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ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA

O clima em Pacaraima, na divisa de Roraima com a Venezuela é permanente tenso, principalmente depois que o presidente Nicolás Maduro fechou a fronteira e as tropas venezuelanas agiram com violência para impedir a saída do país. No meio deste clima de tensão, com militares armados de fuzis, há também aqueles que têm como ferramenta a caneta, a câmera e a força do diálogo e argumento.
Da mesma forma que os militares armados levam segurança, este “batalhão” diferenciado leva tranquilidade e prega a paz, dando alento àqueles que deixam a pátria e entram no Brasil fugindo do caos em que foi mergulha da Venezuela. Neste “batalhão” de soldados armados com o argumento da paz, está o araçatubense Edwaldo Costa, o Guga, filho de Lena e Antônio Edwaldo Dunga Costa. Guga, sem fuzil, mas com caneta e argumentos, dá o apoio necessário aos roraimenses e venezuelanos que atravessam a fronteira.
Segundo o tenente Edwaldo Costa, a Força-Tarefa Logística Humanitária para o estado de Roraima – Operação Acolhida – é uma operação conjunta, interagências e de natureza humanitária, que visa oferecer condições dignas aos imigrantes provenientes da Venezuela, que se encontram em situação de vulnerabilidade.
“Às vésperas da Operação Completar um ano, estão em pleno funcionamento 13 abrigos, sendo 11 no município de Boa Vista e dois no município de Pacaraima. Nestas instalações se encontram cerca de 6.500 imigrantes e refugiados. Desse total de abrigados, cerca de 1 mil estão nos abrigos Janokoida e Pintolândia, que recebem, exclusivamente, indígenas de maioria da etnia Warao, oriundos da Venezuela”, disse o oficial da Marinha.
De acordo com o oficial, a operação é coordenada por um Subcomitê Federal para Interiorização (Ministério da Defesa – Forças Armadas) e tem o apoio da Agência da ONU para Refugiados, OIM, UNFPA, Estados, Municípios e Sociedade civil.
A operação envolve Comitê Federal de Emergência Social, Casa Civil, Gabinete de Segurança Institucional e quase todos os ministério, além de organismos Internacionais, instituições religiosas e clubes de serviço.
Segundo o tenente Guga Costa, a operação desenvolve-se em três pilares: 1- Ordenamento da Fronteira – organização do fluxo imigratório venezuelano, desde a chegada do imigrante à fronteira em Pacaraima; 2 – Abrigamento dos desassistidos e
3 – Interiorização – a estratégia de interiorização é coordenada por um Subcomitê Federal que envolve nove ministérios, em articulação com governos de estados e municípios receptores e organizações não governamentais. Além do ACNUR e da OIM, outras agências da ONU diretamente envolvidas com a estratégia de interiorização são o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
“Juntas, estas organizações identificam locais de acolhida ao redor do país, realizam melhorias estruturais nos abrigos, prestam orientação sobre as cidades de destino, organizam a viagem e o receptivo nos novos destinos, além de conscientizar o setor privado para a absorção da mão de obra refugiada. Especial atenção é dada às mulheres, crianças e grupos mais vulneráveis”, acrescentou o oficial.
Em Boa Vista, as pessoas que aderem voluntariamente à estratégia de interiorização são registradas, documentadas e imunizadas, além receber informações sobre as cidades de destino, e materiais informativos sobre o acesso a serviços e assistência à saúde. As pessoas interiorizadas são acompanhadas durante o voo até as cidades de destino.
“O intuito da estratégia de interiorização é reduzir o impacto da chegada de refugiados e migrantes venezuelanos em Roraima, permitindo que tenham novas oportunidades de integração e ingresso no mercado de trabalho, recomeçando suas vidas e contribuindo para o crescimento das novas comunidades de acolhida”, afirmou o oficial.
No dia 23 de março de 2019, a Operação Acolhida passa a contabilizar mais de cinco mil venezuelanos distribuídos entre 50 cidades de 17 estados.
Veja a lista completa da distribuição por estado:
Interiorização de venezuelanos no Brasil
Amazonas 503
Bahia 75
Distrito Federal 267
Goiás 21
Mato Grosso 190
Mato Grosso do Sul 248
Minas Gerais 75
Paraíba 244
Paraná 545
Pernambuco 268
Rio de Janeiro 283
Rio Grande do Norte 102
Rio Grande do Sul 918
Rondônia 117
Santa Catarina 482
São Paulo 877
Sergipe 35
TOTAL 5.250

