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História de fazenda se confunde com a trajetória de Araçatuba

ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Se agropecuária e a produção de sucroalcooleira são os carros-chefe da economia araçatubense, o que dizer de uma fazenda, hoje, com atuação nesses ramos e outros mais que completou cem anos? Pode-se dizer, certamente, que sua história se confunde com a própria história de Araçatuba.

Na semana que antecedeu os 110 anos da cidade, a trajetória da Fazenda Guarita ganhou um livro. A obra, escrita pela jornalista Teté Martinho, tem 207 páginas, é fartamente ilustrada e traz imagens de diferentes épocas da propriedade, que acompanhou os diversos ciclos econômicos do município.

A obra foi idealizada pelo economista e apropecuarista Dario Guarita Filho, um dos três filhos de Dário Guarita, aquele que dá nome aeroporto estadual de Araçatuba. Segundo ele, o livro “Fazenda Guarita 100 Anos” é resultado de um trabalho de dois anos, período dedicado a pesquisas, entrevistas e levantamento de fotos históricas.

Quando fundada, em 196, Araçatuba tinha apenas oito anos de existência. Na ocasião, o advogado Cesar Augusto Guarita, tabelião em Jaboticabal, comprou, por dois contos de réis, os 426 alqueires da Fazenda Macaúbas, localizada à margem direita do rio Tietê. As terras pertenciam ao engenheiro canadense Robert Todd Locke, que chegou ao Brasil em 1880 para trabalhar na implantação do ramal ferroviário da Noroeste Brasil e as recebeu como pagamento pelo trabalho feito. A gleba adquirida por César foi registrada como Fazenda Futuro e os seus sucessores lhe deram o nome definitivo, ou seja, Fazenda Guarita.

O local é uma das referências no País na criação de gado Nelore puro de origem. Toda essa saga é contada, na obra, com imagens que mostram as belezas naturais e a arquitetura do espaço.

“Quando analiso os 100 anos da fazenda, penso também que são muito poucas as fazendas desse tempo que continuam com a mesma família. Então, foi essa a ideia, de perpetuar para as próximas gerações a história da fazenda, e o livro contextualizou o momento do Estado, o momento do Brasil… E foi essa evolução toda que a fazenda pegou, da conquista do Oeste”, conta Guarita Filho. De acordo com ele, condições climáticas aliadas às crises econômica obrigaram a maioria dos fazendeiros a vender suas terras na segunda metade do século passado. Na fazenda de Araçatuba, o irmão mais velho de Guarita Filho, César Luís, e o sobrinho Fernando Levy, filho de sua irmã Sônia Helena, também já estiveram à frente da administração da propriedade.

A família soube diversificar sua produção e acompanhar o bom momento hoje vivido pelo agronegócio no Brasil. “Temos hoje uma área de mil hectares de cana, outra parte de gado de engorda, de soja e outra com produção de tourinhos e novilhos nelore. A gente diversificou tentando ter um toque de cada atividade”, destaca Guarita Filho.

A obra recebeu apoio da Lei Rouanet, com patrocínio da D. Carvalho. Os livros serão doados a bibliotecas públicas, de escolas e universidades de Araçatuba, Santo Antônio do Aracanguá, Birigui, Guararapes, Valparaíso e Jaboticabal.

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