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Ritinha Prates: vida e obra inspiradoras

DA REDAÇÃO – ARAÇATUBA

Ritinha Prates foi uma pessoa diferenciada, uma raridade, daquelas poucas que conhecemos em vida e que contamos nos dedos de uma só mão. Ser humano singular, foi especial de tal forma que dá nome a uma das mais significativas entidades assistenciais da região de Araçatuba, a Associação de Amparo ao Excepcional Ritinha Prates, que engloba o Hospital Neurológico e o Centro Especializado em Reabilitação (CER) – referências regionais no tratamento de pacientes com problemas auditivos, visuais e físicos, assim como de pessoas com problemas neurológicos profundos e irreversíveis, respectivamente.
Nasceu Rita da Silva, ficou conhecida pelo nome no diminutivo, viveu dando exemplos humanitários e motivadores. Bondosa e humilde, casou-se com Gerôncio Prates, com quem teve dois filhos: Alice e Agenor (este acabou morrendo com apenas seis meses de idade. Pouco tempo depois, em 1917, o marido também faleceu, deixando-a com a filha, então com dois anos.
Para que nada faltasse a Alice, sacrificou-se no trabalho, sem jamais deixar de lado os bons ensinamentos e a oração divina. Como conta o médico, escritor e membro da Academia Araçatubense de Letras (AAL), Lourival Amilton Lorico Lautenchläger, no texto Eternamente Alice (Nos Trilhos do Centenário, Passageiros de Araçatuba, 2009)3, Ritinha e Alice moravam em um sítio no bairro São Joaquim (onde hoje fica a Igreja de Santa Rita de Cássia), onde atendiam tropeiros, a quem davam pousada, cuidando de arreios e das mulas.
O amor ao próximo e a solidariedade de Rita encontrou guarida na filha, que fez da filantropia sua marca registrada. Quem conheceu Alice da Silva Prates afirma que, tanto quanto a mãe, foi uma cidadã admirável. De características herdadas na genitora, tinha jeito simples, comportamento honesto e descente, sempre foi de determinada e objetiva no trato com as pessoas, suas coisas e os seus negócios.
Em 1977, sendo Alice uma das fundadoras da associação de amparo ao excepcional, juntamente com o Elpidio Pedroso e José Américo do Nascimento, recebeu a justa homenagem de ter o nome dado à organização. Como Alice não se casou nem teve herdeiros, destinou as posses da família – diversas casas e terrenos, sendo sete imóveis no bairro São Joaquim – a várias entidades beneficentes de Araçatuba, como Associação de Valorização, Integração e Dignidade do Doente de Aids (AAVIDA), Associação Lítero Musical de Araçatuba (ALMA), Associação de Reinserção de Crianças e Adolescentes (ARCA), Capela de Santa Rita de Cássia etc.

Todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecer Ritinha Prates ou Alice, assim como, de alguma forma, ter as suas vidas impactadas pela generosidade de ambas, agradecem e emocionam-se ao fazer referências a elas. Ritinha Prates faleceu em 1974, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC) – Alice, em 2004, com câncer. O amor de Ritinha Prates pelo ser humano foi e continua sendo multiplicador. Conhecer e compreender a sua história e obra tem o poder de mudar a percepção da vida das pessoas para melhor.

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