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Oficial destaca a ação militar na região de Pacaraima

LR – Quantos militares e de quais forças estão na região?
EC – A missão está no seu quarto contingente. Cerca de 550 militares atuaram em cada contingente, existe um revezamento de militares a casa três meses.
LR – Qual a missão das Forças Armadas na região? Como é desenvolvido o trabalho?
EC – Cooperar com os Governos Federal, Estadual e Municipal com as medidas de assistência emergencial para acolhimento de imigrantes provenientes da Venezuela, em situação de vulnerabilidade (pessoas desassistidas), decorrente de fluxo migratório provocado por crise humanitária.
O estado final desejado é: Ordenamento da fronteira, com um fluxo imigratório controlado, com todos os imigrantes assistidos nos diversos abrigos, estando em condições de serem absorvidos pelo sistema de ensino e mercado de trabalho local, participando do processo de interiorização ou retornando voluntariamente ao seu país de origem.
LR – O que vocês fazem nas horas vagas?
EC – Trabalhamos de segunda a sábado das 9h às 18h. No tempo livre o pessoal vai ao Shopping, aproveita para conhecer a Capital (Boa Vista) e outros.
LR – Como está a integração com os venezuelanos?
EC – A Força-Tarefa Logística Humanitária para o estado de Roraima – Operação Acolhida sempre promove atividades visando a integração de brasileiros e venezuelanos.
LR – Há quanto tempo está na Marinha?
EC – Estou na Marinha desde 2015. Já servi em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e atualmente sirvo no Centro de Comunicação Social da Marinha em Brasília
LR – Qual a sua formação?
EC – Formado em Jornalismo, com Mestrado e Doutorado na área. Termino o Pós-Doutorado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo ou (ECA-USP) em dezembro de 2019.
LR – Relate a experiência de viver no Pantanal, depois Cuiabá, Brasília e agora em e Boa Vista e Pacaraima?
EC – Escolhi uma profissão que permite isso. Morei e naveguei no Pantanal Sul-Mato-Grossense, Mato-Grossense e agora também integro o jornalismo na maior Operação Humanitária do Brasil, que acontece no estado de Roraima.
LR – Isso reflete em como cidadão? E o espírito de brasilidade?
EC – Certamente. Meu trabalho permite conhecer, ajudar, informar e contar histórias que muitas vezes levam a reflexão. Sempre procuro humanizar minhas reportagens. Inclusive, uma sobre a Banda de Música do Exército, foi publicada pelo Presidente Jair Bolsonaro, nas redes sociais dele ( https://www.instagram.com/p/Buo9xsOHsv8/?utm_source=ig_share_sheet&igshid=1ahllzdgixn2d. )
LR – Teve algum problema de adaptação em regiões tão diferentes?
EC – Não. Eu e minha esposa sempre nos adaptamos a qualquer região. A Suélen sempre trabalhou na área dela também (Educação) em todos os estados que moramos.
LR – Consegue divertir-se em meio aos problemas sociais que vivencia?
EC – Sim porque faço a minha parte, dou o meu melhor, ajudo e faço o bem sempre. Tenho um coração bom, igual ao da minha mãe.
LR -Fale um pouco de sua experiência nesta missão.
EC – Está sendo uma experiência extraordinária, trabalhar em conjunto com a comunicação do Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira têm agregado muito profissionalmente. O ganho cultural também é relevante, seja com os roraimenses ou com os venezuelanos. É uma relação de troca enriquecedora tanto para a vida pessoal como profissional.

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