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Direção do estaleiro confirma manutenção da indústria em Araçatuba

ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA

A informação da aprovação de prioridade do Fundo da Marinha Mercante de crédito de R$ 68,4 milhões para construção de 15 embarcações no Estaleiro Rio Tietê, em Araçatuba, foi a notícia esperada pela direção da empresa há muito tempo. O diretor comercial Fábio Vasconcellos, que está no Pará,  por telefone, disse que a disposição da direção da empresa é manter a unidade em Araçatuba. Para tanto, estão prospectando e buscando alternativas. O possível contrato de R$ 68,4 milhões reforça a ideia de permanecer em Araçatuba. O Estaleiro Rio Tietê é resultado da sociedade entre o Estaleiro Rio Maguari (Pará) e o empresário Wilson Quintella

Quanto à construção das 15 embarcações, Fábio Vasconcellos disse que deve começar apenas no segundo semestre de 2019. “Com a aprovação em reunião do Fundo da Marinha Mercante, o próximo passo é a análise de todo o processo, incluindo projetos e garantias pelo agente financeiro. Isso pode demorar até 10 meses”, disse Fábio Vasconcellos. O empréstimo será contraído pela Caramuru Alimentos, que vai operar as embarcações.

Segundo o diretor comercial, as barcaças aprovadas são diferentes das encomendadas pela Transpetro. As primeiras barcaças construídas em Araçatuba eram destinadas ao transporte de líquido. As novas barcaças são para carga seca (grãos). O pacote prevê a construção de empurradores fluviais de 900HP, seis barcaças tipo box e seis barcaças tipo raked. A a partir do início dos trabalhos, a previsão é de um ano para concluir a encomenda. Neste período serão gerados aproximadamente 150 empregos diretos e 600 indiretos.

 

MANUTENÇÃO

O diretor comercial do Estaleiro Rio Tietê disse que atualmente 50 profissionais estão trabalhando na unidade. Recentemente, o estaleiro fez a recuperação de barcaças. Com servios, a unidade está sendo mantida. São profissionais técnicos e administrativos.

 

TRAJETÓRIA

O Estaleiro Rio Tietê começou a ser construído em 2011. Porém, enfrentou vários problemas, como questão ambiental e depois, inergia insuficiente para operar a unidade. A primeira barcaça começou a ser montada no dia 29 de outubro de 2012. Foi entregue apenas em setembro de 2013.

Quando a produção das barcaças entrou em ritmo normal, estourou a Lava Jato, atingindo em cheio em Petrobras e a Transpetro, que havia feito a encomenda de 20 comboios. Tudo se complicou.

Para agravar ainda mais a situação, em 2014 e 2015, a navegação foi suspensa em trecho da Hidrovia Tietê-Paraná, desestimulando novos investimentos no setor. Diante deste quadro, o Estaleiro Rio Tietê desacelerou, mantendo apenas uma equipe de manutenção.

 

Obra canal hidrovia Avanhandava (46).JPG

O diretor comercial do estaleiro, Fábio Vasconcellos mostra-se otimista em relação ao setor. Ele cita como exemplo os investimentos que estão sendo feitos a jusante da Usina de Nova Avanhandava. A obra preve aumentar a profundidade do canal. “Isso da mais segurança aos operadores da hidrovia, que sofreram com a suspensão da navegação em 2014 e 2015”, disse o executivo.

Além disso, segundo Fábio Vasconcellos, depois paralisação parcial da hidrovia, o setor está se consolidando. Em 2017 foram transportadas 8,95 milhões de toneladas pela Hidrovia Tietê-Paraná. Para este ano, a previsão é de chegar a 10 milhões de toneladas.

“Isso pode motivar as empresas que operam na hidrovia a fazer novas encomendas”, disse o diretor comercial, frisando que a empresa analisa, também, vender embarcações para outras regiões do país. “Recentemente estive no Paraguai, mas a navegação no Rio Paraguai não está crescendo”, disse Vasconcellos. Assim, os olhos voltam-se para o mercado brasileiro. “As perspectivas são de crescimento da economia”, afirmou.

 

Estaleiro quer aproveitar estrutura para diversificar a produção

A instalação do Estaleiro Rio Tietê em Araçatuba demandou elevados investimentos na estrutura física, compra de equipamentos específicos e a formação de obra qualificada. Trata-se, na realidade, de uma indústria metalúrgica originalmente voltada à construção de embarcações. No entanto, isso não impede de atuar em outros segmentos. O mercado pode determinar a linha de produção.

Segundo o diretor comercial, Fábio Vasconcellos, o estaleiro tem condições técnicas e operacionais para produzir estruturas metálicas pesadas, como galpões industriais ou de armazenamento. Vasconcellos citou como exemplo que a unidade pode construir vagões. Ou seja, pode atuar na área de transporte, mudando apenas o modal. O Estaleiro Rio Maguari, sócio no empreendimento de Araçatuba, tem diversificada linha de produção nos segmentos náuticos e industrial.

Como indústria metalúrgica, o estaleiro está apto a atuar em diferentes áreas. É exatamente isso que a direção da unidade está buscando. Quer alternativas para manter a indústria em operação.

 

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