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Revisitando Araçatuba, escritor tenta explicar como a literatura pode explicar o mundo atual

ARNON GOMES – Araçatuba

A manhã de sábado foi de reencontrosna Academia Araçatubense de Letras. Era dia de palestra com o escritor e jornalista Camilo Gomide. Hoje morando em São Paulo, ele foi aluno de Cidinha Baracat, membro da academia. E lá estava ela, prestigiando o seu “discípulo”, toda orgulhosa. Razões para tal não faltava. Gomide estava de volta a Araçatuba, onde moram seus pais e teve a maior parte de sua formação, para falar sobre literatura contemporânea.
Mestre em teoria literária pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Gomide fez a palestra deste mês da academia, abordando o desafio de a escrita trabalhar com a complexidade do mundo atual. “Como a literatura pode compor um retrato fidedigno do mundo pós-moderno?”, indagou o palestrante, que é autor de críticas e ensaios literários e fará parte de uma antologia de contos a ser lançada na próxima Flip (Festa Literária de Paraty).
Este questionamento, segundo ele, é um dos impasses da atual fase da literatura. “Dentre as muitas respostas dadas por diferentes vertentes literárias a esse problema, existe a tendência, entre alguns autores, de buscar uma expressão realista, preocupada em representar o real de modo abrangente, sem repetir os procedimentos do realismo clássico”, analisa. Para ele, “essa literatura se insere num contexto midiático de sede geral por realidade, mas procura se diferenciar de narrativas simplificadoras que, supostamente, nos entregam a vida como ela é”.
Em sua palestra, o estudioso fala sobre o resultado de sua pesquisa de mestrado, citando autores contemporâneos que têm se debruçado a entender a literatura realista contemporânea, suas limitações e possibilidades. “Esses escritores lidam com um problema, que acho central e uma tendência na literatura contemporânea, que é tentar ser realista, mesmo sendo difícil saber que é difícil alcançar o máximo da totalidade e impossível escrever como se escrevia no século 19 com aquela proposta de realismo que retratava a sociedade com objetos e tal. O que eu quero trazer é este tipo de discussão que envolve esse tipo de escrita.

SABÁTICAS
A Academia Araçatubense de Letras promove, a cada dois meses, as chamadas reuniões sabáticas, normalmente, reuniões que ocorrem aos sábados com palestra sobre literatura. A próxima ocorrerá em junho, em dia ainda a ser confirmado, com o escritor Tito Damazo, membro da academia, que irá apresentar uma comparação entre o livro “Fogo Morto”, de José Lins do Rego, e a canção “Aguapé”, de Belchior.

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