Araçatuba

Motorista de Uber é agredida por taxista; casos do tipo viraram rotina

A manhã de ontem foi de constrangimento para uma motorista de transporte por aplicativo, em Araçatuba.
Perto do meio-dia, ao buscar uma passageira em uma farmácia, na rua Princesa Isabel, próxima ao calçadão do Centro, parou seu veículo à frente de um carro de taxista. Logo, acionou o pisca-alerta, uma vez que a cliente ainda ia sair da farmácia. Daí, o susto. Muito exaltado, o motorista do táxi se dirigiu à condutora do Uber, exigindo que ela deixasse a vaga de imediato. Dizia que se tratava de área particular.
Nervosa, a motorista afirmou que estava apenas aguardando a passageira. Mesmo assim, ela não conseguiu conter a insatisfação do taxista, que lhe dirigiu palavrões e ofensas.
O pior aconteceu quando a mulher saiu do carro. O taxista voltou a lhe dizer palavras de baixo calão, bateu no carro dela e iniciou a agressão física. Para se defender, a mulher do transporte por aplicativo o arranhou. O tumulto aumentou. Funcionário de uma loja saiu em defesa da motorista, assim como a passageira. De acordo com populares que acompanharam a cena, essa não foi a primeira vez que o taxista agiu dessa forma. Minutos depois, policiais chegaram ao local e um boletim de ocorrência foi registrado.
A condutora já adiantou que irá processá-lo. A suspeita dela é que agressão ocorreu pelo fato de trabalhar com Uber. No próximo dia 15, fará um ano que este serviço começou a funcionar em Araçatuba, tornando-se uma alternativa de transporte rápida e barata. Desde então, têm sido frequentes os casos de agressões a motoristas que fazem esse tipo de trabalho na cidade, seja por parte de prestadores de serviços concorrentes, falsas corridas e tentativas de assalto. Só para citar um dos episódios já noticiados por O LIBERAL REGIONAL, no feriado de 12 de outubro do ano passado, no bairro Chácaras Recreio, um motorista apanhou e teve seu carro roubado. O automóvel foi localizado pelos policiais na manhã do dia seguinte.

REPÚDIO
O caso chegou ao conhecimento da Associação dos Motoristas de Transporte por Aplicativos de Araçatuba e Região, que, à tarde, divulgou nota de repúdio. “Nós, diretores e associados da ATAPP – Associação dos Motoristas de Transporte por Aplicativo de Araçatuba e Região, repudiamos a atitude lamentável de um taxista contra a Sra. F.R., motorista de aplicativo da cidade de Araçatuba, que no dia de hoje (19/02/2019) foi agredida fisicamente e verbalmente pelo motorista de táxi. A mesma estava fazendo apenas seu serviço por aplicativo e atendeu uma usuária que solicitou a chamada”.
Ainda no texto, a entidade informa que acionou seu departamento jurídico para tomar as medidas cabíveis contra o agressor. E prossegue: “Lamentamos este tipo de atitude que nos assombra, pois somos uma categoria de pessoas honestas e trabalhadoras, que levamos os sustentos aos nossos lares, que sempre prezamos pelo respeito à diversidade, independentemente de gênero, raça, opção sexual, religião, idade e classe social. Os usuários são pessoas e todas as pessoas merecem ser tratadas com o máximo respeito. E também zelamos pela nossa integridade física e melhores condições de trabalho e segurança”.

Cidade já conta com 600 motoristas de transporte por aplicativo

Autor da lei municipal que permitiu a implantação do transporte por aplicativo em Araçatuba e advogado que dá amparo jurídico à associação da categoria, o vereador Alceu Batista de Almeida Júnior (PV) diz que o episódio registrado reflete uma situação que tem sido recorrente em todo o Brasil desde o advento do serviço.
“Ultimamente, tem acontecido em vários lugares do País e em Araçatuba também o confronto de taxistas contra motoristas da Uber”, avalia Alceu, que redigiu o estatuto da associação.
Segundo Alceu, hoje, a cidade conta com cerca de 600 motoristas nessa atividade, divididos entre a Uber, 99 app e Divas Driver, este voltado para o atendimento exclusivo de mulheres. Isso, no entendimento do parlamentar, tem aumentado o “conflito” com os taxistas.
O próprio presidente da associação, Thiago Reis, relata já ter sofrido agressão também. Ele afirma que já sofreu agressões em pelo menos duas ocasiões. Ele cita ainda episódio recente em que um grupo de taxistas cercou um motorista da 99 e quebrou o retrovisor do carro dele.
O representante da categoria promete levar a situação enfrentada pelos condutores à Prefeitura, à Polícia Militar e ao Ministério Público para que providências sejam tomadas. “Repudiamos qualquer tipo de coação, agressões, intimidações ou qualquer ato do gênero”, finaliza Reis.

ARNON GOMES
Araçatuba.

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