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Marco do passado de Araçatuba pede socorro

ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Perto da comemoração do aniversário de 110 anos de Araçatuba, moradores de um dos bairros mais tradicionais da cidade estão preocupados. O São João conserva um dos marcos do passado do município: o antigo bebedouro para animais. Entretanto, este objeto de concreto que desperta a atenção de olhares curiosos de quem nunca visitou a localidade e é motivo de nostalgia para moradores mais antigos dali encontra-se retorcido.

O que levou a a este retrato? Ninguém, entre os moradores, sabe responder. Porém, todos temem que, se uma providência não for tomada o quanto antes, um dos marcos da história local poderá ser consumido pelo ação do tempo, estimular a ação de vandalismo, entre outras situação características de abandono.

A boa notícia para quem vive entre as ruas Gandi e Tupinambás, onde fica o bebedouro, é que a recuperação da peça está na ordem do dia dos trabalhos da Prefeitura. O secretário municipal de Obras e Serviços Públicos, Constantino Alexandre Vourlis, diz que o poder público já tem conhecimento dessa situação. E afirma: “Semana que vem, vamos acertar”. Ele ressalta que o serviço já poderia ter sido feito, mas apareceram outras prioridades. “Iremos estabilizá-lo”, complementa ele.

TOMBAMENTO

Até chegar a essa imagem, “desoladora”, segundo moradores de mais idade, várias foram as alternativas pensadas por representantes da administração pública. Em junho do ano passado, a secretária municipal de Cultura, Tieza Marques de Oliveira, chegou a visitar o bebedouro acompanhada de técnicos do setor. Na oportunidade, foi discutida com moradores a possibilidade de se elaborar um plano de tombamento como patrimônio histórico. “Precisamos preservar o bebedouro, que tem um valor muito grande para a história do município”, disse, na ocasião.

Prestes a deixar a secretaria, para reassumir sua cadeira de vereadora na Câmara Municipal pelo PSDB, Tieza conversou ontem com a reportagem sobre o estado em que se encontra a peça. Segundo ela, a proposta de tombamento não avançou ainda na secretaria em virtude de outras demandas. Entretanto, a secretária mantém a mesma opinião manifestada da época em que fez sua visita ao local. “(O bebedouro) É importantíssimo para a nossa história. Sou a favor do tombamento, o que muito iria contribuir com a memória de Araçatuba”, afirmou.

REATIVAÇÃO

A reportagem apurou que, hoje, há até mesmo quem defenda a reativação do bebedouro. Essa discussão ganhou força principalmente após a aprovação, em setembro de lei de autoria do vereador Almir Fernandes Lima (PSDB) que disciplina a utilização de veículos com tração animal (carroças, charretes e similares) no município.

Como esse tipo de transporte ainda é muito comum na cidade, apesar de toda a modernidade, e a lei foca, justamente, a defesa e proteção dos animais, a tese começou a ser admitida. De acordo com o texto recém-aprovado pelo Legislativo, esses veículos devem transitar pelas vias públicas da área urbana das 7h às 18h, ou seja, somente com o dia claro, período em que o típico calor de Araçatuba está mais intenso.

Antes da lei de Almir, já em 2004, o então vereador Edval Antônio dos Santos teve indicação aprovada em que apontava a necessidade de reativar o bebedouro sob o argumento de que existia uma grande concentração de carroceiros naquela região, que necessitariam de água para seus animais.

SÃO JOÃO

O bebedouro do São João era muito usado por cavalos em carroças e charretes no passado. Araçatuba, aliás, chegou a ter dois objetos do tipo. O outro ficava na rua Rangel Pestana. Construído em 1920, também era considerado um marco da história local. Aquele bebedouro foi removido nos anos 1990.

Data também daquela década a lei municipal 4591, que prevê a preservação do patrimônio histórico, estético, arquitetônico, documental e ambiental de Araçatuba.

A preservação ou a reativação, de acordo com moradores, ajudaria a evitar algumas cenas, para eles, “indigestas”. Há relatos de que o bebedouro seco, muitas vezes, já serviu de “lixeira” para uns pouco responsáveis. Isso, além de ter sido alvo de pichações.

Estes instrumentos não são símbolos só em Araçatuba. Em outras cidades da região, também de tradição rural, idem. Em Birigui, objeto semelhante chegou a ser restaurado.

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