PAULA SANTOS – ARAÇATUBA

“A Dama da Caridade”, “Pioneira do bem em Araçatuba”. Assim ficou conhecida Benedita Fernandes, mulher que dedicou grande parte de sua vida ao cuidado com o próximo. As informações aqui apresentadas foram extraídas do livro A Dama da Caridade, publicado em 2017 por Antônio César Perri de Carvalho.
Nascida em 27 de junho de 1883 na cidade de Campos Novos de Cunha – SP, a Dama da Caridade era portadora do que a comunidade Espírita chama de “pertinaz obsessão” e precisava de cuidados com sua saúde mental.
Em dado momento de sua vida, Benedita, quando já havia tido uma filha, chegou à cidade de Penápolis – SP. Por não existirem, na época, hospitais ou atendimentos para pessoas com transtornos mentais, ela chegou a ser levada à delegacia, após causar incômodo a alguns moradores.
Segundo Elpídio Antônio Moreira, um senhor que morava com os pais, em Penápolis, na época em que Benedita chegou à cidade, certa vez, ainda presa, ela teve uma crise muito forte e recebeu um chamamento. “Ela ouvira: – Benedita, se prometes consagrar-te, inteiramente, aos enfermos e pobres, sairás curada daqui. E ela soube cumprir, integralmente, a promessa”.
Foi após esse episódio que a Dama da Caridade passou a se dedicar a trabalhos sociais. Para isso, ela se juntou a um grupo de pessoas e iniciou, em Araçatuba, por volta de 1925, ações de assistência aos necessitados. Tais tarefas eram desenvolvidas no Patrimônio de Dona Ida, hoje conhecido como bairro Santana. No local, Benedita criou, com algumas amigas, um grupo espírita e, juntas, construíram casas de madeira, que foram destinadas ao atendimento de pessoas com transtornos mentais e crianças abandonadas.
No ano de 1932, foi realizada, ainda no bairro Santana, a primeira reunião com o intuito de fundar a Associação das Senhoras Cristãs. A primeira Diretoria foi composta por Benedita Fernandes como presidente, Manoel Gonçalves como secretário e Maria Bogalho Gonçalves como tesoureira. A Associação contou com um grupo de colaboradores mensais e, em 1º de novembro de 1933, houve a inauguração, támbém no bairro Santana, do prédio próprio da Associação. O imóvel se localizava à rua Newton Prado, 178 (hoje, a rua recebeu o nome de Benedita Fernandes).
No início, o atendimento de crianças abandonadas e pessoas com transtornos mentais acontecia no mesmo local, porém, atendendo a exigências de órgãos governamentais, os cuidados com a saúde mental foram direcionados a um outro imóvel, localizado na mesma rua, a cerca de 200 metros de distância. Desta forma, como dependências da Associação, surgiram a Casa da Criança e o Asilo Dr. Jaime de Oliveira, onde era desenvolvido o atendimento a doentes mentais.
Segundo pessoas ouvidas por Antônio Carvalho para a produção do livro que conta a história de Benedita, aqueles que eram considerados ‘loucos’ eram levados até o Asilo amarrados, porém, Benedita pedia para desamarrá-los e os acalmava com preces, passes e boas palavras.
Até quando percebeu que estava chegando a hora de sua morte, Benedita fez o bem: quando se sentiu mal, às 23h de 8 de outubro de 1947, conversou com as crianças que atendia e as aconselhou. Ela faleceu poucas horas depois, no dia 9 de outubro, às 01h30, vítima de um colapso cardíaco.
Após seu falecimento, o Asilo Dr. Jaime de Oliveira recebeu o nome: Sanatório (ou Hospital) “Benedita Fernandes”, como forma de homenageá-la. No dia 18/11/2015, o local deixou de receber novas internações, passando a atender somente aqueles que aguardavam inserção, pela Rede de Atenção Psicossocial (Raps), no projeto Serviço de Residência Terapêutica (SRT).

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