Araçatuba

Aumento dos casos de dengue preocupa estado e municípios

Nas últimas semanas do ano passado e nas primeiras deste ano, várias cidades da região registraram muitos casos de dengue. Pelo menos cinco pacientes foram internados na Santa Casa de Araçatuba para tratamento da doença. O ex-prefeito de Guaraçai, Habbib Asseis, morreu em decorrência de dengue. Diante deste quadro, vários municípios estão intensificando o trabalho no combate as criadouros e uso de inseticida. O governo do Estado tem apoiado os municípios por meio de várias secretarias.0
” O Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo informa que a dengue é sazonal e sua incidência tende a aumentar no verão, período que favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Além disso, trata-se de uma doença cíclica, com oscilação de casos e aumento a cada três/quatro anos, em média. Em 2015, por exemplo, São Paulo registrou recorde de infecções, com 709.445 casos. Somente em janeiro daquele ano, foram 41.844 casos, número três vezes maior do que o que se verifica em 2019, até o momento. De janeiro até a primeira quinzena de fevereiro, foram confirmados 13.472 casos de dengue em SP”, diz nota da Secretaria de Estado da Saúde.
Segundo a secretaria, dez cidades concentram 66% dos casos de dengue confirmados e somam 8.912 casos. As cidades com maior número de casos são: Bauru (2.313); Andradina (1.966); Araraquara (1.436); São José do Rio Preto (998); Barretos (521); São Joaquim da Barra (452); Ipuã (394); Palestina (324); Agudos (258); e São Paulo (250). “Nesse mesmo período, cinco casos evoluíram para óbito, sendo dois em São Joaquim da Barra, dois em Rio Preto e um em Araraquara”, acrescentou nota da secretaria, que ainda não havia registrado o caso de Guaraçai.
“Conforme diretriz do SUS (Sistema Único de Saúde), o trabalho de campo para combate ao mosquito Aedes aegypti compete primordialmente aos municípios. O Estado presta auxílio por meio de treinamentos técnicos, além de apoio, sempre que necessário, do efetivo da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) para ações de nebulização, entre outras. Entre os dias 11 e 16 de fevereiro, por exemplo, o Estado de São Paulo coordenou a intensificação das estratégias de combate ao Aedes, que incluíram parcerias intersecretariais (Saúde, Educação, Defesa Civil, Infraestrutura e Meio Ambiente, Artesp) e outros órgãos que atuaram juntos em ações especiais para eliminar criadouros do mosquito e orientar a população. A semana também abrangeu visitas técnicas em serviços de saúde, videoconferências e capacitações de profissionais de saúde para manejo clínico de pacientes com suspeita de dengue”, acrescentou a nota.
Para a Secretaria da Saúde, o apoio da população é fundamental para evitar focos do mosquito transmissor da dengue, “uma vez que cerca de 80% dos criadouros estão em residências”.

PREOCUPAÇÃO
Devido ao elevado número de casos da doença, Andradina decretou estado de emergência para facilitar as ações de combate. Porém, há outros municípios com quadros preocupantes, como Guaraçai, Araçatuba e Pereira Barreto, que chegou a enviar pacientes para tratamento no Hospital Regional de Ilha Solteira e na Santa Casa de Araçatuba.
Levantamento feito pela reportagem de O LIBERAL REGIONAL no Centro de Vigilância Epidemiológica indica que até o dia 15 de fevereiro, os casos de dengue na região do Departamento Regional de Saúde de Araçatuba (DRS 2) já tinham superado todo o ano passado. Veja a tabela com os números da dengue na região.

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Saúde quer ajuda da população para combater a dengue

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O aumento nos casos de notificação de dengue nas últimas quatro semanas, principalmente zona leste, bairros Hilda Mandarino e Umuarama, foi pauta de reunião que aconteceu nesta semana na Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Araçatuba.
Realizada mensalmente e conforme necessidade epidemiológica, a reunião tratou de assuntos referentes a ações de combate à dengue, análise situacional para tomada de decisões, elaboração de ações e avaliação no intuito de seguir os casos onde ocorrem, afim de impedir reincidências.

População precisa colaborar

Segundo a SMS, os maiores obstáculos para o combate à dengue no município são a quantidade de imóveis fechados e a recusa dos moradores à entrada dos agentes comunitários e de controle de endemia. “Talvez por entenderem o ato como incômodo ou invasão de privacidade, essa postura dos moradores ocorre em todas as regiões da cidade e diminui a efetividade do trabalho dos agentes. É importante a conscientização de cada proprietário para que facilite a abertura destes imóveis, permitindo que seja realizado o trabalho das equipes”, explica Carmem Guariente.
“A Secretaria de Saúde precisa da colaboração de todos com o envolvimento nestas ações de combate à dengue, que os moradores compreendam a importância do trabalho dos agentes de saúde e que os atendam, facilitando assim a execução do seu trabalho, bem como os de orientação e conscientização. Alertamos que, na suspeita de um caso de dengue, a equipe de controle de vetores, obrigatoriamente, deve realizar visita ao entorno, com raio de 200m da residência em questão, para eliminar os criadouros dos mosquitos”, reforça Guariente.
A SMS ainda esclarece que o procedimento de nebulização só é executado em ocorrências de caso positivo, quando a suspeita de dengue é confirmada por exame. É necessário que, pelo menos, 85% por cento dos imóveis da área visitada tenham recebido a visita dos agentes de saúde e os criadouros tenham sido eliminados.
“A elaboração de ações dos órgãos gestores do município, a conscientização e envolvimento de todos os profissionais de saúde com o apoio da população para as tomadas de medidas são de fundamental importância para a redução dos casos”, finaliza a secretária.

 

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