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Vitor Moretti – Santo Antônio do Aracanguá

A história parece roteiro de filme, mas não é. A realidade é a mais pura prova de amor, mesmo depois de incertezas, arrependimentos, encontros e despedidas, como já dizia a canção de Maria Rita. E tudo aconteceu perto de Araçatuba, em Santo Antônio do Aracanguá. A dona de casa Ângela Maria de Souza Câmara, 43 anos, encontrou o filho, Nizar Caio de Souza Câmara, 25, depois de 22 anos separados.

Para recontar a história de vida dos dois, temos que voltar ao ano de 1993, ano de nascimento de Caio. Ângela tinha 17 anos na época. Uma vida marcada por irregularidades. Além do filho mais velho, ela também teve outro, chamado Lucas.

Mas pelos sucessivos problemas, a Justiça determinou a retirada da guarda dos meninos da dona de casa. Eles ainda eram pequenos e foram colocados em um orfanato de Araçatuba e lá ficaram disponíveis para adoção. O caçula foi adotado por uma família de São Paulo, já o primogênito por uma família de holandeses.

Depois disso, Ângela não teve mais notícias dos filhos, apesar que naquela idade, ela ainda não tinha a dimensão do que estava acontecendo. “Eu não estava nem aí para filhos, para a vida, para nada. A minha ficha só foi cair quatro anos depois, quando eu percebi que tinha perdido as duas coisas mais preciosas: os meus filhos”, contou com lágrimas nos olhos à reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL.

Os anos se passaram e a dor só aumentava. Em determinado momento, a dona de casa descobriu o paradeiro do filho mais novo, mas ele não quis se reaproximar da mãe. Já o local onde estava Caio era incerto até o início deste ano.

No dia 13 de janeiro de 2019, Ângela estava na casa de amigas. “Elas me perguntaram se eu já havia tentado achar o Caio pelas redes sociais. Então, as minhas amigas digitaram o nome dele no Facebook e o encontraram como Nizar Caio de Souza Câmara”.

Os pais adotivos não trocaram o nome do rapaz, só acrescentaram Nizar. Ângela não acreditou, depois de décadas ter localizado àquele que primeiro deu à luz. “Eu comecei a chorar, não consegui fazer nada. As minhas amigas conversaram com ele e tiveram a confirmação de que realmente eu era a mãe”.

O brasileiro revelou que tinha poucas lembranças da infância em Santo Antônio do Aracanguá e sabia que sua mãe biológica chamava-se Ângela. Ele também tinha o conhecimento da adoção precoce. Ao ter coragem de falar com o filho, a dona de casa pediu perdão. Os dois choraram. O coração de mãe falou mais alto. “Ele me perdoou. Naquele momento, eu tive a certeza de que era o meu filho”.

Desde então, os dois se falam todos os dias, seja por ligação de voz ou vídeo no WhatsApp. Passada a emoção do reencontro surgiram os problemas e as surpresas. Ângela descobriu que o filho mudou-se com os pais adotivos para a Holanda aos sete anos de idade. A adolescência do jovem foi marcada por revolta pelas drogas. A reportagem do jornal O LIBERAL conversou com o brasileiro por ligação de vídeo. Com o português carregado de sotaque, ele contou os anos de sofrimento que passou no país holandês.

“Eu perguntava sobre a minha mãe aos meus pais adotivos e eles não aceitavam isso. Chegou certo dia, quando eu tinha 17 anos, que a situação ficou insustentável e eles me mandaram embora de casa para eu voltar ao Brasil e conhecer a minha família biológica”, disse emocionado.

O rapaz não conseguiu voltar ao país de origem. Teve dois relacionamentos com duas mulheres holandesas. A última está grávida, mas a relação chegou ao fim recentemente. Sem emprego e sem dinheiro, o jovem vive, hoje, nas ruas da Holanda.

“Eu me alimento em abrigos e durmo na rua. Eu não aguento mais isso aqui. Não é o meu país, passo frio. Só quero voltar para o Brasil e conhecer a minha mãe”, contou com as lágrimas caindo do rosto.

Presenciar essa situação deixa a Ângela ainda mais com culpa por tudo o que aconteceu e o que está acontecendo. Ela também não tem condições de trazer o filho de volta. Eles precisam de 700 euros, cerca de três mil reais. Por conta disso, ela decidiu levar a história para as redes sociais e pedir ajuda, mas até agora não conseguiu levantar fundos para comprar a passagem aérea. Enquanto isso, ela tem medo. É a vida do filho que está em jogo.

“É muito amor por ele, muito amor. É amor que não se mede. A gente não come, não dorme. Eu só quero que ele volte para a casa”, implora.

AJUDA

Quem puder, pode ajudar a Ângela a trazer o filho de volta. O contato da dona de casa é pelo celular, através do número (18) 99662-4623.

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