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Livro fala sobre os 110 anos da ocupação do Noroeste Paulista

ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Mostrar como os diferentes ciclos econômicos contribuíram para a formação daquela que é uma das principais fatias do interior do Estado. Este é o objetivo do livro “A formação socioespacial da Noroeste Paulista – 110 anos”, escrita pelo pesquisador científico do IEA (Instituto de Economia Agrícola) do Estado, Danton Leonel de Camargo Bini, de Araçatuba. A obra, inicialmente, está disponível para o público por e-book (versão digital).
Nela, o autor dá ênfase nos ciclos econômicos liderados pelas culturas agropecuárias predominantes durante sua história. Começa com o modo de vida dos índios caingangues, passa pela instalação da ferrovia Noroeste do Brasil, chegando à cultura do café nas primeiras décadas do século 20.
Em uma das passagens do livro, ele destaca a importância da ferrovia na ocupação do Noroeste: “Do início da ocupação capitalista na primeira década do século XX até os anos de 1950, o que se classifica hoje como regiões administrativas do Estado de São Paulo não existia como delimitação oficial rígida e precisa. As regiões ou
subdivisões do espaço geográfico paulista apenas indicavam as grandes áreas de ocupação conquistadas pela elite paulista através da instalação das ferrovias. As regiões eram denominadas segundo a formatação das companhias ferroviárias que no espaço geográfico se anexaram”.
Depois, o livro alcança o período algodoeiro, de 1930 a 50. Avança ao que ele chama de “hegemonização” da pecuária bovina de corte, entre 1950 e 80. O período que vai dos anos 80 – pegando ainda o período do Pró-Álcool, criado pelo governo à época a fim de combater a crise do petróleo – até os desdobramentos do domínio da cana-de-açúcar e da pecuária no anos 2000 encerra o trabalho.
De tudo o que estudou, Danton faz um visão crítica sobre a forma como se deu a ocupação regional. “O que mais se destacou nesse processo foi a concentração das pastagens o uso do espaço agrário regional na segunda metade do século 20”, diz. “A pouca diversidade nas inversões da riqueza gerada pela pecuária em outras atividades produtivas atrasou o desenvolvimento econômico de vários municípios, inclusive a capital regional, Araçatuba.”
Para o estudioso, a pecuária foi responsável por gerar um esvaziamento populacional na região de Araçatuba na comparação com as outras duas principais regiões do Oeste Paulista – São José do Rio Preto e Presidente Prudente. Isso porque, avalia ele, demandava pouca mão de obra em seu processo produtivo.
Todas estas conclusões, agora reunidas no livro, são frutos de um trabalho de investigação por ele desenvolvido durante uma década, entre 2005 e 2015. Nesse período, ele realizou seu mestrado e doutorado no Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana na USP (Universidade de São Paulo.

 

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