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Muito prazer, papai noel

ARNON GOMES – ARAÇATUBA

A pergunta já virou uma máxima, entre as crianças, durante período natalino: Papai Noel existe?

A figura pode ser fictícia, mas carrega uma magia capaz de reunir famílias em longas filas atrás apenas de uma foto ou uma bailinha como presente. É o que se observa, facilmente, seja nos shoppings, no calçadão ou na praça Rui Barbosa, em Araçatuba.

Mas, por trás desses personagens rechonchudos, de barba branca e encantadores, há cidadãos que guardam grandes histórias superação, fé e de costume em levar alegria às pessoas.

A reportagem de O LIBERAL REGIONAL conversou com três papais noeis de Araçatuba que estão levando sorriso às crianças neste mês, às vésperas do Natal.

Interpretação com emoção

Aos 66 anos de idade, Ademir Rodrigues Bonfim ainda é capaz de se emocionar ao abrir cartinha recebida de um menino, do município de Gastão Vidigal, com os dizeres: “Papai Noel, eu amo você”. Mas como se comover com um gesto de carinho tão singelo vindo de uma criança se Ademir interpreta esta figura natalinha há exatos 15 anos?

Amor é a melhor definição. “Amo fazer isso. Está dentro de mim. Incorporo mesmo o bom velhinho. Sinceramente, nunca fiz isso por causa do ganho extra. Se eu não fizer, fico doente”, conta o idoso, que, neste ano, é o Papai Noel que tem recebido as crianças no “Natal Iluminado”, na praça Rui Barbosa, em Araçatuba.

Mas sua história representando um dos personagens símbolos do Natal começou em uma das menores cidades da região, Nova Luzitânia, que tem pouco mais de três mil habitantes. Foi no município onde nasceu que começou sua saga de Papai Noel. A empatia é tanta que, diz ele, muitas vezes, é mais reconhecido pelo personagem interpretado do que pela profissão exercida: monitor de curso de panificação e confeitaria. “Lá (em Nova Luzitânia), havia uma pessoa que fazia, mas não se encaixava muito bem. Acabei assumindo e tomei gosto”, destaca Ademir, que, ainda hoje, faz a chegada do Papel Noel em Nova Luzitânia. E a agenda está cheia até o próximo dia 24. Na próxima semana, fará entrega de presentes em Buritama e, na véspera do Natal, tem compromisso em Nova Luzitânia.

Mas para um homem que já era emotivo, desde o ano passado, a celebração natalina lhe deixa ainda mais emocionado. O Natal deste ano será o segundo sem o filho de 36 anos, morto em acidente de trânsito em setembro de 2017. “Então, na hora em que incorporo o Papai Noel, passa todo esse filme na minha cabeça”, diz Ademir, também sob lágrimas. E ele já prepara um sucessor. Seu neto Geovani, de 13 anos, já o acompanha nas apresentações, vestindo-se a rigor. “Desde os 6, quando eu fazia umas roupinhas, ele começou”, conta.

Na limousine, um sonhador

A última chegada de Papai Noel que atraiu grande público, em Araçatuba, ocorreu no último dia 7. E foi de um senhor “mal acostumado” com o glamour. Pelo segundo ano consecutivo, o “bom velhinho” que inaugurou a programação de Natal da Associação dos Lojistas do Calçadão se apresentou, saindo de uma limousine.

Só que, por trás do famoso personagem, há uma figura bastante conhecida no meio cultural da cidade: Rosvel Meneses, dirigente da Virada Sol, escola de samba mais antiga de Araçatuba, com 46 anos de existência.

Assim como no carnaval, Rosvel também tem estrada longa no Natal. Já são 20 anos de Papai Noel. Tudo começou em 1998, quando substituiu, na função, o professor José Antonio Rodio, que deixou Araçatuba para lecionar em Goiás. “Ele era, junto com Claudia Pentelhão, o casal Noel oficial do municipio”, diz Rosvel.

Desde então, dezembro tem reservado momentos inesquecíveis para este senhor de 66 anos de idade. Por 12 anos, interpretou a figura natalina dentro de um supermercado. Em 2016, portanto antes de começar a desfilar com o pomposo carro da associação dos lojistas, por conta própria, prestou homenagem aos motoristas do transporte coletivo urbano. “Resolvi, para surpresa de todos, chegar de ônibus e fui assim em quase todos os dias”, relembra.

“Ser Papai Noel é acreditar que sonhos reais existem. Basta acreditar naquele momento. Só quem usa essa fantasia percebe

esses sonhos de momento. Nós sabemos dessas diferenças”, reflete Rosvel.

Fé e ficção

Morador de Votuporanga, João Neves sabe unir a figura fictícia do Papai Noel ao lado religioso. Devoto de Santos Reis, ele conta que, certa vez, fez uma intenção num momento em que sua barba estava muito grande. Depois, ao passear em um shopping, com seu seu filho, em São José do Rio Preto, encontrou um empresário de papais noeis que lhe convidou para interpretar o personagem. De imediato, o convite não se concretizou. Só depois que veio a ser chamado para desempenhar o papel em uma rede de supermercados de Votuporanga, onde ficou por oito anos.

Em 2018, pelo terceiro ano consecutivo, ele é Papai Noel do Shopping Praça Nova, em Araçatuba, fruto da indicação feita por um diretor de marketing de outro centro de compras onde Neves também representou o personagem. “Para mim, estar aqui, recebendo o público de Araçatuba e região, é uma felicidade. Sempre fui muito apegado às crianças”, conta Neves, que dá um conselho aos pais. Segundo ele, nem sempre trazer crianças ainda bebê até os 3 anos é recomendável. “Muitas vezes, elas têm medo”, afirma.

Todo esse amor pelas crianças já fez muitas delas virarem seus xodós. Prova dessa relação está no nome de muitas delas os quais ele não esquece. E haja disposição! Por dia, sempre das 13h às 21h, como Papai Noel, este consultor financeiro, que já foi gerente de banco, tira, em média, de 300 a 400 fotos com visitantes.

 

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