrocínio consumado variam de 20 a 30 anos, para os latrocínios tentados, que foram dois, de 13 anos e quatro meses a 40 anos, e o incêndio agravado e a explosão agravado de quatro a oito anos. Também foi atribuído o crime de associação criminosa, cuja pena varia de um a seis meses a quatro anos e seis meses. Na denúncia foi imputado a cada autor o concurso material, ou seja, a somatória das penas. Para cada um seria uma pena mínima de 41 anos e 4 meses e a pena máxima de 86 anos.

O CASO PROTEGE
Os assaltantes agiram com sincronismo em diferentes frentes. Um grupo obrigou um motorista que estava em um posto às margens da Rodovia Marechal Rondon a atravessá-lo na pista. O bloqueio foi na altura do quilômetro 522. A manobra tinha como objetivo impedir a chegada de reforços de outras cidades. Caminhões em chamas foram colocados estrategicamente nas esquinas de acesso ao quartel da Polícia Militar, na Rua Capitão Alberto Mendes Júnior (sede do CPI 10 e do 2º Batalhão). Além disso, bandidos ficaram escondidos na Escola Francisca Arruda (em frente ao quartel), atirando contra os policiais para impedir que saíssem. O objetivo foi sitiar a PM.
Enquanto tudo isso ocorria, outros grupos aterrorizavam aquela região da cidade com centenas de tiros que atingiram veículos e estabelecimentos comerciais. O objetivo era exatamente criar clima de terror.
Já na Protege, a aproximadamente 700 metros do quartel, os bandidos usaram elevada carga de explosivos. A destruição foi total e atingiram casas próximas. Nas proximidades da Protege, os bandidos também fizeram muitos disparos. Rapidamente fugiram levando R$ 10 milhões. Segundo a Polícia Civil, naquele dia havia a quantia de R$ 50 milhões dentro da empresa.

Vitor Moretti
Araçatuba

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