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Pela primeira vez em 12 anos, indústria regional contratou mais do que demitiu em novembro

ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Perto de terminar o ano, a indústria regional tem um dado a comemorar. Pela primeira vez em 12 anos, as fábricas, na região, de Araçatuba, contrataram mais do que demitiram no mês de novembro.

A constatação está na pesquisa Nível de Emprego na Indústria, divulgada ontem pela Ciesp (Confederação das Indústrias do Estado de São Paulo) e pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Na média, os 34 municípios pesquisados pelas entidades ligadas ao setor terminaram com variação de 0,46%, o que significou aumento de aproximadamente 250 postos de trabalho.

O desempenho deixou o território, no mês passado, na segunda melhor posição entre as 36 regiões administrativas do Estado pesquisadas. Ficou atrás apenas da Baixada Santista, a que mais contratou, com saldo de 0,5%. O percentual de Araçatuba supera ainda a média estadual, que ficou em -0,67%.

O resultado positivo foi ligeiramente puxado por um segmento: coque (combustível derivado do carvão), petróleo e biocombustíveis, que terminou com variação de 10,36%. “Foi o setor que mais influenciou o cálculo do indicador total da região”, dizem a federação e a confederação, no estudo. No ano passado, também em novembro, este mesmo campo de atuação havia terminado com variação de -1,55%. Fora este ramo, o único que admitiu mais do que dispensou foi o de móveis, porém, com variação bem abaixo: 1,18%.

Com a disparada no penúltimo mês do ano da atividade que é um dos pilares de sua economia, a região registrou o melhor novembro na série histórica da pesquisa. No ano passado, por exemplo, a variação média do período nas 34 cidades ficou em -1,74% – confira os dados no quadro.

COMPARATIVOS

Faltando apenas uma pesquisa, referente a este mês, para um balanço final da geração de emprego na indústria, 2018 apresenta resultado positivo na criação de postos de trabalho na manufatura regional até o momento.

O acumulado, no ano, chega a 1,82%, o que significa acréscimo de cerca de 950 vagas. Esse indicativo deixa a região na décima segunda posição no Estado quanto à totalização em 2018.

Os números divulgados nessa sexta-feira revelam também a interrupção de um período de três meses consecutivos em que as demissões superaram as contratações na região de Araçatuba. O último mês com variação positiva havia sido julho, quando foi registrado o melhor resultado no ano (1,98%), coincidentemente também puxado pela área de coque, petróleo e biocombustíveis. Os outros meses com resultado positivo foram março, abril e maio.

O acumulado, no entanto, só não é satisfatório se o balanço for feito com base nos últimos 12 meses. Em um ano, a variação é de -2,16%, o que representa o fechamento aproximado de 1.150 postos de trabalho.

Necessidade dos canaviais impulsionou bom resultado

O diretor regional da Ciesp, Samir Nakad, atribui o resultado da indústria regional em novembro a um fator sazonal: a necessidade de replantio dos canavais, o que impulsionou de tal formas as contratações no setor de coque, petróleo e biocombustível em Araçatuba.

O resultado da região nesse segmento foi tão expressivo que, no Estado, sua posição no ranking de participação do setor na indústria paulista foi apenas a 18ª, consequência do corte de 1.720 vagas no último mês.

“A cana tem um ciclo que dura aproximadamente cinco anos. E muitos canaviais precisaram ser plantados novamente para voltar a produzir. Isso gerou, então, a necessidade desses 250 postos de trabalho quase somente na usina. Então, este foi o fator específico ocorrido neste ano”, analisa o dirigente. “Não foi uma melhora na economia, nada que a gente possa dizer que gerou 250 postos a mais. Houve apenas esta situação sazonal, que é o replantio das lavouras de cana, ocorrido em novembro. Mas, melhor ter 250 postos a mais do que não ter nada.”

CONTRAMÃO

Dessa forma, pelo menos no último mês, o resultado região de Araçatuba caminhou na contramão observado em todo o Estado de São Paulo, na média. Os postos de trabalho na indústria paulista foram reduzidos em novembro após o fechamento de 14,5 mil vagas, conforme a Ciesp e a Fiesp. O resultado negativo já era esperado, com a dispensa de funcionários  temporários e o fim da safra agrícola.

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