Araçatuba

Bairros da zona sul voltam a ter água, mas Samar terá de dar explicações à Câmara

O Sistema de Abastecimento Jussara voltou a operar normalmente no começo da madrugada de ontem. Foi o fim da agonia de moradores de onze bairros de Araçatuba, abastecidos pelo serviço, que ficaram sem água por três dias seguidos – do sábado até segunda-feira. Segundo a Samar (Soluções Ambientais de Araçatuba), a manutenção para instalação de nova bomba no poço que alimenta o sistema foi concluída no final da noite de segunda-feira.
Com isso, os bairros Jussara, Morada dos Nobres, Esplanada, Ouro Preto, Claudionor Cinti, Clóvis Picoloto, Lago Azul, Iporã, Vila Toscana, Jardim Moreira e Nobreville, que são atendidos pela unidade, voltaram a receber água nas torneiras. A retomada no abastecimento se deu por volta da 0h30, de acordo com a concessionária.
A normalização foi um pouco mais demorada no Claudionor Cinti, com baixa pressão na rede e fluxo fraco nas primeiras horas do dia. Mas, ainda durante a manhã, já estava no mesmo nível.

QUESTIONAMENTO
Apesar da regularização, a empresa responsável pelo abastecimento de água na cidade terá que dar explicações sobre o problema. Na noite da última segunda-feira, enquanto técnicos da Samar tentavam resolver o transtorno na zona sul de Araçatuba, a Câmara aprovava requerimento que cobra explicações do município sobre o episódio.
O pedido de informações é assinado pelos vereadores Cláudio Henrique da Silva (PMN), Denilson Pichitelli (PSL), Cláudia Crepaldi (PCdoB), Rivael Papinha (PSB) e Gilberto Batata Mantovani (PR).
Nele, os parlamentares querem saber se a agência reguladora Daea (Departamento de Água e Esgoto de Araçatuba) é informada todas as vezes que serão realizada quaisquer manutenções programadas ou emergenciais pela Samar. A pergunta está relacionada à principal causa apontada pela empresa para a interrupção no fornecimento de água: a substituição de rede de adutoras. O mesmo aconteceu no sistema da avenida Odorindo Perenha, zona leste, fazendo com que os bairros Concórdia, Panorama, Alvorada, Pinheiros, Vicente Grosso, João Batista Botelho e condomínios Royal Boulevard e Alphaville passassem parte do sábado na seca.
Os vereadores prosseguem o requerimento, questionando “o que está sendo tratado”, uma vez que a concessionária deixou de comunicar o fato à população com antecedência. “O que a Samar fez, desde o primeiro dia da falta de água, para amenizar o sofrimento das milhares de famílias que residem na zona sul do nosso município?”, indagam. Por fim, cobram um relatório detalhado de tudo o que aconteceu na manutenção.
O poder público tem 15 dias para responder aos vereadores. O prazo pode ser prorrogado, se necessário.

UM DIA ANTES
Na segunda-feira, quando a escassez ainda atingia a zona sul, o prefeito Dilador Borges (PSDB) se reuniu com diretores da Samar, membros da agência reguladora e vereadores no Paço Municipal. Na oportunidade, o chefe do Executivo cobrou da concessionária uma revisão em seu plano de contingência, o que foi atendido pela empresa.
Naquele dia, os moradores só não ficaram totalmente sem água porque três caminhões-pipa atenderam as localidades afetadas. Um veículo ficou em frente ao Corpo de Bombeiros, na rua Lions Clube, no bairro Morada dos Nobres; outro, entre as ruas Antonio Bazarqui Primo e Antonio Eufrásio Toledo, no Claudionor Cinti; e, por fim, em frente à Emeb (Escola Municipal de Educação Básica) Antonio Rodrigues Martins Neto, no bairro Lago Azul.

Em documento, vereadores apontam divergência de informações

No requerimento aprovado na segunda-feira, os vereadores ainda questionam a prestação de informações da Samar à população sobre a falta d’água.
Segundo Cláudio, Papinha, Pichitelli, Cláudia e Batata, um representante oficial da empresa, em entrevista, havia afirmado que a manutenção responsável por causar o problema já era esperada.
Entretanto, os representantes do Legislativo sustentam que, ao observar publicações na página oficial da Samar em rede social, a primeira publicação referente à manutenção se deu apenas no dia 8 de março, às 17h44.
Eles ressaltam que, desde quinta-feira (7 de março), eram constantes as reclamações nas redes sociais sobre a falta d’água, classificando como uma “verdadeira catástrofe” o que aconteceu.
Por isso, apresentaram o requerimento.

ARNON GOMES
Araçatuba

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